Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

The Chair: os conflitos reais de quem vive a transformação da sala de aula

Série da Netflix, protagonizada por Sandra Oh, tem apenas seis episódios de 30 minutos.

Fiquei pensando em um adjetivo para descrever The Chair, a série protagonizada por Sandra Oh disponível na Netflix e me veio uma ideia de discrição. Sim, a história que se passa nos bastidores da fictícia Universidade de Pembroke é bastante discreta, mas isso não significa que não aborde temas que são contemporâneos e relevantes para o nosso tempo. 

Em The Chair, Oh interpreta uma professora recém promovida ao cargo de diretora do departamento de letras. Uma das primeiras cenas, que mostra a reunião de professores, já nos apresenta uma série de questões que serão desenvolvidas adiante. A principal delas: estamos em um ambiente machista, racista e que também tem (muitos!) preconceitos (ou seriam questões?) em relação à idade (ageista?). 

Pois é, curiosamente – e diferentemente – de outras séries que se desenvolvem no ambiente escolar (Sex Education, Elite, Control-Z, por exemplo), The Chair tem o foco principal na relação entre os professores. Sendo assim, tem aqueles que já se cristalizaram no cargo e não perceberam a necessidade de evoluir junto com os alunos. Por outro lado, a nova geração de mestres chega com a proposta de outro tipo de relação em sala de aula. É um contraste interessante e bastante real.

The Chair. Foto: Elisa Morse/Netflix

No campo acadêmico discute-se, então, a transformação no modo de ensinar, no papel do professor, os conflitos de geração, seja professor/aluno ou professor/professor. Sendo assim, aparecem termos como sala de aula invertida, algo que quem é professor universitário certamente ouviu. Mas The Chair não fica somente aí.

Cancelamento

Contemporânea que é, série criada por Amanda Peet e Annie Wyman, tem entre seus temas a discussão sobre a cultura do cancelamento. Ela deriva dos comportamentos do professor Bill Dobson (Jay Duplass), que atravessa uma fase pessoal difícil mas é o personagem que dispara os principais conflitos que caem na mesa da diretora. A sala de aula midiatizada, a vigilância em relação ao professor, também são questões que delicadamente aparecem.

Camadas pessoais

Quando adentra sobretudo a vida pessoal de  Ji-Yoon Kim (Sandra Oh) e Bill Dobson (Jay Duplass), The Chair ganha contornos ainda mais interessantes. Discute luto, companheirismo e, por que não, xenofobia já que nos apresenta uma comunidade de coreanos. Por outro lado, trabalha-se a importância das raízes culturais. O roteiro é bem inteligente e cheio de sutilezas.

A relação entre Bill e a filha da protagonista é uma delas, mas a série não dá conta de aprofundar. Esse é um problema: como The Chair tem apenas seis episódios de cerca de 30 minutos cada, acabei com a sensação de que os temas foram, apenas, pincelados. É como se fosse uma primeira aproximação a um universo – e a pessoas – que ainda temos muito o que conhecer. Então, que venha a segunda!

The Chair. Foto: Elisa Morse/Netflix

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