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Cresce o número de curtas com temática LGBTQ+ nas telas de Tiradentes

Produções que abordam a temática somam 1/4 da programação e apresentam novo cenário do cinema contemporâneo brasileiro

Por Thiago Fonseca

24/01/2019 às 19:32

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Crédito: Universo Producao/Divulgação

Um quarto dos curtas em exibição na 22° Mostra de Cinema de Tiradentes abordam a temática LGBT+. Dessa forma, das 78 produções, 19 abordam diretamente o tema. Um número representativo que confirma o crescimento das produções sobre o tema e a ampliação dos espaços para exibição.

Segundo Tatiana Carvalho Costa, uma das curadoras do evento, não é novidade os curtas abordarem essa temática. O que é novo é a quantidade e a qualidade.”O que a gente vê na Mostra é uma parte de um conjunto maior. Tentamos selecionar os filmes mais representativos. Recebemos nesta edição muitos que abordam a homossexualidade e transexualidade. Tem crescido também, o número de filmes dirigidos por pessoas trans e por lésbicas”, explica.

Ainda segundo a curadora, a forma como a temática LGBTQ+ tem sido abordada está mudando. “O que surgindo agora é dizer que é normal. Abordagem do lugar de fala e com questões cotidianas. Isso se dá pela mudança na sociedade e na emergência de falar dessas identidades fora da heteronormatividade”, afirma.

Novos olhares

É justamente sobre o cotidiano e algo que está na realidade do cineasta Henrique Arruda que o curta ‘Verde Limão’ fala. Em resumo, conta a história de uma Drag Queen que prestes a entrar no palco pela última vez revisita todas as cicatrizes que formam o seu carnaval. Esta é a segunda produção de Henrique que sempre trabalhou com a temática.

“A gente no cinema consegue experimentar e debater questões importantes mais que na TV. Sendo assim, precisamos produzir e falar mais sobre esses assuntos. Mas sem rotular, achar que só se deve falar de beijo e aceitação. É preciso falar que a gente passa por diversas situações como outras pessoas”, afirma.

Segundo Tatiana, filmes que abordam a temática LGBTQ+ nos ajudam a compreender a perspectiva e mundo e mostrar para as pessoas da comunidade que elas não estão sozinhas. “Uma evidência aqui em Tiradentes é que as pessoas gays, lésbicas e trans estão vendo os filmes e se sentindo representadas. Acolhida pelo público também tem sido ótima. Uma aposta que a gente fez e deu certo”, conta.

 

Ariel Nobre. Crédito: Jackson Romanelli/Divulgação

 

Receptividade do público

Ariel Nobre, diretor do curta ‘Preciso Dizer que Te Amo’ ficou emocionado ao ver a produção ovacionada pelo público em plana praça pública. Exibido no último dia 21, em resumo, o filme fala sobre a resiliência e a luta contra o suicídio entre as pessoas trans. Uma produção que retrata de forma poética a relação dos personagens com o corpo, com a vida e com o sagrado. Segundo Ariel, a produção é um grito, uma reivindicação da comunidade trans pelo direito ao corpo, à vida e à alma.

“As pessoas trans são tratadas como sub-humanas. Quando a gente faz filmes sobre uma perspectiva trans, a gente tira essas pessoas do tema e humaniza”. Ariel conta que a ideia do filme surgiu depois sair pelo mundo desenhando a frase ‘Preciso de Dizer que Te Amo’ e ver um edital com cotas para pessoas trans. “Enxerguei que essa era uma oportunidade de contar uma história sobre uma perspectiva trans”, completa.

Ainda é preciso mais

O tema diversidade no cinema, de tão intenso na programação, ainda foi levado para roda de conversa na Mostra. Mesmo nítido o crescimento de produções sobre a temática nos últimos anos, ainda é necessário avanços. A maior cobrança dos cineastas é pela a necessidade de políticas afirmativas para o fomento. Ainda é preciso fazer filmes com a temática LGBTQ+ como algo normal, sendo assim, naturalizar os corpos e as vivências.

 

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