Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Surubim e os Pocomã lança disco de estreia com show gratuito

Gostou? Compartilhe!

O álbum do Surubim e os Pocomã, homônimo, será disponibilizado nesta sexta-feira, 10 de novembro, nas plataformas digitais

Defendendo a mistura entre o sertão popular e a modernidade, o Surubim e os Pocomã apresenta, em Belo Horizonte, o primeiro disco do grupo nesta sexta-feira, dia 10 de novembro, data em que o registro chega às plataformas digitais. O show acontece às 21h, no Armazém do Campo BH, loja de produtos orgânicos e agroecológicos vinculada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. O movimento, diga-se, apoiou a gravação do disco e também os shows de lançamento e a divulgação do trabalho.

Gravado no Armazém do Campo de Montes Claros, no Norte de Minas, o disco “Surubim e os Pocomã – Ao Vivo” conta, ainda, com gravação em vídeo. Também nesta sexta, o registro audiovisual será disponibilizado no YouTube, no canal da banda. Vale dizer que o grupo é formado por Pedro Surubim (voz e violão), Pedroca Neves (contrabaixo), Dau (bateria) e Bicho Carranca (percussão), criados na região.

O grupo Surubim e os Pocomã a BH o repertório que compõe o disco de estreia (Amanda Canhestro/Divulgação)
O grupo Surubim e os Pocomã a BH o repertório que compõe o disco de estreia (Amanda Canhestro/Divulgação)

Expectativa

Após o lançamento virtual e o show em Belo Horizonte, o grupo volta a Montes Claros no dia 25 de novembro, sábado, para nova apresentação no Armazém do Campo da cidade. “Estamos com a expectativa de que sejam duas grandes festas. Nosso público nos abraça e a energia é muito vibrante quando nos apresentamos nos Armazéns. Em ambos os shows teremos participações especiais”, diz Bicho Carranca, percussionista.

Mistura de influências e raízes

No nome, Surubim e os Pocomã alude a dois dos peixes populares que habitam o Velho Chico. Tal qual, faz uma ode à vida que acontece ao redor do único rio inteiramente brasileiro. Conforme sabido, é um rio que percorre dezenas de municípios do Norte de Minas. Assim, garante a subsistência de populações ribeirinhas em cerca de 2.830 quilômetros de extensão. Isso, contando da nascente geográfica, em Medeiros (MG), até a foz, entre os estados de Alagoas e Sergipe.

Cartão de visitas sonoro

Desse modo, as nove músicas autorais do álbum visam ser um cartão de visitas sonoro do Norte de Minas. Sobremaneira, de uma população autodenominada como barranqueira, por morar em barrancos formados às margens do Velho Chico. “Logo, nosso som é a representação da musicalidade e da forma de fazer arte na nossa região. Assim, as composições falam exatamente sobre isso: as ideias típicas do Norte mineiro, as pessoas e seus hábitos, os moradores mais antigos, a tradição popular, o sagrado e a jornada que é chegar ao sertão profundo. (Tal qual) Fala do povo que faz essa história, dos barranqueiros, dos geraizeiros, dos trabalhadores da cidade, dos pescadores, Enfim, dos que vivem e lutam no campo”, resume Pedro Surubim.

A síntese da proposta do grupo Surubim e os Pocomã pode ser ilustrada com “Brasil Lameiro”, faixa que fecha o álbum. Ela repete um refrão como se fosse uma identidade sertaneja: “Apesar de ser de barro, não sou obrigado a me atolar”. Desse modo, é uma crítica direta aos estereótipos impostos ao sertão. Já “Mutalambô”, faixa que pode ser considerada um apelo em forma de oração. Desse modo, no clássico formato de canção, remete ao orixá protetor da natureza na cultura dos caboclos de Congo e Angola. Assim, anuncia versos de fé como elogio às crenças de um povo que precisa respeitar o sertão, antes de poder percorrê-lo. Um trecho: “Seus filhos pedindo a Tupã para proteger os caminhos do povo que rumava no sertão”.

Música Popular Barranqueira

A partir desses símbolos culturais do Norte mineiro, a sonoridade de Surubim e os Pocomã é definida como Música Popular Barranqueira (MPB). Primeiramente, é um convite para a ginga do corpo, abusando de arranjos de violões acelerados e percussões marcantes. Sonoramente, são muitas referências, Em primeiro lugar, de artistas populares que valorizam o cancioneiro regional, como Nação Zumbi, Markus Ribas e Lenine. E, ainda, de inserções abundantes de forró, xote, baião, cantos dos catopês — representantes do povo africano, originários do Congo. A mistura agrega, ainda, danças de religiões de matriz africana, como o calango e o lundu.

Tudo isso ganha salpicadas do jazz e da música pop, elementos que, de certa forma, estão embutidos na musicalidade norte-mineira, como avalia Pedro. “Nós já carregamos a música universal na nossa raiz. Um exemplo disso são os rabequeiros, como o Seu Jeny de Palmeirinha, de Pedras de Maria da Cruz (distrito de Januária, no Norte de Minas). Mesmo não sabendo o que é escala musical, é um dos maiores improvisadores deste instrumento no Brasil. Então, o improviso, tal qual como o jazz é concebido, já está por aqui. Por isso, associar essas referências à banda foi algo muito natural”, avalia Pedro.

“Xote Jamiroquai”

“Xote Jamiroquai” talvez seja a canção do álbum que represente melhor a ideia de uma música com caráter de universalidade, a partir do sertão regional. O xote, variação clássica do forró, ganhou um balanço de funk jazzístico bem característico da banda britânica Jamiroquai. Um suingue norte-mineiro de personalidade, ilustrado por um refrão potente sobre essências e subjetividades da vida sertaneja: “eu sou pedra, sou trovoada, sou ventania do sertão / eu sou carranca, chuvarada, eu sou a sorte dessa embarcação”.

Disco ao vivo

O álbum foi gravado ao vivo, formato preferido da banda para improvisar arranjos e elementos sonoros em cima de composições. Aliás, estas muitas vezes nascem em cima do palco mesmo, em criações coletivas. Foi desta forma, aliás, em encontros por festivais e shows do Norte de Minas, que os músicos se conheceram, ainda em 2020, antes da pandemia.

“Como somos uma banda nascida praticamente no palco, estamos muito voltados para a interação com o público e com o jeito de nos apresentarmos ao vivo. Assim, nossos shows têm uma magia específica. Desse modo, acontece uma espécie de ritual e uma forte conexão com o público. Portanto, nosso primeiro registro enquanto disco não poderia estar desconectado desse momento e jeito de fazer o nosso som”, avalia Pedro Surubim.

Serviço

Surubim e os Pocomã – Lançamento do álbum “Surubim e os Pocomã – Ao Vivo”

Onde. Armazém do Campo de BH (Av. Augusto de Lima, 2.136 – Barro Preto)

Quando. Dia 10/11, sexta-feira, às 21h

Quanto. A entrada é gratuita. Apoiadores podem colaborar por PIX pela chave [email protected]

Lançamento digital. Acompanhe no Spotify e no YouTube

Gostou? Compartilhe!

[ COMENTÁRIOS ]

[ NEWSLETTER ]

Fique por dentro de tudo que acontece no cinema, teatro, tv, música e streaming!

[ RECOMENDADOS ]