Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Simone comemora 50 anos de carreira no show “Tô Voltando”

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A bordo de um repertório que abarca várias músicas que fizeram sucesso na voz dela, Simone se apresenta em BH

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Belíssima, com um conjunto de calça e camisa azul cobalto e um loafer da mesma cor, Simone falou com o Culturadoria sobre a turnê “Tô Voltando”, cujo show chega à capital mineira nesta sexta-feira, no palco do Grande Teatro Cemig do Palácio das Artes. Na verdade, a reportagem enviou as perguntas para a cantora, que, gentilmente, as respondeu em vídeo. De pronto, a baiana falou do momento atual, diante do marco de 50 anos de carreira. “Estou em um momento muito especial da vida. Estou muito bem comigo. Muito bem fisicamente, bem espiritualmente. Estou muito legal. Então, fazer o balanço de uma carreira de 50 anos, e que está sendo comemorada no palco, com uma banda e uma equipe maravilhosas, jovem… Posso dizer que continuo acertando muito mais do que errando”, diz, sorridente.

A cantora Simone, que se apresenta em BH nesta sexta-feira (Lorena Dini/Divulgação)
A cantora Simone, que se apresenta em BH nesta sexta-feira (Lorena Dini/Divulgação)

Uma pergunta logo se impõe: como montar um repertório com tantas canções de sucesso na manga? “Realmente, escolher o repertório para esta turnê não foi uma tarefa fácil”, confirma Simone. “O Marcos Preto, que é o diretor do espetáculo, propôs que a gente fizesse uma seleção inicial de 70 músicas para, em seguida, botar em uma peneira. Daí, viraram 50 e, depois, chegamos a 24 canções”.

Repertório

Simone revela que aceitou de pronto a proposta de Marcos Preto, de priorizar as músicas que foram lançadas pela cantora. “Logo, a gente teria a espinha dorsal do show com músicas que foram apresentadas com a minha voz, que tornaram-se conhecidas comigo. Assim partiu o repertório deste show, com aspas para duas músicas. Uma delas, ‘Divina Comédia Humana’, que o Belchior fez pra mim. Na época, não gravei, mas tudo tem a sua hora. E ‘Ex-Amor’, do Martinho da Vila. Quando eu fiz o show e disco ‘Café com Leite’, ela foi incluída e realmente é uma música que faz um sucesso estrondoso”.

O repertório traz: “O Que Será (À Flor da Terra)” (Chico Buarque), “Jura Secreta” (Sueli Costa/ Abel Silva), “Começar de Novo” (Ivan Lins/ Vitor Martins), “Encontros e Despedidas” (Milton Nascimento/ Fernando Brant), “De Frente pro Crime” (João Bosco/ Aldir Blanc) e, claro, “Tô Voltando” (Maurício Tapajós/ Paulo César Pinheiro), entre outras.

Em pleno voo

E como as canções são apresentadas no show? “Bem, comparo a estrutura do show à decolagem de um avião. No começo, as turbinas começam a colocar a potência máxima para ele decolar. Depois, já em pleno voo, o avião vai toreando, se há alguma nuvem ou se vai pegar algum vácuo. E quando o voo está totalmente estabilizado, a gente vai para o pouso, que é o final. A explosão do samba”, compara.

“Estou muito bem, física e espiritualmente”, diz Simone, que deu início à carreira em 1973 (Lorena Dini/Divulgação)

Brilho, por favor

Simone também não se furta a falar de cenários e figurinos. “Eles foram criados juntos. Existiu a comunicação entre o (cenógrafo) Zeca Ratu, junto com a (arquiteta) Adriana Jorge, que criaram o cenário, e mais o (Julio) Katona, luz, com o Thomaz Azulay e o Patrick Doering, da (The) Paradise, o figurino”.

Simone comenta que queria um efeito de luz, no show, que, assim, foi colocado tanto no cenário quanto na roupa. “Então, isso foi uma coisa proposital. E eu gosto muito do brilho. Adoro. Sempre quero ter um brilho na roupa, pode ser um jeans, uma camiseta, mas eu gosto disso. E a equipe, eles se juntaram e fizeram um trabalho que e é lindo. Colocaram uma asa da cigarra que brilha tanto quanto a minha roupa. O Kantona, que é o engenheiro de luz e operador, ele faz com que a minha roupa brilhe muito na mesma sintonia do que o que está sendo projetado atrás, do cenário, que é uma asa da cigarra e um vento”.

Banda e público

A banda de Tô Voltando atua sob a batuta de Pupillo. No palco, estão Frederico Heliodoro (baixo), Filipe Coimbra (guitarra e violão), Chico Lira (teclados), Ronaldo Silva (bateria) e André Siqueira (percussão).

No entanto, os créditos não se limitam à equipe: assim, Simone faz questão de abarcar os fãs. “O público, ele é também muito responsável pelo espetáculo. Ele caminha junto, é uma bola de neve. Ou uma bola de luz, que vai caminhando junto. Som é isso aí. Tem horas que o público sente muita vontade de participar, de explodir junto, de cantar. Assim, o teatro, o espaço, vira um lugar de muitos cantores, seja de 100 pessoas, duzentas, mil, duas mil, três mil… Isso daí independente do local que a gente esteja, independe de onde se vá. A vontade do público, ela é dona absoluta”.

Renovação

A Cigarra acrescenta: “É isso, cantar é bom, você bota para fora o que não quer que fique dentro e interioriza o que ama”. E se o assunto é o público, Simone também brinda a renovação do séquito que a acompanha, dando, como exemplo, a participação do Festival Coala, em São Paulo. “Lá, tive uma surpresa maravilhosa, de receber fãs mirins, crianças de 4, 5, 6s anos. E – atenção! – cantando as músicas. O Coala é um festival maravilhoso, muitas famílias foram, e, assim, essas crianças. Lembro que teve um casal de crianças que, na hora de ‘Tô Voltando’, ficavam assim: ‘Tô, tô, tô” (risos). Por ser rápida. E tem acontecido isso, durante estes shows que estamos fazendo”.

Não só. “Além de muitas crianças, uma gama muito nova de pessoas, de 15, 20, 30 anos. Isso é muito bom, porque tenho aqueles fãs que fidelizaram, que acompanham a minha carreira desde o início, desde 1973, como também essa gente nova, conhecendo meu repertório”, diz, compreensivelmente feliz.

Carreira vitoriosa

Nascida em Salvador no Natal de 1949, Simone Bittencourt de Oliveira estreou como cantora profissional em 1973 (antes, foi jogadora de basquete).

Confira, a seguir, alguns marcos da carreira da cantora

Simone já gravou 31 álbuns de estúdio e seis ao vivo, alguns produzidos especialmente para o mercado internacional.

Teve quase 50 canções em trilhas de novelas e incontáveis hits em listas das mais tocadas no país.

Em 1979, lançou “Pedaços”, álbum que a colocou definitivamente no panteão das maiores intérpretes da história da música brasileira.

A partir de meados da década de 1980, não havia álbum de Simone que não batesse as 400 mil unidades vendidas.

Já nos anos 1990, o temático 25 de dezembro” bateu 1,5 milhão de cópias em menos de dois meses – e segue no posto de álbum natalino mais ouvido do país.

Nos anos 1990 e 2000, dedicou discos e espetáculos a Martinho da Vila e Ivan Lins, dois de seus compositores prediletos.

O álbum de estúdio mais recente, “Da Gente”, foi lançado no ano passado e jogou luz sobre a nova geração da música nordestina.

No palco, Simone também bateu recordes. Um bom exemplo é seu espetáculo de 1982, que lotou nove apresentações no Ginásio do Ibirapuera (SP), em três semanas seguidas, com cerca de 15 mil pessoas por noite.

Vale dizer que, neste show, a cantora inaugura parceria com a Nascimento Música, empresa de Milton Nascimento, administrada pelo filho dele, Augusto Nascimento.

Serviço

Simone – Turnê Tô Voltando
Quando. Dia 29 de setembro, sexta, às 21h
Quanto. Ingressos a partir de R$ 90 (meia entrada), à venda no Eventim ou na bilheteria do teatro (*)
Onde. Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, Centro)

(*) Funcionamento da bilheteria: de terça a sábado, das 12h às 21h, e aos domingos, das 17h às 20h.
Informações: (31) 3236-7400

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