11 mar 2018

Criolo chora e emociona público em show em BH

Sempre que Criolo vem a Belo Horizonte arrasta uma multidão e oferece um show cheio de energia: dessa vez não foi diferente. No Campus Aberto do UniBH, nesse sábado (10/03), o rapper chorou, discutiu sobre educação, disse umas boas verdades e deixou o público arrepiado. O evento ainda contou com apresentação do Trio Amaranto e Grupo Teresa.

Antes de subir ao palco a galera gritava “Criolo Doido” e, nos bastidores, o rapper alertava os companheiros: “a galera chama pela alcunha antiga. Tem que respeitar! Tem que respeitar”. E assim foi feito, de ambas as partes. O artista se apresentou no formato que une o clássico de rap, DJ+MC. Homenageou o primeiro disco “Ainda há tempo”. Na apresentação, Criolo esteve acompanhado pelos DJs DanDan, Marco e ainda apresentou canções do elogiado “Nó Na Orelha” e do disco “Convoque Seu Buda”.

O músico entrou no palco, ao lado de DanDan, com a canção “O rap é forte”. “Até me emocionei” foi a segunda. Ao fim da música o público começou com as manifestações políticas. Criolo agradeceu a presença de todos, falou sobre o início da carreira, sobre o disco e brincou com a plateia.

Disse que nunca realizou um show dentro de uma universidade e parabenizou os educadores. “Quero homenagear cada professor e tirar o chapéu. Muitos faltam com respeito aos profissionais da educação, hoje eu canto para vocês”, disse. Em seguida, emendou com a canção “Duas De Cinco”.

 

 

DISCURSO POLÍTICO

Como todo mundo sabe Criolo é um artista politizado. O repertório dele é cheio de de análises sociais e econômicas. Todo show tem discurso engajado, com críticas escancaradas nas letras e na fala. Dessa vez, o rapper criticou a Samarco por ter assinado um documento que diz que o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, foi um desastre. Mandou a empresa tomar no c* e disse que ela foi a culpada.

Em “Lion Man” o rapper mostrou sua potência vocal e sua presença de palco. A energia de Criolo – que não tem como explicar –  foi sentida por todos. Com essa vibe, ele ainda aproveitou para falar como é bom envelhecer, do afeto pelas pessoas que passou na vida dele e criticou aqueles que falam que a violência é culpa do favelado.

“A culpa é de todos, mas é mais fácil colocar na favela. Peço licença e para cantar os flash back da época do Grajaú em homenagem aos meus amigos da comunidade. Finge que estamos na laje da minha mãe, dona Maria Vilani, e fiquem à vontade”, disse.

PROFESSORES

Foi aí que o público foi ao delírio. A música “Breaco”, do disco “Ainda da Tempo”, foi que ilustrou o discurso do cantor. Criolo sentiu saudades de casa e citou trecho de “A Dois Passos do Paraíso”, da banda Blitz. Aproveitou a presença dos alunos da universidade e comentou que o vestibular prepara as pessoas para entrar e não para cursar a faculdade.

Retornou com o discurso dedicado aos professores. “O sistema tira sarro dos educadores. Mas devemos viver a plenitude do saber. Não é só o que o olho vê, vocês são mais que isso. Cada um tem alma e sentimento. Todos merecem respeito”, disparou. Foi ovacionado pelo público.

Ainda falou sobre as falhas no sistema, sobre a morte, pediu energia para a natureza abençoar as pessoas presentes e lembrou de Bob Marley estendendo uma bandeira no palco com o rosto do cantor.

“Mariô” e “Samba Sambei”, do disco “Nó Na Orelha” deram continuidade ao show. Em “Subirusdoistiozin” Criolo pediu para que todos se abraçassem. Disse que queria uma pororoca entre alunos e professores. Destacou a importância dos estudos: “Estudar é pra poucos”. Em seguida, leu uma poesia que termina dizendo que o melhor beijo vem da boca da liberdade.

 

 

CRIOLO CHORA

“Convoque Seu Buda”, quase foi a última da noite. Criolo saiu do palco, deixou o público desnorteado, mas retornou ainda mais potente ao som e “Não Existe Amor em SP”. Os fãs choraram e ficaram arrepiados. Um coro lindo ecoou no espaço. Emocionado, Criolo agachou e chorou. Foi lindo ver, como diz o rapper, a pororoca de sentimentos que se misturaram entre espectadores e cantor.

Após “Demorô” e “Esquiva da Esgrima”, DJ DanDan convidou o público a se abraçar novamente e mostrar para o mundo que o amor pode mudar tudo. Foi mágico! “Ainda Há Tempo” e “Sucrilhos” fecharam a noite. O cantor convidou todos os envolvidos no evento para subir no palco e pediu uma salva de palmas.

O show durou mais de duas horas e despertou sensações e sentimentos diferentes. Experiência difícil de ser esquecida. Criolo é sem dúvidas um cantor completo e que sabe despertar sentimentos nas pessoas.

“Queremos mostrar que somos mais que simplesmente a sala de aula, somos formadores de seres e de opinião. Unir a cultura com a educação é algo importante e que nos aproxima disso. Atitudes assim, ainda nos leva a entender que o Brasil precisa refletir sobre si mesmo e estar próximo das artes”, explica Rafael Ciccarini, Vice-Reitor do UniBH. Ciccarini ficou emocionado com o show.  “O cantor é um cara engajado nas questões que estão urgentes no Brasil. Ao convidar Criolo para o evento a gente dá um gesto a cidade e mostra que o UniBH não se esconde nesse momento difícil do Brasil, assim como o cantor, completa o vice-reitor.

 

 

MINEIRAS ABREM SHOW

Antes de Criolo gerar a pororoca geral no palco, outras duas bandas subiram ao palco do Campus Aberto. O Trio Amaranto, composto pelas irmãs Flávia, Lúcia e Marina Ferraz foi quem abriu as atividades do evento. Com voz doce e serena o grupo trouxe para o público um repertório variado, com músicas autorais dos cinco CD’s e de outros artistas. Vinicius de Moraes, Tom Jobim e o mineiro Flávio Henrique foram lembrados.

A segunda atração, que aqueceu o público para o show do Criolo, foi o Grupo Teresa. Formado apenas por mulheres a banda é a representação da diversidade feminina. Bailando por um repertório que mescla músicas autorais, com o som clássico de Adoniran Barbosa e Clara Nunes e samba contemporâneo de Diogo Nogueira, Zeca Pagodinho e Mart’Nalia, o show foi recheado de alegria, sorrisos e sentimentos. Que potência vocal de Natalia pessoa. O show foi tão bom que teve saideira duas vezes.

ENTREVISTA

Em entrevista exclusiva ao Culturadoria, publicada na última quarta-feira, Criolo disse que foi uma foi uma felicidade muito grande relançar o disco “Ainda há tempo” e poder trazer para BH. Também explicou o sentido da música e da arte. “Para mim, a música sempre foi um agente de transformação e de construção. Tenho isso herdado da minha mãe que é uma mulher que luta pela arte e cultura”.

Criolo também aproveitou a oportunidade e disse que se prepara para estrear no cinema. Está confirmado no novo filme do diretor Andrucha Wadington com roteiro assinado por Fernanda Torres. “Já, já vem filme aí, O Juízo. E gente vai devagarzinho tocando as coisas e fazendo a música. Vamo que vamo de arte e cultural em geral que é bom pra todo mundo e luz no caminho”, conta.

Participaram da cobertura Brenda Antunes e Breno Ribeiro

Confira as transmissões ao vivo feitas pelo Culturadoria durante o show

 

 

 

 

 

 

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