Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Documentário reforça a importância de Sérgio Mendes para a música brasileira

Filme recupera trajetória do músico desde os primeiros passos na Bossa Nova, a mudança para os Estados Unidos e o sucesso mundial
Por Carol Braga
O músico Sérgio Mendes é tema de documentário na HBO. Foto: Katsunari Kawai/Divulgação
O músico Sérgio Mendes é tema de documentário na HBO. Foto: Katsunari Kawai/Divulgação

Daquele jeito tradicionalmente expansivo, Carlinhos Brown diz a Sérgio Mendes: “Fiquei feliz que estão te documentando”. Foi essa a sensação que também tive ao terminar de ver o filme Sérgio Mendes – No tom da alegria que acaba de estrear na HBO. Dependendo da geração da qual você faz parte, o nome de Sérgio Mendes pode não te soar familiar. Mas saiba: ele cumpriu – e ainda cumpre – papel importantíssimo na difusão da música brasileira no exterior. 

Experimente dar o play na versão de Mas que Nada gravada em parceria com Will.I Am do Black Eyed Peas. Vai reconhecer na hora. A regravação que faz parte do disco Timeless é apenas um dos sucessos da carreira que começou na década de 1960, junto com a Bossa Nova. Aliás, foi justamente para acompanhar Tom Jobim e companhia no antológico show no Carnegie Hall em 1962 que o compositor começou a flertar com os EUA, para onde se mudou naquela época.

O filme

A ideia do documentário surgiu em 2018, durante a gravação do álbum The Key of Joy. Calhou do filme ficar pronto no ano em que o personagem principal fez 80 anos e aí a festa está completa. Foi o próprio Sérgio Mendes quem escolheu o nome do diretor a partir da sugestão feita pela gravadora. Entre os tantos cineastas apresentados, o match rolou com John Scheinfeld.

“Ele é muito sensível, inteligente e versátil. Me disse que gostaria de ir ao Brasil. Daí dei o sinal verde e iniciamos o processo que demorou dois anos”, conta Sérgio. O documentário segue uma estrutura bastante tradicional e, assim, cumpre sua função. Na primeira parte, apresenta as origens familiares de Sérgio, os primeiros trabalhos profissionais na música no Rio de Janeiro, o encontro com a Bossa Nova, o início da banda Brasil 66 e a mudança para os Estados Unidos. Em seguida, conta como foi a consolidação da carreira internacional até apresentar um pouco da intimidade do músico.

Depoimentos para Sérgio Mendes

É o próprio Sérgio Mendes quem conta a história com a ajuda de amigos ilustres. Na lista de entrevistados estão Quincy Jones, John Legend, Will.i.am, Carlos Saldanha, Harrison Ford e Pelé . Aliás, a amizade com, respectivamente, os astros de Hollywood e do futebol brasileiro são pontos altos do filme.

“Todo trabalho fluiu super bem. Fiz questão de não estar na hora da entrevista para não constranger ninguém”, lembra. Assim, como não sabia o que os outros estavam falando, ao ver o primeiro corte, Sérgio Mendes caiu no choro. 

Aliás, ser emotivo, um homem apaixonado pelo que faz, incansável em busca de novos encontros e com talento nato são algumas das características comentadas pelos amigos e parceiros da vida. Apesar de se emocionar com as falas, as cenas com o retorno à Niterói natal para refazer o percurso de balsa para o Rio de Janeiro, onde tocava na noite, são as partes mais marcantes para Sérgio Mendes. “O John conseguiu muita coisa aí no Brasil, nos Estados Unidos. Coisas que eu não tinha mais”, comenta sobre as imagens inéditas de encontros com grandes nomes como Fred Astaire.

Pandemia

O visual de Sérgio Mendes já é totalmente diferente do que aquele que aparece no longa. O chapéu Panamá que usa em muitas passagens é o mesmo, mas os cabelos já estão assumidamente brancos. Recluso em casa com a família, ele torce para que possa voltar logo a fazer shows.

“Alguma esperança veio depois da primeira vacina. Porque até então foi um ano e meio horrível para a humanidade”, ressalta. Sérgio Mendes diz que não se animou a fazer lives, passou o tempo todo em casa. “E agora vem a vacina. Espero que todo mundo tome”. 

Segundo ele, as turnês para divulgação tanto do filme como também do álbum de mesmo nome lançado no final de 2020 estão previstas para 2022. A ideia é passar pela Ásia e Europa. “Vou festejar meus 80. Assim que puder sair estou pronto para fazer novas gravações, encontrar com pessoas que não conheço e tentar fazer coisas novas, coisas diferentes”.

Sérgio Mendes no Oscar. Foto: Mark Suban
Sérgio Mendes no Oscar. Foto: Mark Suban

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