Foto: Carolina Braga
07 ago 2018

Confira os bastidores de “São Francisco na Arte de Mestres Italianos”

Durante dois anos a produtora executiva de exposições, Cláudia Marques, visitou 15 museus italianos e travou uma conversa intensa com os donos para que eles pudessem liberar obras de seu acervo. Um árduo trabalho que quem visitar a exposição “São Francisco na Arte de Mestres Italianos” verá que valeu a pena. Para que obras tão delicadas cheguem a Belo Horizonte, o trabalho da produção é minucioso, demorado, além de bastante curioso. A viagem das 20 pinturas, que datam dos séculos XV ao XVIII, requer cuidados especiais. A exposição fica em cartaz na Casa Fiat de Cultura até o dia 21 de outubro.

Além de ser um dos santos mais populares e adorados da Igreja Católica, São Francisco de Assis é também um dos religiosos mais presentes na arte mundial. A ideia dos curadores italianos Giovanni Morello e Stefano Papetti era juntar obras sobre o santo em um só lugar. Elas estavam espalhadas pelos 15 museus visitados por Cláudia, de sete cidade italianas. São pinturas de Tiziano, Giotto, Guido Reni, Guercino, Perugino, Carraci, Cigoli e, por fim, Orazio Gentileschi.

“O Brasil foi escolhido para a estreia da exposição por se tratar de um país em que a iconografia do santo é muito sentida. Ainda há questão do barroco. Juntar todas as obras, organizar a logística e convencer os donos dos museus de liberarem as obras para vir até aqui não foi fácil. Dessa forma, foi necessário deixar claro que as pinturas iriam para um lugar seguro e com todos os cuidados. Até as embaixadas brasileira e italiana participaram da negociação”, conta Cláudia Marques.

 

 

Nos bastidores

O transporte das obras é um trabalho árduo e difícil. Vale lembrar que são telas frágeis, grandes e valiosas. Para cada quadro é construída uma caixa especial. Além das medidas serem exatas, são equipadas com sistema de amortecedor e plástico especial. Antes de serem embaladas cada uma passa por uma inspeção rigorosa. Os detalhes são fotografados e documentados.

As viagens só podem ser feitas de avião uma vez que, em navios, o material pode sofrer interferência de maresias. Dessa maneira, todas vieram em voo cargo com a presença de dois representantes dos museus, os famosos couriers. Eles são os guardiões dos acervos. O desembarque foi no Rio de Janeiro. Até Belo Horizontes as obras vieram de caminhão acompanhado por batedores até a Casa Fiat de Cultura.

Estrela

A estrela da coleção ‘San Francesco riceve le stimmate’, Tiziano, por exemplo, foi a que mais deu trabalho para chegar até Belo Horizonte. Foi preciso retirar a obra pela janela da Pinacoteca Civica, de Ascoli Piceno, com ajuda de uma grua estacionada em uma praça. Se não fosse assim, não teria sido possível sair com o material de dentro do museu. A tela, de quase três metros de altura por dois de largura, representa o santo estigmatizado.

O abrir de cada caixa é um ritual tão tenso quanto bonito. Uma equipe de especialistas fica a postos no museu para o recebimento, conferência e instalação. ‘San Francesco riceve le stimmate’ foi aberta na última sexta-feira, dia 03, com a presença de convidados e da imprensa. A caixa azul foi desparafusada e a obra desembalada diante de todos. Assim que foi aberta, as restauradoras avaliaram todos os aspectos da obra. Os detalhes da pintura são observados de perto e fotografados. Assim como há um relatório produzido na saída da Itália, há outro na chegada ao Brasil.

Confira no vídeo abaixo o processo de instalação da obra ‘San Francesco riceve le stimmate’, Tiziano

 

 

Montagem

“Recebemos um caderno com todas as obras e especificações de material que será utilizado na fixação, o peso, iluminação, temperatura e umidade. O curador junto com o arquiteto pensa em toda disposição e nós executamos a montagem. É difícil trabalhar com obras tão preciosas, grandes e frágeis. Na obra de Guido Reni, por exemplo, foi preciso um suporte especial de encaixe, uma vez que ela possui dois lados. O desmontar também é cuidadoso e cheio de laudos”, explica Rafael Soares, coordenador da montagem.

A exposição está organizada em três núcleos. Dessa forma, os curadores pretendem mostrar a evolução da imagem de Francisco. A primeira fase, composta de quatro quadros renascentistas e barrocos, mostram o Santo sozinho e vestido de maneira simples. É a representação mais comum da ordem franciscana. A segunda fase reúne 12 quadros e mostra quando o santo recebeu os estigmas, ou seja, tem as marcas como as chagas de Jesus Cristo na cruz. A terceira fase reúne quatro quadros que São Francisco está representado com outros santos.

 

Foto: Carolina Braga

Múltiplos espaços

Para proporcionar uma experiência imersiva a mostra também inclui uma sala de Realidade Virtual. Ela pretende transportar o visitante para a Basílica Superior de Assis, na Itália, com o uso de óculos de tecnologia 3D. Para quem quiser uma visão menos imersiva, há um vídeo que apresenta a história da basílica. A acessibilidade também faz parte na mostra com mediações em Libras, peças em 3D ​para apreciação tátil, audiodescrição e, por fim, pinturas acessíveis.

Além da exposição, o museu preparou atividades complementares. Até o fim da exposição, no dia 21 de outubro, serão realizados eventos como por exemplo,  ‘Quartas Italianas’, ‘Visitas mediadas’, ‘Percursos Temáticos’, minicurso, formação de professores, encontros e ateliê aberto de pintura. A entrada para a exposição é entrada gratuita. A programação completa você confere clicando aqui.   

 

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