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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Por que você deveria ver o documentário Sandy e Junior – A História?

Documentário e show disponíveis na Globoplay dão a dimensão do sucesso da dupla e do preço que eles pagam por isso

Por Carol Braga

24/07/2020 às 16:39

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Cena do documentário Sandy e Junior A História. Crédito: Globoplay/Reprodução autorizada

A cada novo produto lançado pela dupla Sandy e Junior os parâmetros sobre “fenômeno” são atualizados. Goste ou não da música que os irmãos fazem, não conseguir ver o impacto que geram no mercado do entretenimento é puro negacionismo.

Se a turnê “revival” de 2019 provocou uma corrida sem precedentes pela compra de ingressos, o lançamento do documentário com a história da dupla e os bastidores dos shows – ambos disponíveis na Globo Play – segue o mesmo caminho. Ou seja, números astronômicos.

Mais uma vez, Sandy e Junior mostram como são extremamente profissionais em tudo o que se envolvem. Eles têm mais uma virtude: a generosidade. Assim como o show que marcou o retorno da dupla depois de 12 anos, o produto audiovisual derivado dela entrega – sem economia – para os fãs, além de cenas inéditas, uma convincente justificativa sobre o fim.

Precisava ser uma série? 

Daria para resolver tudo isso em apenas um documentário? Sim, claro. Mas fã de Sandy e Junior sempre quer muito. Talvez por isso são sete episódios com duração variando entre 50 minutos e 1h26. Quem maratona chega ao fim entendendo não só as razões de cada um para a interrupção do projeto, em 2007, como também o valor da família, a importância da disciplina e o impacto que projetos desse porte têm no mercado do entretenimento.

A série de documentários, assim como o show, foram feitos claramente para quem é fã. Mas, e se você não for? Veja de coração aberto pois tem muita informação e exemplos relevantes ali, sobretudo para quem se interessa pelo mercado artístico.

Se ainda assim, não te convenci, fique ligado em alguns pontos que chamaram minha atenção.  

Sem afeto, amor e respeito é difícil chegar a qualquer lugar

Não dá para começar qualquer análise sobre os documentários sem falar de afeto. Foi cercado desse sentimento, e também de muito cuidado, que eles começaram a carreira e seguiram. Repare como nos sete episódios há muito carinho entre todas as pessoas envolvidas. Até nos momentos em que os irmãos comentam sobre fases mais pesadas e polêmicas da trajetória. Outra coisa: Noely e Xororó estão sempre por perto. Sim, é um negócio de família, mas a sensação que dá é que os quatro souberam muito bem separar a parte ‘negócio’ da ‘família’.

Sandy e Junior tinham tudo para serem deslumbrados. Não são. Eles têm chão, base, criação. São pessoas gentis e educadas. Ok, deles devem ter lá seus momentos de mau humor, mas ao acompanhar o recorte feito por esse projeto, saí com a sensação de que o respeito com o outro sempre reina. Assim deveria ser com todos os artistas.

 

Cena do documentário Sandy e Junior A História. Crédito: Globoplay/Reprodução autorizada

Cena do documentário Sandy e Junior A História. Crédito: Globoplay/Reprodução autorizada

 

“A disciplina é a mãe do êxito”

A frase de Ésquilo cai como uma luva para falar dos irmãos. Se contar desde a primeira apresentação no programa de Lima Duarte e as respectivas carreiras solo, são 30 anos de dedicação. É um foco invejável. É possível perceber isso depoimentos dos pais Noely e Xororó, do produtor Carlos Mamoni Jr. e todos os profissionais que prestam serviço a eles.

Sandy Leah e Junior Lima sempre tiveram claro o quanto queriam isso para a vida deles. No momento em que perceberam que estava muito e os objetivos pessoais eram outro, com a mesma clareza do início, decidiram pelo fim.

Nessa retrospectiva, repare a energia que tanto Sandy como Junior dedicam a cada etapa do processo. Não deixe de observar o olhar sempre atento dos dois, principalmente, na fase de planejamento da turnê. Eles escolhem até os detalhes. É uma carreira exitosa porque também é fruto de muita vontade e determinação. Isso não tem como maquiar. Basta mostrar o bastidor que está tudo lá. 

Confira o podcast Pipoca BH-FM com Virgínia Sasdelli do blog BH Dicas

Autoconhecimento é fundamental

Crescer diante não apenas das câmeras, mas do olhar atento do Brasil inteiro não deve ter sido fácil. Ainda assim, eles deram conta. Com suas dificuldades, claro. Elas ficaram bastante claras no quarto episódio da série, quando os irmãos comentam as polêmicas. Especialmente neste episódio, surpreende a narrativa sobre como conseguiram superar com maturidade a adolescência atribulada. Essa etapa da vida já é difícil, imagine com a imprensa inteira querendo detalhes da vida sexual ou acusando um irmão de fazer sombra no outro? Pesado!

Tanto Sandy quanto Junior comentaram o quanto este episódio funcionou também como uma espécie de análise aberta. Claro que eles devem ter outros fantasmas, todo mundo tem, mas há também uma clareza sobre as escolhas que fizeram e fazem. Autoconhecimento vale ouro.

O mercado do entretenimento movimenta a economia

No penúltimo episódio, sobre os bastidores da turnê Nossa História, a equipe inteira do show comparece ao palco. É gigante. O palco montado em Jaguariúna, no interior de São Paulo, as equipes reunidas em reuniões tanto nas casas deles como em outros escritórios, todos os profissionais envolvidos ajudam a dar a dimensão do dinheiro um projeto deste porte movimenta.

O Brasil é pobre em dados sobre a economia criativa. O entretenimento – e portanto Sandy e Junior como fenômeno do pop – faz parte dessa indústria. No caso deles, parece que não houve economia. O que de melhor eles pudessem entregar aos fãs, entregariam. E foi exatamente o que eles fizeram. Quem esteve em um dos shows pôde comprovar.

Nem tudo são flores. Para ninguém.

Sandy e Junior sabem que são privilegiados. O que rolou com eles não aconteceria com crianças de famílias sem relação artística. O investimento do pai fez diferença e sobretudo os contatos. Xororó conduziu a carreira dos filhos com o que há de melhor no mercado, e isso inclui os profissionais. Mas o que chama atenção é que mesmo nesta condição, eles nunca atuaram como se o jogo estivesse ganho. Teve muito trabalho, muita exposição e, claro, as pedras relacionadas a isso.

Mesmo dando sinais de superação, é difícil não perceber que em determinado momento da carreira Sandy e Junior foram alvo de uma sociedade machista e hipersexualizada. Um dos depoimentos mais fortes de Junior é quando ele diz que tocava com raiva para provar para ele mesmo que era possível, que tinha talento. Toda pressão que o músico sofreu é também sinal de uma sociedade que naquele momento recusou a ele o protagonismo que merecia. Como se no palco da música pop, só coubesse estrelas femininas. Mais uma vez, a família parece ter exercido o papel de suporte.

 

Cena do documentário Sandy e Junior A História. Crédito: Globoplay/Reprodução autorizada

Cena do documentário Sandy e Junior A História. Crédito: Globoplay/Reprodução autorizada

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