Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Dia Nacional do Samba será celebrado com roda de sambistas na Lagoinha

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Projeto BH é Bamba – A Cidade na Roda do Samba acontece neste sábado, 2 de dezembro, no Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira, na Lagoinha

Neste sábado, 2 de dezembro, data em que se celebra o Dia Nacional do Samba, Belo Horizonte recebe uma roda que vai reunir 18 sambistas da capital mineira. O projeto BH é Bamba – A Cidade na Roda do Samba vai trazer mestres e mestras do gênero na capital. Um chamamento público selecionou os expoentes. O encontro será das 13h às 20h, no Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira – CRESAN/Mercado da Lagoinha. A entrada é gratuita.

Entre os participantes do evento, estão coletivos icônicos da cidade, como Os Aflitos do Anchieta, Zé Pretinho da Cuíca, Magnatas do Samba, Velha Guarda Unidos dos Guaranys e Velha Guarda do Samba de BH. Também marcam presença, na roda, 13 sambistas com trajetória solo. São eles: Jussara Pretta, Dóris, Dona Eliza, Sô Marcelo, Seu Domingos do Cavaco, Ronaldo Coisa Nossa, Ricardo Barrão, Nonato do Samba, João Batera, Fabinho do Terreiro, Evair Rabelo e Dé Lucas & Cabral.

Dóris do Samba, uma das atrações do projeto BH é Bamba (Ayra Mendes/Divulgação)
Dóris do Samba, uma das atrações do projeto BH é Bamba (Ayra Mendes/Divulgação)

Berço do samba em BH

De acordo com a Secretária Municipal de Cultura, Eliane Parreiras, “o encontro resgata a memória cultural, reverenciando aqueles e aquelas que professam o samba como uma forma de vida”. Ela destaca, ainda, o fato de a celebração acontecer na Lagoinha, território importante no nascimento das manifestações do gênero na cidade. Tal qual, um dos principais pontos de fomento dessa produção artística. “Reconhecemos o papel da região nessa expressão cultural”, afirmou ela, reafirmando o compromisso da PBH de valorizar a cultura do samba em BH.

Para a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Luciana Féres, “além de contribuir para ressaltar a cena do samba na cidade, o BH é BAMBA se tornou fundamental para unir a expressão, a cultura e os saberes desses artistas locais, celebrando a diversidade e fortalecendo o gênero como patrimônio imaterial de Belo Horizonte.

BH é Bamba

O projeto BH é Bamba visa promover uma celebração democrática desse gênero, reverenciando os que professam o samba como uma escola de vida. No entanto, pessoas que nem sempre encontram apoio e reconhecimento de políticas culturais na trajetória.

Artistas participantes

Bloco Caricato Os Aflitos do Anchieta

O Grêmio Recreativo Bloco Caricato Os Aflitos do Anchieta foi fundado em novembro de 1965, na esquina da rua Itapema. Desde o primeiro desfile, mantém a tradição de matrizes africanas. Também promove eventos o ano todo, na capital. Mantém a tradição das cores amarelo, preto e branco, ampliando, às vezes, para o azul, vermelho e branco. 

Cabral

Rômulo Cabral Leopoldo, ou simplesmente Cabral, atua há mais de 20 anos na capital mineira. Canta, toca violão e cavaquinho, e é compositor de sucessos gravados em BH, Rio e São Paulo. Tem três álbuns gravados e é criador do projeto Clube do Samba, com Fabinho do Terreiro.

Dé Lucas 

Figura conhecida nas rodas da capital mineira e parceiro de nomes como Moacyr Luz e Fabiana Cozza. Nascido e criado no bairro Serra, Wanderson Vieira Lucas, o Dé Lucas, começou a tocar violão e cavaquinho aos 12 anos. Aos 18, integrou diversos grupos, entre eles, o Samba da Madrugada. Agora, o compositor comemora o lançamento do primeiro CD da carreira, “Clarear”.

Dona Eliza

Uma das poucas representantes femininas da Velha Guarda de Belo Horizonte, Dona Elisa. Aos 72 anos, natural de Águas Formosas, ela é, além de intérprete, compositora. Assim, tem mais de 700 canções registradas. Em 2017, lançou o primeiro CD, “Diploma da Vida”,. 

Dóris

A belo-horizontina Elzelina Dóris, ou Dóris, começou sua história com a música em 1993. Cantora e Mestre em Educação pela FAE/UFMG, há 23 anos coordena o Cantando e Contando a História do Samba. Trata-se de um programa cultural e educacional que visa divulgar, preservar e valorizar o gênero. O projeto acontece no formato do show “Dóris Canta Samba”.

Evair Rabelo

Mineiro de BH, é músico, intérprete, compositor, produtor musical. Toca cavaco e banjo em rodas de samba de Belo horizonte, Rio e São Paulo. Já teve sambas gravados por grandes nomes da MPB, como Neguinho da Beija-Flor, e acompanha artistas de renome nacional. Pela gravadora paulista Arlequim Discos, lançou o disco “Sou de Samba”. Atualmente, coproduz o CD “Coletânea Coopersamba”, que conta com 12 grupos mineiros e 12 padrinhos convidados, como Lecy Brandão, Reinaldo e Alcione.

Fabinho do Terreiro

Na fila para completar 57 anos, Fábio Lúcio Maciel, ou Fabinho do Terreiro, já teve sambas registrados por Zeca Pagodinho, Neguinho da Beija-Flor. Discípulo e parceiro de Toninho Geraes e Serginho Beagá, é irmão do sambista Ricardo Barrão. Contabiliza mais de 100 sambas gravados e participações em LPs e CDs. Em 2010, teve a música “Desacerto” gravada por Zeca Pagodinhos.

João Batera

João Batera começou no samba com o pai, no grupo de seresta Regional, em 1981. Aprendeu diversos instrumentos como, pandeiro, bateria, percussão e cavaquinho. Desde 2014, passou a investir na carreira solo. Em 2023, grava e lança o EP “Os Bateras”, com quatro faixas.

Jussara Pretta

Cantora compositora e instrumentista, iniciou sua trajetória no Samba em 1980. Autodidata, toca violão cavaco, surdo, tantan, tamborim e percussão em geral. Já cantou com várias bandas de samba. Foi integrante da primeira banda de samba feminina de Minas Gerais. Em 2023, lançou o DVD “Roda de Samba da Jussara Preta”.

Nonato do Samba

Raimundo Nonato da Silva, ou Nonato do Samba, aprendeu música ao ouvir o pai tocar nas rodas de samba do Morro do Papagaio. Em 1978, ingressa na Escola de Samba Monte Castelo, na bateria e na ala de passistas. Fez breve carreira internacional no Japão e na Coreia. Com dois discos solo, foi campeão em 2020, como intérprete de samba-enredo do concurso de escolas de samba do Carnaval de Belo Horizonte. Atualmente, é líder do Baluartes do Samba, que reúne sambistas de raiz da capital. Também é coordenador do Coletivo de Sambistas Mestre Conga. 

Magnatas do Samba

Fundado em Belo Horizonte no ano de 1970. Tem acompanhado nomes nacionais de calibre.

Ricardo Barrão

Ricardo Barrão, sambista, músico e compositor é uma das grandes referências do samba, com destaque no cenário nacional. Tem três álbuns lançados.  

Ronaldo Coisa Nossa

Conhecido como Ronaldo Coisa Nossa ou Ronaldo do Opção, passou a infância e parte da adolescência no Bairro Lagoinha. Participou da fundação de algumas escolas de samba de Belo Horizonte, como a Bem-Te-Vi, Acadêmico das Alterosas e Unidos Guaranis. Hoje, é integrante da Velha Guarda do Samba da capital.

Seu Domingos do Cavaco

Domingos do Cavaco mora no Morro das Pedras. Aprendeu a tocar pandeiro e cavaco ainda criança. O cotidiano e a própria realidade são as fontes de inspiração para músicas como “Grajaú”, que fala sobre a vila e seus personagens. Domingos é serralheiro, mas trabalhou boa parte da vida como metalúrgico. O samba sempre teve espaço garantido no dia a dia do artista, que também foi membro da Escola de Samba Cidade Jardim. Em 2016, fundou o bloco de carnaval Dragão da Vila São Jorge.

Sô Marcelo

Marcelo Nereu Caetano, conhecido como Sô Marcelo, é belo-horizontino, negro, periférico, de 78 anos e um dos nomes da Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte. Nasceu no bairro Aparecida, onde reside atualmente e é uma das referências da cultura musical da região. Sambista, violonista, cantor e compositor, aprendeu violão de forma autodidata quando era adolescente. Nos últimos anos, passou a compor e é um dos nomes da velha guarda de Belo Horizonte. 

Velha Guarda do Samba de BH

Em atividade há mais de 25 anos, a associação proporciona encontros musicais que reverenciam a Velha Guarda do Samba Mineiro. Grandes nomes passaram pela Associação, como Jadir Ambrósio, Ronaldo Brasil, Dona Lucia, Dona Eliza, Clélia dos Santos, Tia Elza, Raquel Seneias, Lagoinha, Mestre Conga, Ed Nunes, Juarez Araújo e Mestre Mandruvá.

Velha Guarda Unidos dos Guaranys Pedreira Prado Lopes

Fundadores e integrantes que se destacaram como ritmistas, mestre-salas e passistas são frequentemente convidados para o desfile em posição de honra, trajando roupas de gala nas cores da escola. A Velha Guarda da unidos dos Guaranys tem 59 anos de existência. Também é um grupo musical, com composições próprias e sambas icônicos.

Zé Pretinho da Cuica

José Geraldo do Santos é conhecido como Mestre Zé Pretinho na capoeira. Já no samba, como Zé Pretinho da Cuíca. Conheceu o gênero em 1983. Nessa época, formou o grupo Tudo Bem. Depois, integrou o Coisa de Pele. Em 1988, começou a compor. Atualmente, integra vários grupos como “freelancer”, como a Velha Guarda Samba de Belo Horizonte. Participou do documentário “Coisas de Minas”. Tem várias músicas gravadas por sambistas mineiros. É integrante da bateria Estrela do Vale.

Serviço

Roda de Samba – BH é Bamba

Quando. Sábado, 2 de dezembro, das 13h às 20h
Local: Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira – CRESAN/Mercado da Lagoinha (rua Formiga, 140, Lagoinha)

Entrada gratuita

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