Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Rosa Antuña estreia espetáculo “Angelina” nesta sexta-feira

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A coreógrafa e bailarina Rosa Antuña se apresenta a partir desta sexta-feira, no Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas

Patrícia Cassese | Editora Assistente

A figura do palhaço, bem como todo o universo que há ao entorno dela, sempre instigou a bailarina e coreógrafa Rosa Antuña. Mas, até chegar ao espetáculo “Angelina”, que ela estreia nesta sexta-feira, no Centro Cultural Unimed-BH Minas, e no qual a personagem central é a palhaça que batiza a montagem, foi um longo processo. “Acho que a inquietação começou há muitos anos atrás, quando assisti ao filme ‘La Strada’, de Federico Fellini, no qual a atriz Giulietta Masina interpreta uma palhaça. A poesia e profundidade daquela personagem (Gelsomina) me tocou muito”, recorda ela, que, em seguida, resolveu assistir ao filme “Palhaços”, também do diretor italiano.

A bailarina e coreógrafa Rosa Antuña, em cena do espetáculo "Angelina" (Makely Ka/Divulgação)
A bailarina e coreógrafa Rosa Antuña, em cena do espetáculo "Angelina" (Makely Ka/Divulgação)

Aliás, anos mais tarde, Rosa Antuña chegou a fazer um espetáculo inspirado neste filme, no caso, para o Grupo Êxtase de Dança, de Viçosa. No caso, a direção coube a Patrícia Lima. Mais recentemente, após um período de pesquisas e testes, que teve início em 2016, veio a ideia de “Angelina”. O espetáculo, na verdade, teria estreado antes não fosse o advento da pandemia. Em cena, o público verá a um amálgama de dança, teatro, música e poesia.

Reflexões e poesia

A personagem central faz, por meio de um viés poético, faz reflexões filosóficas sobre a sociedade em que vivemos, sobre a mulher e sobre a existência. Curiosamente, Rosa Antuña não se lembra como exatamente o nome Angelina despontou. “A princípio, eu falava que um dia ainda faria uma palhaça. E um dia veio esse nome na minha cabeça: Angelina”. O batismo dela aconteceu no final de uma imersão feita com o Grupo Trampulim. “Adriana Morales e Poliana Tucchia, palhaças que eu admiro demais, a batizaram”, revela.

Importante dizer que “Angelina” marca o início da Cia Rosa Antuña. “Estou de volta ao meu processo solitário, agora no meu próprio Núcleo de Criação, que abri durante a pandemia”, diz ela, acrescentando que o aprendizado que adquiriu ao ser dirigida pela atriz Roberta Carreri, levará consigo para sempre. Ela se refere à italiana, com quem trabalhou no espetáculo “A Mulher que Cuspiu a Maçã”.  Rosa fez uma residência artística no Odin Teatret, em Holstebro, na Dinamarca, quando conheceu a também escritora e atriz.

O espetáculo “A Mulher Que Cuspiu a Maçã”, na verdade, integrou a Trilogia do Feminino, também composta por “O Vestido” e “A Mulher Selvagem”. “Mas, bem, após a trilogia, fiquei oito anos sem criar outro trabalho solo para mim”.

Direção e coreografia

Na sequência, Rosa Antuña assinou a direção e coreografia para muitos artistas e grupos. Seu mais recente trabalho de coreografia foi “Rios Voadores”, no caso, para o Corpo de Dança do Amazonas, que, cumpre frisar, estará em Belo Horizonte no segundo semestre deste ano, no CCBB BH.

Ainda sobre a personagem que a traz de volta aos palcos, e sobre todo o processo do qual o espetáculo emergiu, Rosa Antuña diz: “Angelina é solitária. Fiquei imersa neste novo trabalho 24 horas por dia. Mas, na verdade, gosto de trabalhar em imersão”, comenta.

Hora certa

No entanto, se o processo de criação foi solitário, ela ressalva que é impossível produzir um espetáculo sozinha. “Que bom que foi possível dar as mãos para muitas outras pessoas”. Rosa Antuña ressalta que fez este espetáculo sem patrocínio. “Eu e a equipe incrível que aceitou partir comigo nessa empreitada”, enfatiza.

“Agradeço imensamente ao meu produtor, Herivelto Campos, que foi quem empurrou a Angelina para nascer agora. E, ainda, a Julião Villas e Istefani Pontes, na arte e na luz, além de muitas outras pessoas envolvidas direta ou indiretamente”, lista Rosa Antuña.

Sobre o fato de ter tido que aguardar um pouco mais do que pretendia, para a estreia de “Angelina”, Rosa Antuña contemporiza: “Tudo tem a hora certa de acontecer. Precisamos aprender a respeitar o tempo das coisas, não é mesmo?”.

Serviço

Cia Rosa Antuña apresenta “Angelina”

Dia 21 de julho, às 19h30

Centro Cultural Unimed – BH Minas (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes)

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) 

Já à venda no site Eventim 

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