Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

“O teatro é um lugar que desvenda filosoficamente e espiritualmente”, afirma Rita Clemente

Artista participou do Show da Tarde, que vai ao ar todas as quartas feiras no nosso Instagram, e falou sobre os desafios do teatro virtual e as novas possibilidades
Por Jaiane Souza
Rita Clemente

Qual é o papel do ator, do público e do crítico em tempos de teatro online? Resposta certa e concreta ainda não tem, mas o formato estimula cada vez mais a reflexão sobre o mercado, a recepção e a interação.

“No mínimo, a gente pode repensar esse mercado, pseudo mercado, de teatro que temos no Brasil, porque a gente meio que vive de edital, o que é fundamental. No entanto, ainda não conseguimos instaurar um mercado mesmo e, talvez, toda essa mediação virtual ajude nisso”, comenta Rita Clemente.

A atriz, dramaturga e diretora participou do Show da Tarde, que vai ao ar todas as quartas-feiras, às 13h, no Instagram do Culturadoria. Ela se apresenta, na noite de 5 de agosto, no 1º Festival de Teatro Online Feluma com o monólogo Amanda, que faz desde 2015. 

O novo formato

Assim como Debora Lamm, Rita Clemente acredita que o novo formato do teatro em tempos de pandemia ajuda a construir uma outra forma de ver e entender a arte e a potência do teatro, já que a plataforma e o contato com o público é diferente. “Tem um tempo-espaço meu aqui, um tempo-espaço seu aí e uma ferramenta fazendo a mediação entre nós. Precisamos entender isso para tentar fazer coisas que tenham um valor artístico”, explica Clemente.

Ainda segundo a artista, a mediação e a relação com o teatro também precisam ser levados em conta no que diz respeito à construção do repertório e até mesmo à formação profissional e da personalidade de cada um. Além de acreditar que a expressão artística desvenda o ser humano espiritual e filosoficamente, Rita Clemente entende que a noção estética, quando bem trabalhada, faz com que as pessoas comecem a ver a vida de outra maneira.

“Eu acho que é um mergulho e que é super importante que as pessoas compreendam que chave é essa da linguagem teatral. É diferente da mediação pessoalmente, mas o que há de similaridade que nos une? Para que tenhamos a sensação da presença”, questiona a artista. 

Desafio para os artistas

De acordo com Rita clemente, a potencialidade artística e das artes em si podem se expressar de diferentes formas, e o virtual é mais uma das alternativas para que isso ocorra. “A gente não pode ter esse preconceito de pensar que isso não é teatro, que não é a mesma coisa”, destaca.

“Tem o teatro que exige outro tipo de presença, o que a gente sai, se encontra com as pessoas. Ele é poderoso. Mas podemos entender a  diferença e ver o quanto isso aqui (o virtual) também é legal, porque é muito mais democrático”.

Diferenças no processo de criação

Em geral, os artistas precisam adaptar algumas coisas para encenar uma peça virtualmente. Entretanto, no caso de Rita, a mobilidade e a familiaridade que ela tem com Amanda, que vai apresentar no Festival Feluma, facilitou esse processo. Ela trabalha com o texto de Jô Bilac desde 2015.

“Isso é muito legal porque eu vejo que poucas pessoas têm essa oportunidade por causa da falta de marcado, pelo ineditismo também. Eu insisti em manter o que esse espetáculo tem tecnicamente, já que ele é muito simples cenicamente”, explica. 

Amanda, mesmo sendo uma peça que estreou há cinco anos, tem se tornado cada vez mais atual frente à situação social e política. “Parece que a história vai fazendo cada vez mais sentido, principalmente porque o texto não entrega tudo. O expectador é quem revela as questões políticas, sociais existenciais. Faz as próprias interpretações”, completa Clemente.

No bate-papo com Carol Braga, a atriz ainda destacou a importância do papel da crítica diante deste cenário. Para ela, os críticos precisam estar cada vez mais inseridos, com o papel de dialogar e tentar unificar as partes.

 1º Festival de Teatro Online Feluma

Dentro da programação do Festival Feluma, a atriz apresenta o espetáculo Amanda. Uma solo que conta a história da perda gradual dos cinco sentidos de uma mulher. A apresentação é nesta quarta-feira, 5 de agosto, às 20h no Canal do Teatro Feluma no YouTube.  

As apresentações são ao vivo, sempre às quartas-feiras, às 20h. Confira quem mais vem por aí:

12/08 Os homens querem casar e as mulheres querem sexo, com Marcelo Ricco

19/08 Frau Amália Freud, com Beth Grandi

26/08 Fernando Pessoa, com Luciano Luppi

2/09 – Órfãs de dinheiro, com Inês Peixoto

rita clemente

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