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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Por que ‘Baronesa’ mereceu vencer a Mostra Tiradentes?

Por Carol Braga

29/01/2017 às 11:52

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Premiados da 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Local: Cine-Tenda - Foto Leo Lara/Universo Produção
Premiados da 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Local: Cine-Tenda - Foto Leo Lara/Universo Produção

Premiados da 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Local: Cine-Tenda – Foto Leo Lara/Universo Produção

‘Baronesa’ ganhou a Mostra Aurora 2017, a principal seção competitiva da Mostra de Cinema de Tiradentes. Ainda bem. Não escondo a torcida. Desde a projeção, na segunda-feira (22/01), a sensação que me dominava era dificilmente haver outro filme em competição que tivesse a mesma força do longa dirigido pela estreante Juliana Antunes.

A Mostra Aurora é sempre cercada de expectativas. Talvez porque passem por ali as promessas do novo cinema de invenção brasileiro. ‘Baronesa’ foi o primeiro a ser exibido este ano e é natural que surgisse uma desconfiança sobre o que ainda teríamos pela frente.

E por que ele é tão bom? É a pergunta que não sai da minha cabeça desde a sessão. Não tenho opinião fechada. A primeira reflexão que faço é que quando você não para de pensar em um filme significa que ele te atravessou de alguma forma. O que vale mais que isso na arte?

‘Baronesa’ me revela um mundo que eu fazia uma ideia muito remota (muito mesmo) sobre sua existência. E o melhor: não me conta se é verdade ou não. Se é documentário ou ficção. Sua áurea de mistério, seduz. Sua híbrida dualidade, potencializa.

O filme nasceu de uma curiosidade até ingênua de saber para onde levavam os ônibus que circulavam no centro de Belo Horizonte. Juliana Antunes e suas companheiras da Pepeca Pictures chegaram ao bairro Juliana.

Se mudaram para lá e vivenciaram dias de observação intensa de um modo de vida muito distinto do delas. De forma alguma o trataram como estranho.

Baronesa, o filme, traduz isso sem ressaltar a diferença. Longe daquela vibe, “quem são, onde vivem, como dormem”. Bem longe disso.

O filme leva para a tela temas que são urgentes. Fala da força da mulher. Sexualidade, maternidade, abuso, liberdade, identidade, independência são questões que aparecem nos descompromissados bate-papos das amigas Leid e Andreia, quem estava a ponto de se mudar para o bairro vizinho, o Baronesa.

Talvez elas não tenham a dimensão do quanto o que falam é contundente, amplo e necessário.

Juliana Antunes ao receber o prêmio da Mostra Aurora. Crédito: Leo Lara/Universo Produção“Xora Boy”

A diretora de fotografia Fernanda Sena também conquistou em Tiradentes o primeiro prêmio Helena Ignez, dedicado a realizadoras femininas. O trabalho dela especialmente me impressionou. Quem já trabalhou com câmera, de qualquer porte, sabe o quanto é difícil filmar criança sem que ela revele a presença do equipamento ou quem está no comando dele.

Uma das sequencias mais marcantes de Baronesa tem uma criança. A câmera de Fernanda é invisível. E olha que a situação não é nada tranquila.

Em todos os outros momentos o cinema de Baronesa tem intimidade. E olha que a realidade vivida pelos moradores do bairro é muito distante do dia a dia daquelas meninas (sim, tanto Juliana, como Fernanda, Giselle Ferreira e Marcela Santos ainda não devem ter 30 anos de idade) que o realizaram.

Mas, afinal, porque Baronesa é tão bom? Porque cada vez que se começa a pensar sobre ele, a falar sobre ele, as questões em torno de sua realização e seus significados são infindáveis. Salve, Baronesa. Que alcance muito mais telas. Salve, Mostra Tiradentes. Que siga com suas apostas.

Confira os vencedores de todos os prêmios entregues pela 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes

LONGAS

Mostra Aurora Baronesa, de Juliana Antunes

Prêmio Helena Ignez – Fernanda de Sena, pela direção de fotografia de Baronesa.

Melhor longa eleito pelo júri popularPitanga, de Camila Pitanga e Beto Brant.

Prêmio Carlos Reichenbach da Mostra Olhos LivresLamparina da Aurora, de Frederico Machado.

CURTAS

Canal Brasil – Vando Vulgo Vedita, de Andreia Pires e Leonardo Mouramateus.

Mostra FocoVando Vulgo Vedita, de Andreia Pires e Leonardo Mouramateus.

Melhor curta pelo júri popular Procura-se Irenice, de Marco Escrivão e Thiago B. Mendonça.

equipe de baronesa

Equipe do longa ‘Baronesa’ recebe o prêmio da Mostra Aurora. Crédito: Leo Lara/Universo Produção

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