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Festival Sensacional faz jus ao nome e alegra BH

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Resenha do Festival Sensacional, realizado no Parque Ecológico da Pampulha no dia 02 de julho de 2022

Por Letícia Finamore | Culturadora

Festivais de música não faltam em Belo Horizonte: são diversas festas que abrangem gêneros musicais plurais e que atendem vários públicos. Muitos deles já foram realizados neste ano, após um grande tempo de espera imposto pelas restrições da pandemia do coronavírus. No entanto, mesmo em meio a tantas opções de eventos para curtir na capital mineira, o Festival Sensacional, realizado no último sábado (02), mostrou que está em outro patamar. Ou seja, não se tratava de um festival, e sim de uma experiência completa.

Fugindo do famigerado cenário da Esplanada do Mineirão, o evento foi sediado no Parque Ecológico da Pampulha. Esse foi um excelente acerto da organização do Sensacional. Além de viver momentos além do concreto do estádio, o respiro veio com os verdes do parque, o espaço aberto e abundante e a forma com que os palcos foram posicionados.

Os palcos Coreto e Masterplano, os menores dentre os quatro, ficaram dentre as árvores do parque. A sensação era de vivenciar uma festa na floresta. Assim, luzes iluminavam o caminho daqueles que queriam ver todas as atrações. Alguns dos pontos principais de fotografias do público foram, inclusive, cenários expostos na Festa da Luz, evento realizado no final do ano passado no centro de BH. 

Festa da Luz no Festival Sensacional. Foto: Henrique Marques
Festa da Luz no Festival Sensacional. Foto: Henrique Marques

Palcos

Os palcos principais, Itaipava e Smirnoff, ficavam lado a lado e revezavam as apresentações entre si. Por causa disso, não era preciso andar longas distâncias para conseguir curtir o maior número de atrações possíveis. Na verdade, não era nem mesmo necessário andar. Algumas elevações do próprio parque ecológico permitiam que os presentes sentassem em cangas e curtissem os shows de lá mesmo. Como os dois maiores palcos foram posicionados um ao lado do outro, os fãs de sossego puderam curtir todo o festival dali mesmo. 

Além disso, todo o verde da localização escolhida casava com as cores do festival, colorido do início ao fim. Logo na entrada, o público recebeu copos e tirantes nas cores do arco-íris que celebravam a liberdade. Quem os perdesse poderia adquirir novos nos bares, já que a distribuição de copos descartáveis não passou pela mente dos organizadores do festival. Juntamente a lixeiras bem distribuídas, o resultado foi um festival limpo, em que lixo não era encontrado pelo chão. Até este ponto contribuiu para que tudo do Sensacional fosse agradável.

Organização

Mesmo com tantas atrações para compor um evento de dez horas de música, a organização do evento, produzido pela Híbrido, foi o que roubou a cena. Tudo foi pensado para entregar praticidade para o público. O guia de bolso continha informações úteis a respeito da chegada, curtição e saída do evento.

Ademais, visando possíveis problemas para voltar do Parque (que não fica em uma região central da cidade), a organização do evento ainda fez uma parceria com a empresa de transportes TransGodoi. Ou seja, disponibilizou (com um preço justo) um ônibus-transfer para um retorno otimizado, seguro e confortável para quem optasse por adquirir o serviço. Quem não quisesse retornar com a TransGodoi também poderia seguir as dicas de linhas de ônibus para tomar. Poderia, ainda seguir os endereços para solicitar carros de carona e táxis.

Diversidade

O respeito à diversidade e a inclusão eram base do festival. Sendo assim, ficaram comprovadas desde o line-up – que contou com artistas como Liniker, Letrux, Tulipa Ruiz, Baco Exu do Blues, Francisco, El Hombre, Olodum -, até a equipe, público e pautas políticas levantadas no palco. Uma presença forte foi a de Célia Xakriabá. A ativista indígena e dos direitos humanos que foi responsável por introduzir os artistas prestes a performar. Ela levantou pautas importantes e atuais do cenário nacional.

Line-up

Quanto às atrações, nomes belo-horizontinos marcaram presença no line up do Sensacional. O grupo Lamparina causou frisson e alegria às centenas de fãs que gritavam e dançavam as músicas da banda. O grupo mineiro, que conta com a canção “Pochete” como integrante da trilha sonora da novela global “Cara e Coragem”, mostrou que está pronta para ultrapassar as barreiras do estado para conquistar o Brasil. A performance da banda foi uma bomba de dança, cantos e alegria. Em resumo: não era possível ficar parado. O show terminou com um pôr-do-sol colorido, para combinar com a aura da Lamparina. Parecia até mesmo que esse fato havia sido combinado.

Outro belo-horizontino que roubou a cena foi FBC, dono do hit “Se Tá Solteira”, entoado por toda a capital mineira e até mesmo em challenges do TikTok. O palco Coreto, um dos menores do festival, ficou pequeno para o rapper. A plateia chegava a disputar espaço com quem curtia música eletrônica no palco Masterplano. O artista, que se mune de energia para performar, não decepcionou e contou com diversas canções aclamadas em sua setlist. O último disco de FBC, “Baile”, estava na ponta da língua (e dos pés) de quem optou por assistir o show do artista em ascensão.

Slam

Laura Sette e Iza Sabino, também da capital mineira, fizeram um dueto que, assim como FBC, reforçou o peso da cena do rap em Belo Horizonte. As duas mulheres, cheias de personalidade, também colocaram moral ao mostrar que a cena feminina dessa vertente também é poderosa e está para jogo. Laura e Iza são integrantes do grupo Fenda, e contaram com uma participação especial da colega de equipe Paige para fazer uma aparição rápida e surpresa.

Para fechar um dia tão lindo e cheio de vida, nada foi melhor do que conferir o show do Olodum. A banda dividiu o palco com Russo Passapusso, conterrâneo do grupo e integrante do aclamado BaianaSystem. Até quem já estava cansado das quase dez horas de festival descobriu alguma reserva de energia para pular, cantar e dançar com os baianos. A energia era carnavalesca, festiva, celebrante: uma aura perfeita para encerrar um festival tão lindo, limpo, alegre e Sensacional.

A sensação que o evento deixa é a vontade de viver tudo novamente: rever os mesmos shows, experienciar tudo exatamente da forma que foi. Ao mesmo tempo, esse mesmo desejo de repetir a dose de Sensacional vem carregada de ansiedade para o que ainda virá, aquilo que ainda não foi vivido. 

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