Crédito: Carolina Braga/Culturadoria
10 jul 2018

A hora e a vez de Renato Morcatti: três exposições simultâneas

Quando os cariocas ou os turistas do Rio de Janeiro entram no ‘Oi Futuro do Flamengo’, a primeira imagem que aparece nada tem a ver com a paisagem da cidade maravilhosa. Tentáculos de minério saem da vitrine que fica na entrada do centro cultural no bairro do Flamengo. “Fico torcendo para chover e formar um lamaçal aqui”, diz Renato Morcatti sobre a instalação Passadiço.

Já os visitantes do Paço Imperial vão se encontrar com uma outra vertente de Morcatti. Ele escolheu Pirajá, o bairro onde fica o ateliê em Belo Horizonte, para nomear a exposição montada até o dia 26 de agosto no importante museu carioca. Ele reúne desenhos a carvão, cerâmica, modelagem e fundição em um conjunto instigante.

Por fim, para os conterrâneos que estão em Minas, também tem Renato Morcatti na Galeria de Arte da Cemig. Nela, o artista embaralha a noção de casta em um trabalho a partir de autorretratos.

Em síntese: é ou não é a hora e a vez de Renato Morcatti?

 

Perfil

Passadiço, de Renato Morcatti, ocupa o Oi Futuro até agosto. O artista de Belo Horizonte formou-se em Comunicação Social em 2004 mas depois enveredou-se pelo caminho das artes plásticas, com graduação em Desenho pela Escola de Artes Plásticas Guignard da UEMG em 2017.

Muito antes disso já atuava na área. Foi assistente do desenhista e pintor Marco Tulio Resende e também da gravadora Thaïs Helt.

Pirajá, em cartaz no Paço Imperial foi a primeira exposição individual realizada por ele. Esteve em cartaz no Museu Nacional da República de 09 março a 28 maio e no Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte de 24 de junho a 14 de agosto de 2017.

O trabalho de Morcatti mistura técnicas e sempre apresenta uma reflexão – certamente abstrata – sobre o mundo em que vivemos.

Passadiço, por exemplo, tem forte ligação com o acidente ambiental de Mariana. “Sou um artista que gosta de trabalhar com matéria, com o barro, com essa textura”, explica. Utilizando materiais naturais, como o barro, o carvão, Morcatti criou um grande diorama. Ou seja, são peças tridimensionais, realistas que tem o objetivo de chamar a atenção do público para alguma reflexão.

Segundo Renato, a obra em cartaz no Oi Futuro surgiu de algumas caminhadas por serras mineiras e cariocas. O barro utilizado para fazer os tentáculos – que também podem ser galhos, vai da interpretação de cada um – foi retirado da Serra do Curral, de Belo Horizonte.

Casta, em cartaz na Cemig. Crédito: Vicente de Mello

Em Minas

Casta, em cartaz na Galeria de Arte da Cemig, em Belo Horizonte, é composta por duas séries de desenhos e um conjunto de esculturas. A primeira série, batizada de Escala Madre tem oito desenhos feitos com grafite e carvão em grande dimensão: 200 x110.

Os visitantes podem manipular as obras da série Escala 3×4. Ela é composta por 43 desenhos presos a chapas de aço. Já a série Guardiões tem seis esculturas em cerâmica.

Ou seja, a produção de Renato Morcatti é, não apenas, instigante, como diversificada e volumosa.

 

 

 

 

 

*Culturadoria viajou ao Rio de Janeiro a convite do Oi Futuro

 

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