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Razões para não perder o documentário “Banquete Coutinho” na 15ª CineOP

Produção de Josafá Veloso integra programação da mostra e pode ser assistido até o dia 7 de setembro

Por Jaiane Souza *

06/09/2020 às 08:00 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Banquete Coutinho integra a Mostra Contemporânea da 15ª CineOP - Foto: Heco Produções / Divulgação

Banquete Coutinho é um dos longas exibidos na Mostra Contemporânea da 15ª CineOP. O filme de Josafá Veloso tem a proposta de olhar para a obra de Eduardo Coutinho como um todo. A principal discussão é se o cineasta brasileiro fez sempre o mesmo filme durante a sua trajetória. O longa foi produzido a partir de um encontro filmado com Coutinho em 2012, dois anos antes da sua morte, e composto com materiais de arquivo do próprio cineasta. Inclusive, Josafá recuperou o curta O telefone, que Eduardo Coutinho fez quando estudou cinema na França.

Em resumo, é um filme necessário para entender como pensava um dos principais nomes do cinema nacional, bem como as suas inquietações. Ainda precisa de mais motivos para conferir o filme na programação da 15ª CineOP? Aqui vão algumas razões. 

Trajetória do cineasta e produção

Tido como um dos maiores documentaristas do Brasil, Coutinho teve o primeiro contato com o cinema em 1954 em um seminário do Museu de Artes de São Paulo. Contudo, só três anos depois foi estudar para valer a sétima arte, tendo cursado direção e montagem em Paris. De volta ao Brasil, em 1960, entrou em contato com o Cinema Novo. Assim, participou da equipe de produção de Cinco Vezes Favela (1962), de Marcos Farias, Miguel Borges, Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade e Leon Hirszman, uma das obras fundamentais do movimento cinematográfico da época. 

Depois disso, começou o projeto de Cabra marcado para morrer, mas foi interrompido pela ditadura militar brasileira, que acusou parte de equipe de comunismo. Em seguida, trabalhou em outras produções para televisão e lançou três filmes de ficção: O pacto, de 1966, O homem que comprou o mundo, 1968, e Faustão, 1971.

Em 1981, Coutinho reencontrou os negativos de Cabra marcado para morrer, que um membro da equipe tinha escondido da polícia. Dessa maneira, retomou o projeto, mudando de ficção para um documentário sobre a paralisação das filmagens e sobre a vida das pessoas que atuariam no filme inicialmente. A produção consagrou-se como um dos maiores sucessos da carreira do diretor. Além disso, ajudou a definir o que seria a marca registrada dele: o registro e a reflexão do que é comum. 

Os personagens

Josafá Veloso participou do debate “Diferentes perspectivas da criação de personagens no documentário”. “É uma espécie de paradoxo que o nosso maior documentarista faça o filme com o outro, porque quanto mais impessoal o filme era, mais pessoal ficava, porque ninguém faz filmes como ele”, detalhou. Ao seu lado estiveram Suzana Macedo, diretora de Seres, coisas, lugares, e Gregory Balts, diretor de As constituites de 88.

Essa construção dos personagens de Coutinho que levaram à discussão de que ele construiu o mesmo filme ao longo da carreira. Mesmo no formato documental, o diretor tinha algumas estratégias para a representação dos entrevistados. A relação do Coutinho com os personagens eu destaco em dois momentos. O do encontro, do carisma, no qual ele esses personagens, e o da criação. Ele faz o inverso da TV. A televisão tipifica o outro, reduz o depoente (principalmente os populares) e estereótipos. Por outro lado, Coutinho constrói um ser único, particular”, destaca Josafá.

Documentários que fizeram história e refletem o cotidiano

Além de Cabra marcado para morrer, que ganhou prêmios no Festival de Berlim, Festival de Gramado, FestRio e Festival do Novo Cinema Latino-americano, por exemplo, outros documentários de Coutinho fizeram história. Exemplo disso é Edifício Master (2002), que mostra a vida de pessoas em um tradicional prédio de Copacabana, e Jogo de Cena (2007), que faz um jogo entre histórias reais e interpretações de atrizes.

A caminhada pela ficção também ficou marcada. Além dos trabalhos que dirigiu, ele escreveu o roteiro de Dona Flor e seus dois maridos (1976), de Bruno Barreto, Os Condenados de Zelito Viana (1973), Lição de Amor de Eduardo Escorel (1975). Além de ter atuado na produção do Globo Repórter também.

Legado

Em resumo, uma trajetória plural, cheia de nuances importantes para o entendimento do cinema e da sociedade brasileira. Desse modo, Banquete Coutinho é uma oportunidade para entender os diálogos que o cineasta estabeleceu entre os próprios filmes a partir de diferentes perspectivas. 

O longa vai estar disponível de 3 a 7 de setembro e você pode agendar para ver quando achar melhor. Acesse aqui.

baquete coutinho

Banquete Coutinho integra a Mostra Contemporânea da 15ª CineOP – Foto: Heco Produções / Divulgação

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