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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Primeiras impressões sobre OVO, show do Cirque du Soleil

Embora bastante colorido, OVO tem ritmo mais lento e os pontos altos estão em números aéreos

Por Carol Braga

08/03/2019 às 10:03

Publicidade - Portal UAI
Foto: Cirque du Soleil/Divulgação

A primeira dica para quem planeja ver OVO, show do Cirque du Soleil em cartaz em BH até o dia 17 de março é chegar bem cedo ao Mineirinho. A trupe fica no Brasil até 15 de maio. No caso da capital mineira, são cinco mil lugares e todas as pessoas passarão por detectores de metais, encontrarão muitas distrações (bem legais!) na recepção e ainda terão que andar um bocado até chegar ao lugar marcado. Eu, por exemplo, demorei uma hora.

Vale registrar que não foi por falta de sinalização. Aliás, nesse quesito o Cirque e sua produção são impecáveis, como sempre. Além de placas para todos os lados, encontramos solícitos recepcionistas em toda parte.

A segunda dica, é reduzir a dose de expectativa em relação ao espetáculo em si. É a terceira vez que a companhia canadense vem ao Brasil e digamos que as outras experiências, com Quidam (que veio em 2009) e Varekai (em cartaz por aqui em 2011), por exemplo, foram bem mais marcantes. Em todos os quesitos: técnico, estético e dramatúrgico.

Não atoa a companhia apresenta OVO, criação da brasileira Deborah Colker como o espetáculo mais “família” do repertório. Esse rótulo acaba suavizando as coisas. É uma história sobre diversidade no reino dos insetos principalmente apoiada em números de palhaços. Para mim, aí esteve o problema.

As gags não me pegaram. As cenas quebraram o ritmo do espetáculo e acabaram esfriando o clima geral. Inclusive, se o cenário de Gringo Cardia tem boa parte da força nas cores, na projeção e surpreende com as entradas secretas do solo, a música de Berna Ceppas aposta em uma sutileza que se diluí em um espaço tão grande como o Mineirinho. Fica linear demais, sabe?

 

Foto: Cirque du Soleil/Divulgação

 

Atos

OVO divide onze números em dois atos, com duração total de duas horas e 20 minutos de intervalo. A primeira parte valoriza mais criações com o DNA circense. Entre os destaques, por exemplo, o malabarismo de precisão da cena de abertura. Seis artistas, ou melhor, formigas vermelhas brilhantes, equilibram kiwis e milhos com os pés. É empolgante!

Outro que chamou atenção no primeiro ato foi o casal de borboletas. Nas alturas eles apresentaram um pas-de-deux em tiras aéreas com momentos de frio na barriga. Aliás, isso é o que nunca falta nos momentos de trapézio. Agora, curiosa mesmo eu fiquei com uma criatura esquisita, divertida, que habita uns tubos. Até agora não entendi o que é aquilo.

O segundo ato foi marcado por números com características mais atléticas. Dois se sobressaíram, no meu ponto de vista. Em Slackwire o artista não apenas se equilibra em uma linha fina, mas desafia o próprio corpo e a física unindo elementos presentes na história do circo, como o monociclo. Ou seja, de cair o queixo.

Agora, o ponto alto de OVO, é o muro de escalada. Surpreende não apenas pela força, mas também pelo ritmo. Aliás, um dos raros momentos em que o espetáculo é mais acelerado. São doze acrobatas correndo, pulando, se misturando. Se em outros momentos do show, o Cirque du Soleil em OVO não parece tão inovador, o muro chega para coroar toda a excelência técnica da companhia. E mais: Deborah Colker, criadora do show, deixa suas marcas.

Deborah Colker

A parede de escalada, por exemplo, é uma referência clara a Velox. A coreografia é uma das mais famosas da companhia da diretora brasileira. Foi criada em 1995 com o objetivo de, justamente, aproximar a dança do esporte. O Cirque du Soleil já nasceu misturando esporte, no caso ginastas, e o circo. Em resumo: é ao mesmo tempo uma reverência que Deborah faz à própria carreira e também à característica que garante a excelência do Cirque.

Curiosamente aquele enorme painel que marca o cenário de OVO também parece ter influência no presente da diretora. Cão sem plumas (2017), o trabalho mais recente da Cia Deborah Colker mistura dança e cinema. Ou seja, pode não parecer, mas ali existe sim uma pesquisa de linguagem cênica e isso sempre vale a pena.

 

Confira o vídeo sobre a nossa visita aos bastidores de OVO

 

Vendas

O preço dos ingressos varia de R$ 130 (meia no setor Azul) e R$ 550 (inteira no setor Premium). A temporada em Belo Horizonte vai até o dia 17 de março; no Rio de Janeiro, entre os dias 07 e 28 de novembro; Brasília, entre os dias 08 e 29 de novembro e São Paulo, entre os dias 09 e 30 de novembro.

[O QUE] Espetáculo ‘Ovo’ do Cirque du Soleil [QUANDO] De 07 a 17 de março [ONDE] Ginásio Mineirinho – Avenida Antônio Abrahão Caram, São Luiz – BH [QUANTO] De R$ 260 a R$ 550

[COMPRE AQUI] 

 

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