Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Por que O Poderoso Chefão é uma trilogia tão aclamada?

A saga teve o terceiro filme restaurado e reeditado, estreia em 3 de dezembro nos cinemas e chega no dia 8 às plataformas de streaming

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Existe uma fórmula mágica para um filme se tornar aclamado? Quais elementos são necessários para isso? Depende de uma série de fatores, mas no caso da trilogia O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, os longas cumprem os requisitos. Tanto é que, somando, as três partes foram indicadas 28 vezes ao Oscar em diferentes categorias. De Melhor Filme a Melhor Figurino. Além disso, ainda apareceu em outras premiações como no Globo de Ouro, BAFTA, Grammy e New York Film Critics Circle Awards. 

Agora, vem aí uma nova versão da parte três, uma esperada versão do diretor. O Poderoso Chefão – Desfecho: a morte de Michael Corleone está de acordo com as ideias originais de Coppola e de Mario Puzo, autor do livro base para o filme e roteirista. Dessa forma, o diretor reorganizou algumas cenas e as combinações musicais. Em resumo: deu “uma conclusão mais apropriada”, de acordo com ele. Outro barato dessa história é que o filme foi restaurado. Durante mais de seis meses a equipe se debruçou sobre os negativos originais e fizeram, quadro a quadro, uma varredura de 4K. Ou seja, o longa chega às telonas e ao streaming em altíssima qualidade. 

 

Expectativas

Inicialmente, a notícia desagradou os fãs, já que, segundo muitos deles, não vale a pena mexer em um dos maiores filmes da história do cinema. Entretanto, as expectativas estão altas. “É legal porque vai trazer mais olhos sobre esse filme que eu acho que, muitas vezes, é injustiçado como pior e eu não acho que faz sentido isso. Além da possibilidade de ver algo novo relacionado ao Poderoso Chefão, mas mantendo a visão de quem fez”, destaca Henrique “Madeixa” Persequini. Ele é âncora do podcast Falecast e atua como produtor de conteúdo no portal Fale de Cinema

Assim como os outros filmes, a terceira parte é inspirada no livro de Mario Puzo. A nova versão celebra os 30 anos do lançamento do último título da série. 

O segredo do sucesso

“Eu gosto muito da trilogia pelo enredo. Fizeram uma adaptação incrível para o cinema. O elenco é de atores consagrados, cada um com uma entrega absurda no personagem. É bacana vê-los atuando mais jovens”, relata Gabriela Albano, admiradora da saga. O filme revelou grandes nomes do cinema, como Al Pacino, que interpreta Michael Corleone, personagem que assume a liderança da família ainda no primeiro filme, e Robert De Niro, presente no segundo longa. 

“Pela fotografia, trilha, montagem. Enfim, toda a cinematografia é fantástica. Mas aquilo que faz de O Poderoso Chefão o melhor filme já feito na história, penso eu ser a sua narrativa, ou seja, o modo como a história é contada”, destaca Thiago Rosado, ator e também fã da trilogia.

Ele salienta também outros temas complexos presentes nos filmes, como masculinidade, poder, imigração, o sonho americano e a solidão, bem como os detalhes. Inclusive, uma curiosidade: sempre que aparecem laranjas em alguma cena, quer dizer que uma tragédia acontece ou alguém morre no filme. Só na Parte I há três exemplos: a morte do cavalo do produtor de cinema que não quer dar o papel para o sobrinho de Don Corleone, quando Vito Corleone é baleado e quando ele tem um infarto no fim do longa. 

Referência pop e cultural

O Poderoso Chefão é um dos filmes da vida de Madeixa Persequini. Ainda menino, nos tempos do VHS e no início da cinefilia ele descobriu que o longa estava no imaginário de pessoas menos prováveis. “Eu ia conversar com o meu pai ou com os meus tios e todo mundo tinha essa referência. Meu pai é do interior de Minas, veio trabalhar com 15 anos em BH e pegava a sessão de cinema na madrugada. Ele sabia o que era o filme, quem era Don Corleone, quem eram as cinco famílias”, relembra. Por isso, relata a importância de entender o filme para além da referência cinematográfica, mas também cultural e pop.

Em resumo, é um filme que reverbera para além da telonas. “Eu acho que é isso que me encanta em cinema. Aquele que sai da sala e não fica somente a duração da exibição. Além da identificação, O Poderoso Chefão faz a gente pensar no arco do ser humano, nas inerências, dificuldades e falhas”, conclui Persequini.

As três primeiras partes do filme lançadas em 1972, 1974 e 1990, respectivamente, estão disponíveis na Netflix.

 

o poderoso chefão
Cena de “O Poderoso Chefão: Parte I”. Foto: Paramount Pictures

 

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