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Por que La Traviata é uma das óperas mais famosas de Verdi?

La Traviata estreou em 1853, na Itália, e é uma das mais adaptadas e montadas até hoje

Por Jaiane Souza *

10/10/2019 às 17:55 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Foto: Paulo Lacerda / Divulgação

A próxima semana é de ópera em Belo Horizonte. Mais especificamente no Palácio das Artes. La Traviata, de Giuseppe Verdi, é uma superprodução da Fundação Clóvis Salgado (FCS) com a presença dos solistas Jaquelina Livieri e Fernando Portari. A regência e direção musical ficam por conta de Silvio Viegas. A montagem foi sucesso de público e crítica em 2018. Retorna ao palco prometendo sucesso mais uma vez. A proposta da FCS é resgatar a contemporaneidade do período em que a ópera foi concebida. Para isso, conta com libreto de Francesco Maria Piave e se baseia no romance A dama das camélias (1848), de Alexandre Dumas Filho. 

La Traviata é considerada uma das maiores óperas de todos os tempos. Mas qual o motivo de tanto sucesso? Só para exemplificar, a ópera já foi encenada diversas vezes ao redor do mundo desde que estreou na Itália, em 1853. Esta a é sexta vez que a Fundação Clóvis Salgado realiza a montagem. De acordo com Silvio Viegas, diretor musical e regente da montagem da fundação, o primeiro destaque para tanto sucesso é a música. “A beleza da música toca o público de uma forma muito especial, porque é dramática, de qualidade e combina muito bem com a narrativa”, conta. 

Vamos ver, então, por que mais esta é uma das obras mais famosas?

História

Em português, o nome significa “A mulher caída” e se trata de uma ópera dividida em quatro atos. Em síntese, é uma história de amor e tragédia. Sendo assim, no primeiro conta história de uma noite de festa na casa da cortesã Violeta Valéry, que, até então, é prometida ao Barão Douphol. Na ocasião, ela é apresentada a Alfredo Germont, ele se declara, mas Violeta não corresponde. Entretanto, diz ao homem que volte no dia seguinte. Após a festa, se apaixona pelas palavras de Alfredo. 

Do segundo ato em diante, são apresentados os altos e baixos do relacionamento amoroso iniciado pelos dois. Isso inclui visita dos pais, pedidos de separação, os dois vivendo sob o mesmo teto e resulta em Violeta doente e pobre. O desfecho não vamos contar, mesmo sendo uma ópera de séculos. 

Se fosse para enumerar, a construção dos personagens seria o segundo ponto de destaque do regente Silvio Viegas. Isso, claro, depois da qualidade musical. Segundo ele, “as relações humanas, os personagens que estão no palco fazem com que o público se identifique com a situação”. De acordo como maestro, situações em que amor supera limites, muda as pessoas e quebra barreiras fazem parte do nosso dia a dia.

 

Foto: Paulo Lacerda / Divulgação

O autor

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi foi um compositor de óperas e atuava no período romântico italiano. Foi contemporâneo a Richard Wagner, compositor, maestro e diretor de teatro alemão. Mais um motivo para La Traviata ser considerada uma das óperas mais importantes é o fato de Verdi ser um dos compositores mais influentes do século XIX. Outras composições fundamentais do autor são Rigoletto, de 1851, Aida, de 1870, e Il trovatore, de 1853. 

Antes do reconhecimento pelo seu trabalho, Giuseppe Verdi quase desistiu de começar. Durante o período que trabalhava na segunda ópera, Un Giorno di Regno, a esposa faleceu. Abalado pela morte e pelo fracasso da estreia, o autor prometeu que jamais voltaria a compor. Ainda bem que não cumpriu a promessa, não é? Em seguida, escreveu Nabuco. A ópera foi apresentada em 1842 e fez Verdi famoso em Milão. A partir daí, não parou mais. Escreveu mais 14 óperas e ganhou projeção internacional. Exemplo disso, como dissemos, foi La Traviatta, que é, até hoje, uma das óperas mais interpretadas ao redor do mundo. 

Dessa forma, de acordo com o maestro Silvio Viegas, A ópera continua atemporal e sendo uma das mais interpretadas e montadas em todo o mundo justamente por causa da história. “La traviata é uma ópera muito pessoal de Verdi, pois ele viveu isso na pele. A esposa dele era uma mãe solteira”, explica. “Se hoje existe repressão à mulher, imagina na época de Verdi”.

 

Foto: Paulo Lacerda / Divulgação

Inspiração da ópera

La Traviata foi composta baseada no romance A dama das camélias. A obra foi escrita em 1848 por Alexandre Dumas Filho a partir de uma experiência autobiográfica do autor. Em determinado período, Dumas Filho se envolveu com a cortesã Marie Duplessis. Dessa forma, a narrativa do livro conta a história de Armand Duval, um jovem estudante de direito de Paris na metade do século XIX. Recatado e originário de uma família burguesa interiorana, o jovem se apaixona por Marguerite Gautier. A mulher é a mais cobiçada cortesã dos salões e teatros da capital francesa. Assim, os dois se apaixonam e a vida da prostituta é virada do avesso. 

O sucesso de A dama das camélias rendeu diversas adaptações. O próprio autor cuidou da adaptação para o teatro. O Théâtre de Vaudeville recebeu a encenação que teve sucesso imediato. Foi aí que entrou Giuseppe Verdi. Ele compôs, então, a música para a peça, que estreou no ano seguinte e recebeu o nome de ópera La Traviata. 

Montagem da Fundação Clóvis Salgado

A apresentação da La Traviata no Palácio das Artes conta com a participação de todos os corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado: Companhia de Dança Palácio das Artes, Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral Lírico de Minas Gerais. O maestro Silvio Viegas falou sobre a importância de revisitar a montagem da ópera para o Instagram da fundação. 

 

 

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A encenação é uma reposição cênica de Ronaldo Zero a partir da concepção e direção de Jorge Takla para a FSC em 2018. Quem comparecer, pode apreciar o charme de Paris e também refletir sobre o contraste entre a alta sociedade, os valores burgueses e religiosos bem como a realidade das cortesãs. Essa realidade servia como pano de fundo para o romance entre Violeta e Alfredo. 

 

[O QUE] La Traviata [QUANDO] 18 a 24 de outubro [ONDE] Palácio das Artes – Av. Afonso Pena, 1537 – BH – (31) 3236-7400 [QUANTO] R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)

Dias 18, 20 e 24 [COMPRE AQUI]

Dia 22: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) [COMPRE AQUI]

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