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“Poema do desaparecimento”: A finitude é tema de novo livro da poeta Laura Liuzzi

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“Poema do desaparecimento” é publicado pelo Circulo de Poemas, clube de livros de poesia da Editora Fósforo

Por Gabriel Pinheiro | Colunista de Literatura

“Uma maçã é uma maçã é uma maçã é uma maçã” cantou Francis Hime. O que mais pode ser uma maçã? Entre muitas coisas, um poema. “se percebo uma maçã/ esta maçã me constitui/ o cabo levemente envergado/ a pele vermelha cheia de sardas/ (…) na língua sua carne/ seu suco o som/ de seu desaparecimento/ a nossa frágil eternidade”, escreve Laura Liuzzi  nos versos iniciais de “Poema do desaparecimento”, um conjunto reflexivo de poesias que pensam a possibilidade do desaparecimento. Ou, melhor, a inevitabilidade de seu acontecimento, “— lembrar que o propósito de existir/ é desaparecer”. O livro é um lançamento do Círculo de Poemas.

Laura Liuzzi (Felipe Lima)
Laura Liuzzi (Felipe Lima)

A impermanência

Um livro sobre a impermanência. Laura povoa o volume com imagens de objetos, seres, coisas prestes a desaparecer. Uma maçã devorada, um livro que se fecha, um poema que não é lido: “agora mesmo ao ler/ estas linhas/ você participa do poema/ sem você/ o poema desaparece”. Existem desaparecimentos aqui que são inevitáveis. O nosso é um deles: “um indivíduo se divide/ continua nos outros, mas/ só é certo isto:/ desapareceremos”. Enquanto outros, provocados por nós, só expõem o horror: “fizemos espécies desaparecerem/ fizemos pessoas desaparecerem/ fizemos coisas desaparecerem/ provocar o desaparecimento/ tocando terror e fogo/ enterrando vivos/ é fazer aparecer o horror”.

Em diferentes momentos, Laura olha para o próprio gesto poético – tanto na sua escrita quanto na sua leitura – mediado por essa incerteza, pela finitude que se espreita, mais cedo ou mais tarde. “a palavra é tão/ coletiva quanto particular./ este poema não é mais meu/ do que seu. este poema vai/ desaparecer”. Seria a leitura de um poema uma reescrita? O poema que se reescreve a cada (re)leitura. Um poema que desaparece finda a leitura, para ressurgir – sempre diferente – num novo encontro com as suas páginas.

Poema-ensaio

Laura Liuzzi constrói aqui um poema-ensaio, refletindo sobre a finitude e a maneira como nos relacionamos com ela. Entre a escolha e a inevitabilidade de um acontecimento, seguimos nessa espécie de corda bamba, entre o ser e o não ser, entre o estar e o não estar, entre o desaparecer e o aparecer para, quem sabe, se reinventar. 

Poema do desaparecimento
Poema do desaparecimento

Encontre “Poema do desaparecimento” aqui

Gabriel Pinheiro é jornalista e produtor cultural. Escreve sobre literatura aqui no Culturadoria e também em seu Instagram: @tgpgabriel (https://www.instagram.com/tgpgabriel)

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