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Discurso político e experiência marcam Planeta Brasil 2019

Artistas repercutiram no palco o crime ambiental ocorrido em Brumadinho. Além de mais reflexivo, evento proporcionou ao público experiências únicas

Por Thiago Fonseca *

27/01/2019 às 10:47 | *Colaborador

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Foto: Frank Bittencourt/Divulgacao

No dia que o mundo, novamente, virou os olhos para Minas, por conta do crime ambiental em Brumadinho, os artistas que se apresentaram na edição de dez anos do Planeta Brasil, neste sábado, dia 26, não deixaram de fazer o mesmo. Jão foi o primeiro, seguido de Melim, Djamila Ribeiro, banda Lagum, Mariana Ferrão e outros. O evento ainda foi marcado por protestos políticos. Trinta e sete mil pessoas estiveram presentes.

Brumadinho: presente!

“Queremos conscientizar as pessoas. Não é a primeira vez que isso acontece por conta de descaso. A gente como porta-voz sente no direito de influenciar as pessoas a voltarem os olhos para isso e mandar energia positiva”, disse Rodrigo, integrante da banda Melim.

Os integrantes da banda Lagum, Pedro Calais e Jorge, sentiram quase na pele a tragédia. É que eles possuem casa na cidade de Brumadinho. “Ficou um clima meio ruim. E a gente sabe que a ganância de poucas pessoas que estraga a vida de muitas outras”. Durante a apresentação, o grupo lembrou do ocorrido e pediu mas consciência. Natiruts pediu para as pessoas pensarem no Meio Ambiente e aproveitou para relembrar também o caso de Jean Willys ocorrido nesta semana no Rio de Janeiro, quando o deputado desistiu do mandado e afirmou que vai deixar o país.

Entre uma apresentação musical e outra, dez personalidades de diversas áreas invadiram o palco para trazer reflexões e conhecimentos sobre temas atuais que envolvem a nossa sociedade.  No meio do show do Criolo e Milton Nascimento, por exemplo, Djamila Ribeiro subiu ao palco e disse que o que aconteceu na cidade foi crime. “A empresa precisa se responsabilizar. Temos que cobrar justiça tanto para Brumadinho, quanto para Mariana”, disparou. Em um dos últimos shows, o público vaiou e gritou palavras de baixo calão contra a Vale.

 

Djamila Ribeiro entre Milton Nascimento e Criolo no Planeta Brasil. Foto: Ale Torres/Divulgação

 

Discurso Político

Já Dudu Obregon surgiu em um dos palcos com uma camisa branca escrito ‘Não foi acidente’. A apresentadora do programa ‘Bem Estar’, da Rede Globo, Mariana Ferrão, disse que foi na cidade e viu o caso de perto. Conversou com moradores e ficou triste. Dessa forma, pediu os presentes para se abraçarem e mandar energia positiva.

O tom político no evento também passou por outros assuntos. Dessa forma, em homenagem a Marielle Franco e Anderson, Criolo e Milton Nascimento cantaram a canção ‘Coração de Estudante’. Gritos de ‘Ele Não’ também ecoaram em boa parte dos shows. A culinarista e apresentadora de TV, Bela Gil, e Seu Jorge discursaram a favor da causa indígena.

Além da música

O que que ainda chamou atenção do público foi a experiência que o evento proporciona. Dessa maneira, foram mais de 30 atrações divididas em quatro palcos em doze horas. Uma área de 40 mil m². Em síntese, para não perder nenhum show, era preciso uma maratona entre um palco de outro. Mas nada de sacrifício, a organização foi ótima e possibilitou aos presentes experiências únicas.

Foto: Frank Bittencourt/Divulgação

A 99, parceiro do evento, preparou uma série de atrações para deixar a festa ainda melhor. Além de dar descontos para as pessoas irem e virem, distribuiu brindes como por exemplo, welcome drink, guarda-celular, chapéus, pochetes e outros. Além disso, montou um espaço para descanso e reposição de bateria de celular. Para os presentes voltarem para casa com segurança, a 99 deixou a disposição dez ônibus rotativos com destino à Savassi.

Uma tirolesa de 140 metros ainda foi montada em cima de uma das pistas para o público se divertir e ter uma visão diferente do evento. Também teve Flash Tattoo, Mini Ramp de Skate e outros jogos radicais para promover experiências. Em mundo cada vez mais conectado, elas contam e muito. E o público aprovou, um mar de gente. Em resumo, na sua edição de dez anos o evento provou que não quer apenas oferecer música, e sim, pensamento crítico e experiência.

 

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