Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Troca de Cartas: John Pizzarelli escreve para o público de BH

Por Carol Braga

09/03/2018 às 16:23

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Inauguramos hoje um novo quadro no Culturadoria com o músico John Pizzarelli. Como muitos artistas não tem disponibilidade para as entrevistas, é muito comum o envio de apenas perguntas. Embora corriqueira, essa prática faz com que percamos a essência da entrevista: a conversa.

Com show marcado para Belo Horizonte no dia 9 de março, John Pizzarelli poderia dar entrevista por e-mail. Pensando em procurar novos caminhos, resolvi escrever uma carta para ele. Quem sabe transformar as entrevistas por e-mail em trocas de correspondências, mais pessoais, mais verdadeiras, mais leves. Assim fizemos!

Foto: divulgação / Press Comunicação

CARTA DE CULTURADORIA PARA JOHN PIZZARELLI

Caro Pizzarelli,

 

Ninguém escreve mais cartas. Gostaria de escrever uma para você e convidá-lo a fazer o mesmo. Você poderia escrever uma carta a Belo Horizonte?

 

É uma grande honra para nós receber novamente um artista que tanto ama a música brasileira. Você esteve aqui, em Belo Horizonte, Minas Gerais antes. Quais foram suas impressões sobre nós? Gostaria de saber sobre as melhores memórias que você tem de nós.

 

A primeira vez que te vi deve ter sido há cerca de 13 anos. Foi em Ouro Preto, quando você se apresentou no I Love Jazz Festival. Você se lembra? Naquela época, sua elegância musical dominou o ambiente e me marcou para sempre.

 

Eu acompanhei sua carreira à distância. Sempre gosto da maneira como você se entrega aos projetos. Claro que para nós, brasileiros, a admiração que você tem pela Bossa Nova é especial. Mas o mundo está mudando. A música está mudando. Você pensa sobre como você apresenta a Bossa Nova para quem não é familiarizado com o estilo?

 

É triste dizer, mas a Bossa Nova não é um estilo consumido pela maior parte dos Brasileiros. O que você pode nos contar sobre outras partes do mundo? Você acha que a maneira como as pessoas consumem música está mudando e, por isso, a maneira como você produz e cria música também tem sido diferente?

 

Como você vê os novos estilos como o hip hop, o funk?

 

O que você sempre faz é um tipo de resgate da história da música. Você faz isso no show? Você acha que depois de 20 anos teremos algo para resgatar na música que está sendo produzida no mundo hoje em dia?

 

Gostaria de agradecer pelo seu trabalho especial que você faz por nossa música.

 

Um abraço,

 

Carol

 

Foto Crédito Jacob Blickenstaff.

RESPOSTA DE JOHN PIZZARELLI PARA CULTURADORIA

 

Dear Carol,

 

Tenho maravilhosas lembranças de Belo Horizonte. Especialmente, a última vez que eu estive aí. Toninho Horta me apresentou um grupo que ele dirigiu. Reúne músicos mais velhos com os mais jovens de Belo Horizonte. Toquei com Toninho e depois fui almoçar com ele. Foi uma honra tremenda.

Os músicos de Minas são alguns dos mais respeitados do mundo, não apenas no Brasil. Eles causaram um impacto e a prova disso é o tempo. Pense em pessoas como Milton, Toninho e João Bosco que estiveram ao redor do mundo! É maravilhoso.

Fiquei tão feliz em ver João em NYC no ano passado e tão impressionado com a grande multidão no Birdland Jazz Club. Foi emocionante.

A música brasileira e a bossa nova causaram um impacto em todo o mundo e isso nunca desaparecerá. Foi redescoberta exatamente como acontece com Gershwin e Richard Rodgers nos EUA. Os jovens descobriram isso.

Acontece da mesma maneira com Nat Cole nos EUA. Eu vou fazer um show em algum lugar e um aluno virá até mim e dizer: “Eu escuto Nat Cole por sua causa”. Não é o mesmo que há anos atrás, em termos de números, mas não é nada. É uma pequena aceitação que precisamos reconhecer. Mas toda vez que toco Garota de Ipanema e todos cantam juntos, sei que tudo está certo com o mundo.

Eu também vou lhe dizer isso, sim, haverá marcas de história em 20 anos que lembramos. Carly Simon disse o melhor quando escreveu: “estes são bons velhos tempos”.

São mais de 20 anos que venho ao Brasil. Já faz 20 anos que Diana Krall tem feito grandes discos. Tony Bennett continua a surpreender o público (o que o coloca mais de 65 anos de entretenimento!)

Mais uma coisa, sobre Ouro Preto. Eu comi uma feijoada tão maravilhosa lá, com uma caipirinha tão maravilhosa! Essa memória não me deixou!

Então, vou tocar  para meus amigos em Belo Horizonte. Nós vamos cantar e nos divertir. É tudo o que podemos fazer. Estou ansioso para a chance de me apresentar lá novamente.

Beijo!

John Pizzarelli

 

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