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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Encontro de Paulinho da Viola e Marisa Monte celebra a nobreza do samba

Por Carol Braga

21/05/2017 às 11:12

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Marisa Monte e Paulinho da Viola celebram o samba. Crédito: Carolina Braga

Quem não saiu do  KM de Vantagens Hall (Ex-BH Hall) cantarolando um samba na noite de sábado (20/05)? Os mais discretos, talvez. O encontro entre Paulinho da Viola e Marisa Monte celebrou a elegância do samba carioca, com licença para baladas e até uma canção em tom mais roqueiro. Estas, claro, foram minoria.

Marisa Monte só chegou ao palco para a oitava música. Escolheu uma canção do amigo, óbvio, para começar. Para ver as meninas, composta por ele em 1971 e gravada por ela no álbum Memórias, crônicas e declarações de amor (2000). Antes disso, sozinho e com a elegância que lhe é peculiar, o cantor e compositor ofereceu à plateia uma sequência de abertura que misturou sucessos a canções menos populares do repertório dele.

Sinal do repertório bem pensado é o show ter começado com a frase ‘‘Ah, meu samba, tudo se transformou” de Tudo se transformou (1970) e terminado como bis de Comida, rock dos Titãs, gravado por Marisa e que no encontro ganhou o toque do cavaquinho de Paulinho da Viola. É, tudo se transformou, mas nem tanto!

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O encontro de Paulinho da Viola e Marisa Monte em cinco tópicos

POUCA FALA, MUITA MÚSICA

Se discrição é uma marca de Paulinho da Viola, Marisa Monte não faz diferente. É a se mostrou mais falante que ele, mesmo assim nem tanto. Contaram alguns poucos casos sobre os bastidores das canções. Pareceu que ele gosta mais de falar sobre a Velha Guarda da Portela. Ela ouve com atenção histórias que deve estar cansada de saber. E ainda diz: “Vocês não tem noção do privilégio que eu tenho de ver o show do lugar que eu estou”.

O REPERTÓRIO

Foram 30 canções, a maioria criada na década de 1970: 17 músicas são dessa época. De todo o repertório, 16 músicas foram compostas por ele, cinco por Marisa e parceiros e as outras homenagens à velha guarda do samba. Sentimentos (Mijinha, 1973), Quantas lágrimas (Manacéa, 1970), Preciso me encontrar (Candeia, 1976), Passado de glória (Monarco, 1970).  Canções que fizeram história na Portela foram a maioria. Entre os clássicos de Paulinho, destaque para Pecado capital (1975), Foi um rio que passou em minha vida (1979) e Coração leviano (1977).

RESPEITO DELA POR ELE

Paulinho da Viola sempre foi presença constante no repertório de Marisa Monte. Dança da solidão (1972) e Para ver as meninas (1971) são algumas que ela gravou, respectivamente em Barulhinho bom (1996) e Memórias, crônicas e declarações de amor (2000). Dizem que o amor (2002), de Argemiro Patrocínio e Francisco Santana, gravada por Marisa em 2002 é um exemplo de canção de que e

RESPEITO DELE POR ELA

Claro que Marisa Monte fica mais à vontade para cantar as músicas de Paulinho da Viola do que o contrário. Mas não é muito mais não. O sambista se deu muito bem na parte “dela” do set. Em especial nas versões de Universo ao meu redor (Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, 2006), De mais ninguém (Marisa Monte e Arnaldo Antunes, 1994) e Carnavália (Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, 2002).

FOI BOM, MAS PODE MELHORAR!

O cenário e a iluminação do show respeitaram a discrição dos artistas. O único porém é que a luz branca em Paulinho estava estourada. Olhando de longe, dependendo da composição da iluminação, não dava para ver direito … era tudo branco.

Além disso, o Km de vantagens Hall (nem Paulinho da Viola se lembrou desse nome na hora de agradecer ehehehe) não é adequado para o tipo de experiência que o encontro musical oferecia. A ideia de servir comidas e bebidas para quem está na pista poderia até ser legal, mas com regras. Elas parecem não existir. Durante a apresentação tinha gente que ligava a luz do celular para ler cardápio, garçons transitavam para lá e para cá com bandejas e as maquininhas de cartão (hello… a luz delas é igual de celular). Vamos repensar isso, gente?

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