Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Paula Santoro mostra repertório do novo disco em BH

Gostou? Compartilhe!

A cantora belo-horizontina (radicada no Rio) Paula Santoro mostra o show “Sumaúma” neste sábado, na capital mineira

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Neste sábado, quando adentrar o palco do Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas, Paula Santoro dará início ao primeiro show de seu novo álbum, “Sumaúma”, que corresponde ao sétimo de sua bem sucedida carreira.

Paula Santoro, que lança o disco "Sumaúma", em foto de Marcia Paula
Paula Santoro, que lança o disco "Sumaúma", em foto de Marcia Paula

Na verdade, o disco ainda não está totalmente disponível nas plataformas de streaming. Contudo, alguns singles, sim.

Recentemente, Paula Santoro lançou o quarto – e último – single do petardo: “Ê Lala Lay Ê”. Uma curiosidade: a música foi composta pelos irmãos João Donato e Lysias Ênio, para homenagear a mãe deles. Por meio dela, Paula rende um tributo emocionado à própria mãe, falecida em 2020.

No geral, show e disco discorrem sobre o feminino, a maternidade, raízes (ancestralidade), a natureza e a distopia dos tempos atuais. A inspiração maior, conta Paula, foram os saberes do pensador e escritor Ailton Krenak, alguns dos quais foram registrados por ele em livros como “Ideias para Adiar o Fim do Mundo”, ao qual ela tem recorrido com frequência. E se maravilhado!

“Mãe da Floresta”

O título do novo disco de Paula Santoro, por sua vez, foi inspirado na árvore que é considerada a “mãe da floresta”. O motivo? Na temporada de chuvas, a sumaúma acumula água em suas raízes tabulares (sapopemas). Consequentemente, na seca, extravasa a água no solo seco. E, assim, as plantas ao redor não morrem.

Na entrevista ao Culturadoria, o tom de voz de Paula não deixa dúvidas: ela está mais do que feliz com o novo trabalho. E, consequentemente, cheia de expectativas.

“Este projeto, na verdade, começou já há alguns anos. Talvez cinco. Lá, no início, eu ainda nem sabia direito o que ia ser o disco. Na verdade, geralmente, o álbum vai se mostrando para mim”, comenta ela.

Paula Santoro confessa que, em geral, o início desse tipo de processo se dá com a seleção prévio que ela faz de alguns compositores por meio dos quais pensa em soltar a voz. Logo, passa a ouvir a obra deles, seja inteira ou por um recorte por período. “Neste caso, eu queria muito obter uma sonoridade dos anos 1970 no disco”.

Em meio ao processo, porém, veio a pandemia – prudente, Paula Santoro resolveu esperar. Ao menos que o período mais difícil passasse.

Temática

Paula conta que, em certo momento, ao observar com acuidade o feixe de músicas que havia selecionado, foi percebendo que ali, havia, alguns denominadores comuns, como os temas natureza e feminino (maternidade inclusa). Pontos como a necessidade urgente de cuidar do planeta também se faziam notar.

“Por outro lado, também a distopia que o nosso planeta vive atualmente. Não só no Brasil, como em outros países. Estamos vendo, por exemplo, uma volta do fascismo. Eu acho que os conceitos estão muito invertidos assim. Enfim, a sociedade está muito doente”, avalia.

Um exemplo que ela cita é a composição “E Daí? (A Queda)”, de Milton Nascimento e Ruy Guerra. “É uma música que versa sobre essa distopia social, né? Na própria (faixa) ‘Sumaúma’, também. Ela fala, de uma forma mais metafórica, dos índios”, localiza.

Groove

Em termos de sonoridade, Paula Santoro sempre pensou em fazer um disco mais voltado para a percussão, para o ritmo. “Até brifei para o meu produtor musical, o diretor musical do disco, e arranjador da maioria das canções, que é o pianista Rafael Vernet. Em resumo, queria fazer um disco por meio do qual as pessoas pudessem ‘mover a cabeça'”, brinca.

Trocando em miúdos, como se o ouvinte estivesse acompanhando um ritmo e, contagiado, “dançasse” movimentando a cabeça. “Que tivesse um groove, em suma”, diz Paula.

Mas, claro, sem abrir mão de ter baladas. “Por que, ora, eu também sou ‘baladeira’ (risos). Aliás, que mineiro não é? Ouvi tanto Milton, logo, gosto muito de cantar balada. Modéstia à parte, sou boa nisso”, sustenta a bela.

Em função da escolha dos anos 1970 como espinha central, os compositores que Paula Santoro passou a ouvir (ainda mais) no processo de seleção de repertório foram aqueles expoentes que explodiram justamente naquela década, ou mesmo os que surgiram por ali. Gente do naipe de João Bosco, Gonzaguinha. “Os caras que estão no disco, enfim”.

Convidados

Para obter um som também que remetesse à época, Paula convidou vários músicos que atuam desde aquele período. Caso de Ivan Miguel Conti Maranhão, o Mamão, que integrou o icônico grupo Azimuth. Mamão, como se sabe, faleceu no último dia 17 de abril, aos 76 anos. “Que bom que tive o privilégio de ele ter gravado em três faixas do disco”, conta Paula, sem esconder seu pesar.

Outro expoente que participou do álbum e que também nos deixou (em 2021) foi o trombonista Raul de Souza. “Ao contrário do Mamão, ele já estava doente. No disco, gravou uma música minha, parceria com (Arthur) Verocai, que se chama ‘Esquindô’. É instrumental”.

Logo, outros convidados passaram a dar o ar da graça no estúdio: João Donato, João Bosco, o próprio Verocai, Toninho Horta, o baixista Luiz Alves, Armando Marçal… “Pessoas pelas quais tenho muita, muita admiração, Como se fosse um disco de comemoração (dos meus 35 anos de carreira)”.

Minha terra

Paula Santoro nem titubeia quando desafiada a falar o motivo de ter escolhido BH para lançar o show. “Primeiramente, porque é a minha terra, onde eu nasci. E se eu estou falando de uma árvore que tem raízes profundas… Achei que seria auspicioso, começar pela cidade que nasci. Ademais, também pintou essa data, que achei legal, no sábado. E num teatro lindo, né?”.

O espetáculo, adianta ela, vai ter projeções, vídeos, com trabalhos de nomes como Menote Cordeiro (que fez a capa do disco e dos singles) e Márcia Charnizon, fotógrafa. “O Menote é um artista plástico maravilhoso, que eu amo, e que é mineiro. E a Márcia é a fotógrafa do disco, também amo. Nesse disco, eu caprichei também na parte visual”.

“Modéstia à parte, estou muito feliz com resultado geral”, diz, franca. “E, assim, acho importante fazer (o show) na minha terra. Ainda mais tendo essas meninas comigo, no palco, por exemplo. Elas são da nova geração, achei muito interessante (essa troca). Queria ter mulheres ao meu lado. Na verdade, pensei e executei todos os detalhes na minha cabeça, da melhor forma possível, no tempo que tinha”.

Evidentemente, Paula incluiu, no repertório do show, músicas de sua carreira, que vieram de outros discos. “É meio uma retrospectiva. Afinal, entendo que já tenho uma obra. Contando com este, já são sete discos. Há pessoas que gostam tanto de algumas faixas (dos discos anteriores) que sempre pedem uma ou outra. Ou cobram quando não as coloco nos shows. Mesmo eu não sendo a compositora delas. Aliás, até hoje, nos discos, só coloquei duas músicas minhas, uma vinheta que fiz, de voz e pandeiro, e Esquindô. Mas confesso que estou querendo voltar compor”.

No palco, além de contar com o já citado Rafael Vernet (arranjador, pianista, produtor musical do álbum e diretor musical do show), Paula estará acompanhada por Léo Pires (baterista) e por duas mulheres instrumentistas da nova geração: a baixista Camila Rocha e a percussionista Débora Costa.

Serviço

Sumaúma, Paula Santoro

Data: 6 de maio de 2023, sábado
Horário: 21h
Classificação: livre
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia). 

Gostou? Compartilhe!

[ COMENTÁRIOS ]

[ NEWSLETTER ]

Fique por dentro de tudo que acontece no cinema, teatro, tv, música e streaming!

[ RECOMENDADOS ]