Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Patrícia Ahmaral canta em BH e fala do legado de Torquato Neto

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A cantora Patrícia Ahmaral, que lançou disco duplo dedicado a Torquato Neto, aponta cinco músicas do poeta que todos deveriam conhecer

A cantora Patrícia Ahmaral e o multiinstrumentista Rogério Delayon são os novos convidados do projeto Jardim Musical, da charmosa Casa Belloni. A apresentação acontece nesta quinta-feira, dia 13 de junho, a partir das 20h. No repertório, os dois irão apresentar um roteiro inédito, passeando por obras gravadas por Patrícia no curso da carreira, como “Eu Quero é Botar meu Bloco na Rua”, do saudoso Sergio Sampaio, “A Volta do Boêmio”, de Adelino Moreira (que ficou famosa na voz de Nelson Gonçalves) e “Mixturação”, de Walter Franco. Também músicas da própria lavra, como “A Outra Beleza” (parceria com Renato Villaça) e “Uma Mulher”.

O roteiro também abarca canções do mais recente álbum da mineira, “Patrícia Ahmaral Canta Torquato Neto” (2023), álbum vencedor do Prêmio Flávio Henrique – 2024, do BDMG Cultural. Aliás, Delayon é um dos co-produtores musicais do projeto. Tributo ao poeta, letrista e multiartista piauiense, o projeto idealizado por Patrícia Ahmaral foi lançado no streaming pela cantora por etapas, entre outubro de 2022 e agosto de 2023. No caso, através de singles e de dois volumes divulgados separadamente.

A cantora e compositora mineira Patrícia Ahmaral, que se apresenta no projeto Jardim Musical (Kika Antunes/Divulgação)
A cantora e compositora mineira Patrícia Ahmaral, que se apresenta no projeto Jardim Musical (Kika Antunes/Divulgação)

Projeto

Primeiramente, “Um Poeta Desfolha A Bandeira – vol.1”, com  nove faixas, e, na sequência, “A Coisa Mais Linda Que Existe – vol.2”, com dez faixas. Depois, a intérprete lançou a versão completa e unificada, com as 19 faixas perfiladas, sob o título “Patrícia Ahmaral Canta Torquato Neto – Um Poeta Desfolha a Bandeira (1) & A Coisa Mais Linda Que Existe (2)”. O compositor e cantor Zeca Baleiro assina a direção artística, enquanto a produção musical ficou por conta de Rogério Delayon, Marion Lemonnier e Walter Costa.

Poética insurgente

Embora o projeto não seja o foco do show do projeto Jardim Musical, aproveitamos a passagem de Patrícia Ahmaral pela cidade para perguntar, a ela, quais seriam as cinco parcerias de Torquato Neto que todo mundo deveria conhecer. De pronto, a cantora pontuou. “A força artística de Torquato Neto não caberia em cinco canções, mas estas que arrisco escolher, especialmente marcantes, revelam um pouco da poética insurgente dele, mesmo quando lírica. Assim, dando pistas do artista disruptivo que foi”. Abaixo, Patrícia Ahmaral em foto de Kika Antunes/Divulgação.

Patrícia prossegue: “Torquato é considerado um letrista revolucionário na canção brasileira moderna. De ‘Geleia Geral’, canção manifesto da Tropicália, a ‘Cogito’, parceria póstuma sobre o mais
emblemático poeta dele, um artista múltiplo, libertário, atento, intenso. Um expoente no centro daquela geração revolucionária dos anos 1960 e início dos 70, a nos inquietar e inspirar ainda hoje”. Ao fim, ela diz: “Vale muito o mergulho em sua obra como letrista e em todo o seu legado!”.

Ah, sim. Patrícia Ahmaral lembra que “Go back”, “Cogito” e “Lets play that” estão no roteiro do show desta quinta-feira, 13 de junho.

Confira, a seguir, a lista de Patrícia

“Pra Dizer Adeus” (Torquato Neto e Edu Lobo)

Gravação original: 1966. A letra de Torquato Neto se inicia com os seguintes versos: “Adeus/Vou pra não voltar/E onde quer que eu vá/Sei que vou sozinho”. A letra ganhou melodia de Edu Lobo, com quem ele também dividiu os créditos de “Lua Nova”. “Pra Dizer Adeus” foi uma das faixas do álbum “Edu e Bethânia”, no qual a cantora baiana interpretava o cancioneiro de Lobo.

“Geleia Geral” (Torquato Neto e Gilberto Gil)

Patrícia Ahmaral gravou a faixa com os músicos Celso Penni, Luis Patrício, Rogério Delayon e Thiago Corrêa, que, contou, apresentaram com ela, em 1998, o show “TorquaTotal”. A iniciativa foi idealizada pelos poetas Ricardo Aleixo e Marcelo Dolabella (1957-2020) para a 1ª Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte. “São os mesmos arranjos, nascidos na espontaneidade das nossas cabeças muito jovens e sem medo da época!”, disse ela, na divulgação do trabalho dedicado a Torquato.

“Let´s play that” (Torquato Neto e Jards Macalé)

Os versos são paródia de um trecho do “Poema de Sete Faces”, de Carlos Drummond de Andrade, autor que Torquato admirava. “Não poderia deixar de incluí-la no repertório”. Foi o percussionista Naná Vasconcelos quem mostrou a letra de Torquato a Macalé, que a musicou e gravou em seu LP “Jards Macalé” (1972). Jards levou para a gravação com Patrícia o mesmo violão com o qual fez o registro da música no início dos anos 1970. “E criou novo arranjo para adequar ao tom de minha voz. Ao final, brincamos que ele fez uma leitura ´original´ de sua original! E a participação dele, enquanto amigo e parceiro de Torquato, e por tudo o que Macalé representa na música brasileira teve, pra mim, uma dimensão e simbologia especiais dentro do projeto.

Confira, abaixo, o clipe

“Go back” (Sérgio Britto e Torquato Neto)

Lançada originalmente pelos Titãs, no primeiro álbum do grupo, “Titãs” (1984), a canção, que se tornou um hit, foi composta sobre dois poemas: “Go back” e “Andar, Andei”, unidos e musicados por Britto. Bastante executada nas rádios até hoje, acabou por tornar-se o maior sucesso popular da produção artística de Torquato Neto.

“Cogito” (Rogério Skylab e Torquato Neto)

Canção com um dos poemas mais emblemáticos de Torquato e dos mais conhecidos. “Regravei a bela versão de Rogério Skylab, que a registrou em seu álbum ‘Melancolia e Carnaval’ (2014), com participação de Jards Macalé na faixa. George Mendes, curador do acervo de Torquato, conta que a decisão de liberar versões musicais do poema só ocorreu a partir da gravação de Macalé na música de Skylab”.

Serviço

Projeto Jardim Musical – com Patrícia Ahmaral + Rogério Delayon.

Onde. Casa Belloni (Av. João Pinheiro, 287, Funcionários)

Quando. Quinta-feira, 13 de junho, às 20h. 

Quanto. R$ 60, no Sympla

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