fbpx
Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Tradicional e adocicado Passageiros não empolga como ficção científica

Por Carol Braga

05/01/2017 às 11:10

Publicidade - Portal UAI

E aí, Passageiros é bom?

Como tudo na vida, depende do seu ponto de vista. O longa protagonizado por Jennifer Lawrence e Chris Pratt é diferente de todos esses projetos recentes envolvendo o espaço, tipo Interestelar, Gravidade, Perdido em marte. É muito tradicional dentro dos padrões dos gêneros de fantasia e romance por isso é bom reduzir as expectativas.

Claro que como todo filme de ficção, tem lá sua ostentação técnica. Mas neste caso ela acaba ficando em segundo plano já que o roteiro é bem despretensioso: o negócio é um romance água com açúcar que carrega embutida algumas questões relacionadas a ética e, principalmente, uma reflexão sobre nossa finitude o tempo. Ah, o tempo sim é um protagonista disfarçado.

Em linhas gerais o longa dirigido por Morten Tyldum (O jogo da imitação) nos leva para dentro de uma nave espacial, a Avalon. Lá estão mais de cinco mil pessoas hibernadas. Estão sendo transportadas de um planeta para o outro e a relação de tempo e espaço muda totalmente. Sabe quanto anos vão demorar pra chegar? 120 anos.

No meio do caminho a nave sofre um acidente e o mecânico Jim Preston, papel do Chris Pratt, acorda antes da hora. O que fazer?

Jennifer Lawrence e Chris Patt ficam perdidos no espaço em Passageiros. Crédito: Sony Pictures/Divulgação

Jennifer Lawrence e Chris Patt ficam perdidos no espaço em Passageiros. Crédito: Sony Pictures/Divulgação

A primeira parte do longa é a mais interessante já que aborda questões existenciais. Aquela coisa da filosofia embutida nas produções de ficção científica. Sozinho na imensidão, o personagem acaba trazendo à tona reflexões sobre solidão, sobre moral, sobre ética, sobre os limites do certo e errado. O único interlocutor dessas inconstâncias é o robô Arthur, feito pelo Michael Sheen.

Aí chega Aurora, personagem de Jennifer Lawrence.

Melhor não detalhar de que forma que ela aparece na trama para não estragar a surpresa de quem ainda não viu o filme. É inegável a química de JLaw e Pratt. Que casal bonito! E isso não deixa de ser o problema do filme. Passageiros vira um romance bem corriqueiro. Bonitinho, que distrai, mas não oferece nada a mais.

A crítica do New York Times disse que Passageiros sucumbe à timidez. Concordo. Aquele mix de questões existenciais, misturadas com os avanços e as possibilidades que a tecnologia ainda podem oferecer praticamente desaparece. A aposta é no clichê do gênero, ou seja, tem superação de limites, herói redimido, o domínio da inteligência artificial, o uso até imoral da tecnologia. Enfim, manual básico do gênero fantasia.

Nos quesitos técnicos, tudo é muito bem realizado. Há coerência na construção daquele mundo que gera um certo desconforto nos humanos. O contraste entre o real e o virtual está na tela.  A fotografia ajuda nisso… a paleta de cores de Passageiros puxa pro cinza… tudo é de inox por lá, um significado também de um mundo asséptico.

Entre os efeitos especiais, não tem grandes inovações. Uma cena é especialmente muito bonita e bem realizada. Também não vou falar para não estragar a surpresa.

Como o filme é bem tradicional, não é caso de comentar alguma particularidade das interpretações. Jennifer e Chris são bons atores e não fazem mais do que repetir isso… não tem grandes diferenças de outros papéis não.

Mas e aí, Passageiros vale a pena? Não é um grande filme mas rola para um momento de puro entretenimento.

photo

Filmes indicados a prêmios em destaque na Netflix

Uma hora. Esse foi o tempo que um grupo amigos gastou apenas para decidir o que ver na Netflix. Já que o cardápio é tão vasto, você precisa estabelecer alguns critérios para elaborar a própria lista de filmes. Aqui nós te ajudamos com dicas de longas que foram indicados em edições passadas do Oscar e […]

LEIA MAIS
photo

Manchester à Beira-Mar e as coisas que foram feitas para se viver com elas

Em uma das cenas finais da peça Amores surdos, montagem do grupo mineiro Espanca!, com texto de Grace Passô, uma família precisa aprender a conviver com um hipopótamo enorme. O animal foi criado escondido dentro de casa. Quando descoberto, um dos irmãos pensou em matar. A mãe, então, gritou: “Tem coisas que foram feitas para […]

LEIA MAIS
photo

Confira onde e como assistir ao Oscar 2018 neste domingo

Domingo é dia de Oscar e você se pergunta: onde vou ver? São várias opções. Confira abaixo os horários das transmissões ao vivo e o que os principais canais de entretenimento estão preparando. A entrega da estatueta será no Dolby Theatre de Los Angeles com apresentação de Jimmy Kimmel. TV a Cabo A TNT é […]

LEIA MAIS