Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Cinco músicas que se reportam à relação entre pais e filhos

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O Dia dos Pais já está aí, na linha do horizonte, e, para marcar a data, lembramos composições que falam desta relação

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Ao contrário de alguns países católicos, que escolheram homenagear a figura paterna no Dia de São José, em março; no Brasil, o Dia dos Pais é festejado no segundo domingo de agosto. Portanto, falta pouco. Reza a lenda que a data teria sido pensada para que o comércio pudesse ter uma data que incentivasse a compra de presentes neste período do ano. É que, até então (e estamos falando dos anos 1950), o mês de agosto era considerado um período de vendas mornas.

Roberto Carlos, um dos que já abordaram a relação entre pais e filhos (Claudia Schembri/Divulgação)
Roberto Carlos, um dos que já abordaram a relação entre pais e filhos (Claudia Schembri/Divulgação)

Motivações à parte, o Culturadoria selecionou, aqui, cinco canções que dizem respeito à relação entre pais e filhos. E sim, tem Roberto Carlos. Tal qual, Fábio Jr. também.

“Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo”

A composição de Roberto Carlos talvez seja uma das que primeiramente que vêm à mente quando pensamos em músicas cuja inspiração são os pais. Assim, o cantor e compositor capixaba registrou a música, feita em parceria com Erasmo Carlos, em 1979, em disco que levava seu nome.

Seu Robertino Braga era o pai de Roberto Carlos. Ele exerceu a profissão de relojoeiro e faleceu no ano seguinte ao lançamento da música. Foi vítima de um enfisema pulmonar. Em certo ponto, a letra diz: “Sua vida cheia de histórias/E essas rugas marcadas pelo tempo/Lembranças de antigas vitórias/Ou lágrimas choradas ao vento”.

E, ainda: “Sua voz macia me acalma/E me diz muito mais do que eu digo/Me calando fundo na alma/Meu querido, meu velho, meu amigo”. Pais de todo o Brasil se emocionaram.

“Pai”

Fábio Jr. lançou a música “Pai” em 1978. À época, o artista era mais conhecido por sua faceta ator. O seriado “Ciranda, Cirandinha” apresentou a música pela primeira vez, naquele ano. Nele, Fábio contracenava com Lucélia Santos, Jorge Fernando e Denise Bandeira. Pouco depois, a música foi alçada a tema de abertura de novela – no caso, “Pai Herói”, de Janete Clair. E virou icônica na categoria “pais”.

Antônio Luis de Oliveira Ayrosa Galvão, pai de Fábio Jr, faleceu em 1982. Recorde, aqui, um trecho da letra; “Pai/Você foi meu herói, meu bandido/Hoje é mais muito mais que um amigo/Nem você, nem ninguém tá sozinho/Você faz parte desse caminho/Que hoje eu sigo em paz”.

“Naquela Mesa”

A música “Naquela Mesa” foi feita pelo jornalista e compositor Sérgio Bittencourt (1941 – 1979) em homenagem ao pai, ninguém menos que Jacob do Bandolim (1918 – 1969). A música foi gravada original por Eliseth Cardoso, no disco “Preciso Aprender a ser Só”. Também ganhou as vozes de Nelson Gonçalves, a versão de Paul Mauriat.

O cantor e compositor Otto também a registrou, no disco “Certa manhã acordei de sonhos intranquilos”. Aliás, a faixa entrou na trilha do filme “Árido Movie” (2005), de Lírio Ferreira. Confira um trecho: “Eu não sabia que doía tanto/uma mesa no canto, uma casa e um jardim./Se eu soubesse quanto dói a vida,/essa dor tão doída, não doia assim./Agora resta uma mesa na sala/e hoje ninguém mais fala no seu bandolim./Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele/tá doendo em mim”.

“Traumas”

Está aí uma música de Roberto Carlos que, embora dialogue com o Dia dos Pais, é menos conhecida do grande público que “Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo”. Trata-se, na verdade, de um letra bem triste. Ela fala de um homem diante das decepções inerentes à vida. Ele se recorda que, na infância, o pai fez tudo para “encher de fantasia”. Tal qual, “enfeitar as coisas” que o garoto via. E especula: “Meu pai sentia o que eu sinto agora/Depois que cresci”.

Parceria com Erasmo Carlos, a música “Traumas” foi lançada em 1971. No entanto, no ano passado (sim, 51 anos depois), eis que o rei teve que lidar com uma acusação de plágio. A professora Erli Cabral Ribeiro Antunes moveu a ação. Ela alega que deixou uma composição – “Aquele Amor Tão Grande” – nas mãos do saxofonista que tocava com RC, à época. Sua expectativa, então, era que Roberto Carlos a gravasse. No entanto, ele teria plagiado. Bem, mas aí, o tema não tem mais a ver com pais.

Ah, sim. O grupo Los Hermanos chegou a cantar “Traumas” em participação no programa “Altas Horas” – no caso, com a voz de Rodrigo Amarante. Confira um trecho: “Meu pai um dia me falou/Pra que eu nunca mentisse/Mas ele também se esqueceu/De me dizer a verdade/Da realidade do mundo/Que eu ia saber/Dos traumas que a gente só sente/Depois de crescer”. Pais sendo pais.

“Father and Son”

Depois de quatro músicas nacionais que falam da relação entre pais e filhos, entra em cena, aqui, uma mega conhecida composição internacional para este Dia dos Pais: “Father and Son”. Cat Stevens (que depois passou a assinar Yusuf, ao se converter para o islamismo) escreveu a música e a registrou no álbum “Tea for the Tillerman” (1970).

Escolhemos um trecho da letra que, no geral, mostra um pai cujo filho enseja ir para o mundo: “I was once like you are now/And I know that it’s not easy/To be calm when you’ve found/Something going on/But take your time, think a lot/Why, think of everything you’ve got/For you will still be here tomorrow/But your dreams may not”. A canção, na verdade, emula duas vozes, a do pai e a do filho, com suas argumentações. Sem dúvida, uma boa pedida para a data dedicada aos pais.

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