Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Otávio Augusto traz de volta a BH a peça teatral “A Tropa”

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Completando 60 anos de carreira, Otávio Augusto se apresenta na capital mineira desta sexta, 24 de maio, a domingo, 26, com “A Tropa”

Patrícia Cassese | Editora Assistente

O consagrado ator Otávio Augusto confessa: já perdeu a conta das peças que encenou ao longo de uma carreira que já atravessa seis décadas. Mas, por outro lado, não hesita em apontar “A Tropa” – texto de Gustavo Pinheiro – como uma das mais gratas surpresas que já teve no curso dessa trajetória. “Nesses anos todos, nenhum espetáculo do qual participei ficou tanto tempo em cartaz”, diz ele, que, neste fim de semana, volta a BH com a montagem. Assim, a peça ocupará o palco do Teatro Feluma desta sexta, 24 de maio, a domingo, 26.

À frente do elenco, o ator Otávio Augusto (Philip Lavra e Izadora Relvas/Divulgação)
À frente do elenco, o ator Otávio Augusto (Philip Lavra e Izadora Relvas/Divulgação)

A sinopse diz: “Na peça, um pai doente recebe a visita de seus quatros filhos no hospital. O que seria apenas um encontro familiar se revela um acerto de contas, permeado de humor e revelações, tendo como pano de fundo os últimos 50 anos de história brasileira”. Além de Otávio Augusto, o elenco traz Alexandre Menezes, Daniel Marano, Alexandre Galindo e André Rosa, sob a direção de César Augusto.

Motivos para o sucesso

Ao Culturadoria, Otávio Augusto garante: “Formamos um grupo muito unido, elenco e produção, todos muito amados. Somos, de verdade, uma família”. Assim, ele entende que esse amor “uns pelos outros, e pelo teatro, nos leva adiante, conquistando e surpreendendo novas plateias”. “Do mesmo modo, desafiando nossas expectativas e renovando nosso entusiasmo”, complementa.

Cena da peça, com pai e filhos em embates em pleno hospital (Jonatas Marques/Divulgação)
Cena da peça, com pai e filhos em embates em pleno hospital (Jonatas Marques/Divulgação)

No entanto, ao mesmo tempo, Otávio Augusto, que interpreta um ex-militar viúvo e autoritário, faz alguns ponderações. “Acho que (o êxito) não é um mérito exclusivamente nosso, mas, infelizmente, do nosso Brasil, que não muda. Então, entra ano e sai ano, os problemas da peça permanecem assustadoramente atuais”, lamenta. De fato, é assombroso: “A Tropa” está em cartaz há oito anos.

Polarização

Diante da fala de Augusto, a pergunta inevitável: de que modo este Brasil imutável, ao qual ele faz menção, ecoa na narrativa? Bem, para ele, Gustavo Pinheiro, o já citado dramaturgo, teve uma sensibilidade rara. A de captar – de forma quase premonitória – o início de um processo de polarização política que, lembra Otávio Augusto, ainda iria se acirrar muito nos anos seguintes. “Quando o texto foi escrito, em 2015, ainda vivíamos o início desse racha. O que aconteceu a seguir foi uma loucura. Na verdade, eu sinceramente nunca pensei que viveríamos essa divisão tão forte da sociedade brasileira. Mas a peça já trazia isso de forma muito contundente”.

No caso, a partir desse pai e dos quatro filhos. “Ou seja, uma família. Cada um com a própria personalidade, o jeito de pensar e agir totalmente diferentes uns dos outros. E todos confinados num hospital, porque o pai está internado. Então, por causa dessa convivência forçada, explodem os conflitos. Assim, as diferenças de cada um, que acabam espelhando as próprias contradições do Brasil”.

Convívio com a nova geração

Perguntado sobre o que o provocou a se engajar neste projeto, Otávio Augusto cita que, primeiramente, a qualidade do texto. “É o tipo de teatro que eu gosto de fazer: ele conta uma boa história, com personagens e conflitos bem desenhados, equilibrando humor e drama. Depois, a oportunidade de estar mais uma vez com artistas jovens. Eu sempre gostei de trabalhar com as novas gerações, é uma reciclagem, um exercício muito estimulante”, reflete.

Serviço

Peça teatral “A Tropa” – com Otávio Augusto

Onde. Teatro Feluma (Alameda Ezequiel Dias, 275, 7º andar).

Quando. Dias 24 e 25 de maio, sexta e sábado, às 20h; domingo, 26 de maio, às 17h.

Quanto. Ingressos a partir de R$ 40 no Sympla
Classificação indicativa: 14 anos
Tempo de duração: 80 minutos

Contato: [email protected] | (31) 3248-7250

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