Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

[Oscar 2021] Nomadland e o retrato da falência do capitalismo

Longa dirigido pela chinesa Chloé Zhao é uma sensível crítica ao mundo em que vivemos
Por Carol Braga
Nomadland. Foto: Focus/Divulgação
Nomadland. Foto: Focus/Divulgação

Toda vez que me deparo com um filme dirigido por uma mulher me pergunto se há alguma diferença se fosse o trabalho comandado por um homem. Em geral, a resposta é sim. Não foi diferente com Nomadland.

O longa sensação da temporada de prêmios 2021 é uma criação da aparentemente tímida Chloé Zhao. Toda a delicadeza dela tece a força desse filme protagonizado por Frances McDormand. 

É a história de uma mulher que vive em uma van. Paga os boletos com trabalhos temporários. Se no natal está empacotando itens na Amazon, em outra época do ano se dedica à colheita da beterraba. No meio do caminho, vai se encontrando com nômades como ela. Pessoas que por motivos de força maior ou não decidiram não se fixar.

Contemplativo

Nomadland é um filme de muitos silêncios. A diretora frequentemente filma as paisagens ao fundo. É como se as pessoas estivessem, também conscientemente ou não, em busca de algum horizonte. O  caminho, no entanto, aparenta ser árido.

Mas, ao trazer certo tom documental a Nomadland, a mensagem de Zhao é de que a busca termina dentro de cada um mesmo. Ou seja, o que você busca está em você não onde está.

Nomadland tem muitos contrastes, apresentados com muita sutileza. E elegância. Em tons pastéis e ao som do piano, Cholé Zhao é dura ao observar o capitalismo. Analisa, também, a desigualdade do mundo que valoriza o ter ao invés do ser. Os nômades são. Simplesmente. 

Frances McDormand é, praticamente, a única atriz profissional do filme. A maior parte do elenco é formada por nômades reais mas que compactuam da mesma força da interpretação. Sendo assim, fica até difícil saber o que é texto do roteiro e o que não é. 

A aposta em uma narrativa mais lenta, que eu prefiro chamar de contemplativa, é também proposital. É como se o silêncio de Fran (a personagem) nos ajudasse a também a parar e pensar nas possibilidades de futuro para cada um, na força dos encontros e no poder da amizade.

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Cena de Nomadland. Foto: Search Litht/Divulgação

Confira links para ver os filmes do Oscar.

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