Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

[Oscar 2021] Os 7 de Chicago: o presente em reflexão pelo passado

Longa dirigido por Aaron Sorkin recupera eventos reais que marcaram a Chicago de 1968
Os 7 de Chicago. Foto: Netflix/Divulgação
Os 7 de Chicago. Foto: Netflix/Divulgação

Todo filme que tem um discurso em defesa da cultura e das ideias me emociona. E sim, terminei Os 7 de Chicago mais emocionada do que revoltada (imagino que tenha quem acabe o longa assim). 

O filme dirigido e roteirizado por Aaron Sorkin (A rede social), recupera eventos reais que marcaram a Chicago de 1968. Na verdade, conta a história da prisão de sete pessoas acusadas de inflar uma manifestação contra a guerra do Vietnã. Sim, são eventos reais. Eles foram presos em 1968 – o ano que não pára de gerar boas histórias para o cinema – e julgados em 1969. O roteiro se passa durante o julgamento. 

É o típico filme de tribunal. Tem quem ame e quem odeie, né? Eu gosto. Aaron Sorkin, como talentoso roteirista que é, sabe conduzir a tensão, misturar cenas reais e de ficção, conduzir a montagem do filme de modo que aqueles eventos da década de 1960 nos estimulem a fazer conexões com 2020. 

Sim, há muitas, muitas mesmo, conexões com manifestações contemporâneas, em especial, #blacklivesmatters e o caso de George Floyd. São diálogos muito bem construídos.

 

Atuações

Embora Sacha Baron Cohen tenha recebido as indicações aos prêmios, é também aquele tipo de longa que é sacanagem indicar só um ator. O elenco está equilibrado. Enfim, Sacha foi eleito o representante de todos. Achei curiosa a ínfima participação das mulheres nessa história.

Abbie Hoffman, o personagem dele, me emocionou e me fez pensar em uma coisa. Você já reparou que existe um estereótipo da pessoa que defende a cultura? É sempre o comediante, o doidão, o hippie. Nada contra quem é assim, mas é como se a figura precisasse ser “a” diferentona para as pessoas ouvirem o que ele tem a falar.

 

 

Mas vamos lá: por que eu gostei de Os 7 de Chicago?

Porque acredito na força do povo. O longa escancara o que poder é capaz de fazer com as pessoas, no caso, o juiz. Além disso, me gerou sensações físicas de revolta contra a injustiça. Também me fez pensar como o pensamento crítico foi, é, e sempre será ameaçador. Porque assim como Abbie Hoffman eu também acho que a arte é capaz de transformar as pessoas.

Enfim, a lista é grande! Os 7 de Chicago está na Netflix.

 

Os 7 de Chicago. Foto: Netflix/Divulgação
Os 7 de Chicago. Foto: Netflix/Divulgação

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