Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

CCBB BH inaugura exposição “Hélio Oiticica – Delirium Ambulatorium”

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Mostra exibe mais de 80 trabalhos de Hélio Oiticica (1937-1980): são obras marcadas pela experimentação e performance

Depois de abrigar a instigante exposição “Studio Drift – Vida em Coisas”, o CCBB BH recebe, a partir desta quarta-feira, dia 6 de dezembro, e até 5 de fevereiro de 2024, a mostra “Hélio Oiticica – Delirium Ambulatorium”. Como o nome já entrega, a exposição reúne um conjunto significativo de obras do artista carioca, falecido com apenas 42 anos, em 22 de março de 1980, em decorrência de um AVC. Na terça-feira, dia 5 de dezembro, em visita guiada à imprensa, realizada pela manhã, o curador da mostra, Moacir dos Anjos, conversou com o Culturadoria sobre a intenção da iniciativa.

“A ideia é que a exposição seja uma oportunidade para o público de BH e de outras cidades ter contato com a trajetória de um dos mais importantes artistas contemporâneos brasileiros a partir de um conjunto de obras que atravessam todo o percurso artístico dele. E, assim, que vai, de maneira lúdica, e, ao mesmo tempo, complexa, mostrando como o trabalho de Oiticica vai evoluindo. Ou seja, de um artista que começou lá nos anos 1950, muito jovem, com trabalhos na tradição construtiva brasileira – os famosos Metaesquemas. Da mesma forma, como esse trabalho vai, ao longo do tempo, se desdobrando em muitas outras coisas”, pontuou Moacir dos Anjos.

O artista Hélio Oiticica, cuja obra é tema de mostra no CCBB BH (Acervo da família/Agência Galo/Divulgação)
O artista Hélio Oiticica, cuja obra é tema de mostra no CCBB BH (Acervo da família/Agência Galo/Divulgação)

Interação

“Hélio Oiticica – Delirium Ambulatorium” traz projetos, escritos, objetos, pinturas e instalações que espraiam-se nas galerias do terceiro andar e no Pátio Central do CCBB BH – lá, há obras que convidam os visitantes a vivenciá-las. Logo no início do percurso, o público se depara com algumas pinturas em cartão. “Hélio Oiticica começa com essas pinturas, digamos, mais ‘sólidas’, que vão se fragmentando, como se quisessem ganhar mais espaço. E chega a um ponto que saem da parede e se transformam no que ele chamava de Bilaterais, que são essas formas de madeira pintada”.

A mostra também traz os famosos Parangolés, invenção do artista, fruto de suas
andanças pela capital carioca e pelo Morro da Mangueira (Diego Bressani/Divulgação)
A mostra também traz os famosos Parangolés, invenção do artista, fruto de suas andanças pela capital carioca e pelo Morro da Mangueira (Diego Bressani/Divulgação)

Parangolés

Evidentemente, a mostra no CCBB BH inclui os icônicos parangolés. “São um desdobrar mais radical desse pensamento de Oiticica, que é o da obra de arte sair das paredes. Só que, neste caso, a obra é para ser vestida, incorporada, do modo como o público quiser. Assim, o trabalho só existe quando vestido. O parangolé é uma bandeira, só existe quando ganha movimento. É mais que uma roupa ou uma capa. É um conceito, o de que a arte não é algo estático. Desse modo, para ganhar sentido, precisa incorporada. Logo, o movimento do corpo é que dá sentido ao que antes era pintura na parede”. Abaixo, na foto, um morador da Mangueira veste Parangolé P20 Capa 16 (Andreas Valentim/Divulgação)

Assim, a obra de arte ganha o mundo, vai para as ruas. “Esse movimento vem muito inspirado pela experiência que o artista tem, no começo dos anos 1960, com a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, da qual começa a participar ativamente. Oiticica passa a ser sambista, aprende muito com os habitantes da Mangueira. Aliás, a música – em particular o samba e, mais tarde, o rock – são componentes muito importantes para entender a obra de Oiticica, porque é a música que faz o corpo também se movimentar. Ela descondiciona o corpo dos regramentos, das limitações que a vida cotidiana impõe”.

Movimento

Por último, mas não menos importante, Moacir dos Anjos falou sobre a experiência de levar a obra de Oiticica para um equipamento museal em 2023. “Hélio Oiticica é um artista que morreu muito cedo, com 42 anos. A obra dele, ao longo das décadas, vai indo para a rua, e daí o título da exposição, ‘Delirium Ambulatorium’, que, aliás, remete a um outro trabalho dele. Este triangular da rua é que gera o processo criativo. E o desafio para quem expõe esse trabalho do Oiticica hoje, em 2023, é justamente levar de volta, à instituição, algo que não mais pertencia a ela, algo que se dissolveu na rua”.

O trabalho "Mergulho do Corpo/Plunge of the Body” (1966-67) Foto de Diego Bressani/Divulgação
O trabalho “Mergulho do Corpo/Plunge of the Body” (1966-67) Foto de Diego Bressani/Divulgação

Para o curador, ao mesmo tempo que a iniciativa pode soar quase como “uma traição” ao trabalho de Oiticica, é também uma forma de preservar o pensamento do artista. “Assim, preservar o que ele estava propondo como originalidade, como novidade, no programa artístico dele”.

Sobre o artista

Hélio Oiticica (1937-1980) começou sua carreira como artista ainda jovem, aos 17 anos. Considerado a inspiração máxima para o movimento da Tropicália nos anos 60, destacou-se pela produção de caráter experimental e inovador, que pressupõe a participação do público. O artista criou, ao longo de uma vida breve e fecunda, uma série articulada – um Programa, como costumava dizer – com construções que desafiam noções convencionais sobre o que é arte. Esse percurso foi marcado por sofisticadas elaborações de conceitos que acompanhavam sua produção de trabalhos.

Serviço

Hélio Oiticica – Delirium Ambulatorium

Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte – Pátio e galerias do 3ª andar (Praça da Liberdade, 450, Funcionários)
Período: 6 de dezembro de 2023 a 5 de fevereiro de 2024
Funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 22h
Entrada gratuita, mediante retirada de ingresso no site ou na bilheteria do CCBB Belo Horizonte
Classificação indicativa: Livre

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