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O que aprendemos com Quino, um dos maiores cartunistas do mundo?

Artista morreu aos 88 anos e deixou um legado de histórias, traços, temas extremamente importantes e inspiração para outros artistas e admiradores da arte

Por Jaiane Souza *

01/10/2020 às 07:40 | *Colaborador

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Quino ao lado da escultura de Mafalda, em Oviedo, Espanha. Foto: Miguel Riopa/AFP/Arquivo

A resposta para a pergunta do título é: principalmente, questionar. Por meio da icônica Mafalda e de outros personagens, aprendemos que é urgente enxergar o mundo com olhar crítico, pensamento atento. Joaquín Salvador Lavado Tejón, o Quino, morreu nesse 30 de setembro, aos 88 anos, deixando um legado para artistas e admiradores da sua arte. 

Entretanto, esse lastro foi construído desde a juventude. Nasceu em 1932, na Argentina, e começou a se dedicar aos quadrinhos quando abandonou a Faculdade de Belas Artes, após a morte do pai. A mãe tinha falecido três anos antes. A primeira exposição de artes foi em 1962, em Londres. No ano seguinte, lançou Mundo Quino, o primeiro livro de cartuns.

Em seguida, começou a publicar regularmente em jornais e outros periódicos.

Mas e a Mafalda?

A personagem mais conhecida e aclamada do autor surgiu de uma história curiosa. Em 1963, Quino desenvolveu a para uma campanha publicitária de uma marca de eletrodomésticos que não foi aprovada. Um ano depois, o semanário Primera Plana encomendou uma série “engraçada” e Quino resgatou a garotinha de seis anos mais famosa dos quadrinhos. Dessa forma, Mafalda e a sua turminha traçaram uma trajetória de nove anos. As produções foram traduzidas para mais de 30 idiomas até 1973. Daí já dá para notar o quão atemporal é essa criança, né?

As principais características dela você deve conhecer da internet, dos livros didáticos e dos próprios quadrinhos. Além de engraçada, é crítica, questionadora e com olhar aguçado para vários assuntos, de sopa à ditadura. Mesmo assim, nunca deixou de ser criança: detesta sopa e não quer ir para a escola. 

Nos ensinou a questionar

Mafalda, sempre do seu jeitinho particular, a todo momento mostra como é importante desconfiar de tudo, perceber outros pontos de vista. Como ela está no começo da alfabetização sempre quer saber o motivo de tudo. Por que guerras sendo que os problemas nunca acabam? Para que existe tanta violência? As pessoas não se preocupam umas com as outras e com o planeta? Esses questionamentos sempre apareceram.

Além disso, nem sempre aceita o que falam, mas sempre está aberta ao diálogo e à aprendizagem. 

A criticar a sociedade

Ela é tão crítica à sociedade e à política que acredita até na paz mundial. Entretanto, para formar sua opinião, não ficou presa à sua bolha, buscando sempre observar o comportamento das pessoas. Fica a dica! Mesmo não tendo embasamento político, é a praticidade que dita as suas ideias. A partir disso, valoriza a família, cuida da sua cidade e país. Em resumo, Quino deu um exemplo para adultos e crianças, independentemente da idade, de reflexão, autocrítica e empatia. 

Humor e ironia como alternativas

Quino também nos ensinou que o humor pode ser uma ótima alternativa para tornar assuntos complexos mais leves. Quando recebeu a proposta para criar Mafalda e sua turma, a produção precisava ser engraçada. Dessa forma uniu críticas e reflexões a piadas e ao humor, fazendo personagens únicos e marcantes. Essa característica, entretanto, é um desafio. Nem sempre é fácil olhar com descontração ou criar estratégia para que o humor seja a melhor forma para falar sobre assuntos como desigualdade social, por exemplo. Mas Quino fez tudo isso com maestria, sempre aliado à ironia. 

A empatia como transformação

A empatia é um tema bastante recorrente nas tirinhas da Mafalda. Com a sensibilidade e inocência de uma criança, Quino mostrou como é importante se colocar no lugar do outro, não importando quem seja. Exemplo disso, são algumas tirinhas com a mãe e as que fala sobre classes sociais. Nessas histórias, ela tenta se colocar no lugar do outro para sentir as alegrias e as dores. O principal: não se embasa em julgamentos ou opiniões pré-estabelecidas, algo que está cada vez mais em falta na nossa sociedade. 

Igualdade

Para a menininha, racismo e preconceito não têm vez, bem como o machismo. Ela sempre questiona a mãe sobre as escolhas que fez ao longo da vida e o resultado de cada uma delas. O autor sempre acompanhou as lutas pelos direitos das mulheres e as causas dos direitos humanos, o que ficou evidente em toda a sua produção. 

Em suma, Mafalda é uma menina que representa muitos de nós, que luta e protesta pelos ideais, que tem sede de mudança. Como dito, ela foi criada há mais de 50 anos, em um contexto argentino de desenvolvimento, que a televisão ainda estava sendo implementada. Mesmo assim, até hoje todos os temas são extremamente relevantes e atuais. Que mudança de fato está acontecendo?

Quino

Quino ao lado de Mafalda na exposição ‘O Mundo Segundo Mafalda’, em Buenos Aires, Argentina — Foto: Natacha Pisarenko/AP/Arquivo

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