Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

O Esquadrão Suicida: a versão 2.0 de James Gunn

Em uma segunda tentativa de dar vida ao grupo de anti-heróis, o filme traz muita carnificina e um quê anti-imperialista
O esquadrão suicida Foto Warner Bros
O esquadrão suicida Foto Warner Bros

Quando foi anunciado que James Gunn seria o responsável por mais um filme baseado nos quadrinhos do Esquadrão Suicida, pensei que uma sequência seria produzida. Apesar disso, O Esquadrão Suicida dispensa comparações e quase todos os laços com o Esquadrão Suicida, de David Ayer. Quem diria que um artigo seria capaz de trazer tanta mudança, não é?

A premissa é a mesma: presidiários são convencidos e, em alguns casos, intimidados a participar de uma missão do governo estadunidense. Sendo assim, fazem isso em troca de favores ou da diminuição da sentença na prisão. A missão agora é outra. Ou seja, se infiltrar em uma ilha da América do Sul, que recentemente sofreu um golpe militar, e destruir uma base secreta que representa um grande perigo para o resto do mundo.

Reboot ou continuação?

A versão de Gunn transita entre uma continuação e uma reimaginação completa do que foi feito por Ayer. O filme não perde tempo com introduções, reaproveitando parte da história e do elenco original. Margot Robbie, Joel Kinnaman e Viola Davis estão entre os nomes que reprisaram seus papéis no novo longa. Já nomes como Idris Elba, John Cena e a atriz portuguesa Daniela Melchior ajudam a completar o grupo anti-heróis.

O Esquadrão Suicida é, antes de mais nada, um filme de James Gunn. O diretor expressa seu característico gosto pela galhofa com uma liberdade extra, concedida pela Warner Bros. e explicitada pela classificação indicativa para maiores de 18 anos. Com o show de carnificina, a intenção era transformar a história em um filme de guerra, mas a violência acaba virando mais uma das piadas do roteiro, também assinado por Gunn.

O esquadrão suicida Foto Jessica Miglio DC Comics
O esquadrão suicida Foto Jessica Miglio DC Comics

A Força Tarefa X

Dois grupos cumprem com a mesma missão no início do filme. Um deles, assim como na versão de 2016, é liderado pelo Capitão Rick Flag, personagem de Joel Kinnaman. Bloodsport, interpretado por Idris Elba, é o chefe do segundo grupo. Quando a chegada do primeiro grupo termina em um extermínio quase completo, Flag e Arlequina sobrevivem, mas são capturados.

A equipe de Bloodsport me conquistou com maestria. O estilo pitoresco do Pacificador, de John Cena, e sua dinâmica com Bloodsport resultam em algumas das cenas mais engraçadas do filme. David Dastmalchian, o Bolinha, também rendeu momentos ótimos, mas é Daniela Melchior que rouba a cena no papel Ratcatcher 2, com uma história de origem sensível e bem construída em meio aos banhos de sangue.

Raízes anti imperialistas

O carnificina quase esconde um dos elementos mais interessantes do filme, a crítica ao imperialismo estadunidense. É uma visão que retoma o original Esquadrão Suicida, criado por John Ostrander em 1987. Por isso, quem veio pela porradaria acabou recebendo de brinde uma crítica social.

Apesar da abordagem interessante e necessária sobre os impactos desastrosos das intervenções dos Estados Unidos na política de outros países, O Esquadrão Suicida não vai muito longe na reflexão. O filme se aproxima das raízes anarquistas dos quadrinhos e transita de maneira interessante entre o certo e o errado, mas não é suficientemente reflexivo e, por isso, essa parte se perde em um terceiro ato caótico demais.

O Esquadrão Suicida não consegue sustentar a conversa séria, mas entretém e até emociona em certos momentos. Independente de ser ou não uma sequência para a versão de 2016, a versão de Gunn abre um novo caminho para o desenvolvimento da história do grupo de anti-heróis, a questão agora é saber o que vem pela frente.

Por Maria Lacerda | Culturadora

Jornalista em formação, apaixonada pelo poder da comunicação e pela cultura em todos os seus formatos. Geminiana, leitora voraz e apreciadora de TikToks nas horas vagas.

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