Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Escritor norueguês Jon Fosse é o vencedor do Nobel de Literatura 2023

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Atualmente, são dois, os livros de Jon Fosse, vencedor do Nobel de Literatura, publicados no Brasil: “É a Ales” e “Melancolia”

Patrícia Cassese | Editora Assistente *

O nome do escritor e dramaturgo norueguês Jon Fosse foi anunciado nesta quinta-feira, dia 5 de outubro, como o Nobel de Literatura 2023. De acordo com o site oficial da láurea, Jon Fosse foi escolhido “pelas peças e prosas inovadoras que dão voz ao indizível”. Não só. “A imensa obra escrita em norueguês e abrangendo uma variedade de gêneros consiste em uma riqueza de peças, romances, coleções de poesia, ensaios, livros infantis e traduções. Embora seja hoje um dos dramaturgos mais representados no mundo, também se tornou cada vez mais reconhecido na prosa”, diz o material disponibilizado no site oficial.

Jon Fosse: escritor e dramaturgo norueguês é o vencedor do Nobel de Literatura 2023 (Niklas Elmehed/Nobel Prize Outreach)
Jon Fosse: escritor e dramaturgo norueguês é o vencedor do Nobel de Literatura 2023 (Niklas Elmehed/Nobel Prize Outreach)

Aos 64 anos, Jon Fosse tem, por ora, apenas dois livros publicados no Brasil: “Melancolia” e “É a Ales”. O primeiro, lançado pelo Editora Tordesilhas, enquanto o segundo, pela Companhia das Letras. No entanto, a editora Fósforo já anunciou que, ainda este mês, acontece o lançamento, no Brasil, de “Brancura”. Aliás, diante do anúncio do Nobel, a Fósforo e a Companhia das Letras lançaram um comunicado conjunto.

Leia, a seguir, a íntegra.

“(As editoras) Companhia das Letras e Fósforo celebram juntas o prêmio Nobel de 2023 concedido a Fosse pelas peças de teatro e prosa inovadoras, que dão voz ao indizível’. Fosse é dono de uma vasta obra que se debruça sobre questões existenciais como a morte, o amor, a fé e o desespero. A escrita dele é construída de modo a replicar o ritmo e a repetição de uma oração. E a precisão obsessiva de seu trabalho fez com que ele ultrapassasse os limites do estilo para forjar algo próximo de uma nova forma literária, na qual a relação com a metafísica vai além do conteúdo, inscrevendo-se também na composição formal”. 

Conforme o comunicado, “É a Ales” (2003, 112 páginas, R$ 64,90) acaba de chegar às livrarias brasileiras (ema 25 de setembro) pela Companhia das Letras. É descrito pela casa editorial assim: “um romance hipnótico e inesquecível sobre um homem que sai com um barco para nunca mais voltar, de uma mulher que permanece à sua espera e das marcas indeléveis que unem cinco gerações de uma família”. Do mesmo modo, a Fósforo acrescenta que o livro “Brancura” (2023, 64 páginas, R$ 59,90) já se encontra em pré-venda no site da editora. A obra – finalista do National Book Award -chegará às livrarias no dia 19 de outubro. A tradução é de Leonardo Pinto Silva.

Capa do livro “É a Ales”, de Jon Fosse, lançado pela Companhia das Letras, com tradução de Guilherme da Silva Braga (Companhia das Letras/Divulgação)

Sobre “Brancura”

“Brancura”, próximo livro do Nobel Jon Fosse a ser traduzido no português do Brasil, já tem a apresentação em release da Editora Fósforo. “Neste breve romance em que a atmosfera onírica se mescla à transcendência, um homem começa a dirigir sem rumo. Desconhecendo as próprias motivações, conduz seu carro até uma floresta. Logo escurece e começa a nevar. Obedecendo à lógica trágica e misteriosa que opera nos pesadelos — ou no encontro inescapável com o destino —, em vez de procurar ajuda, ele decide se aventurar pela mata escura. Lá, se depara com um ser de brancura reluzente”.

Ainda de acordo com o material da assessoria da Fósforo, como as vozes que o protagonista escuta em sua errância, tudo nesta breve narrativa é ao mesmo tempo estranho e excessivamente familiar. “Num jogo de claro e escuro, concreto e sublime, Jon Fosse tensiona a escrita num fluxo de consciência que escala depressa para uma voltagem inesperada, tragando o leitor e fazendo-o experimentar fisicamente a radicalidade de seu projeto literário”.

Trecho

Confira, a seguir, um trecho de “Brancura”, de Jon Fosse, Nobel de Literatura 2023
“Está tão escuro agora […] e bem na minha frente avisto a silhueta de alguma coisa que parece uma pessoa. Uma silhueta luminosa que se torna cada vez mais nítida. Sim, um contorno bem perceptível no escuro, na minha frente. Que estaria distante ou perto de mim. Não sei dizer com certeza. É impossível dizer se está perto ou longe. Mas está lá. Uma silhueta branca. Brilhante. Acho que ela vem caminhando na minha direção. Caminhando é modo de dizer. Porque caminhar ela não caminha. Ela apenas se aproxima, cada vez mais. A silhueta é completamente branca. Agora percebo nitidamente. Que é branca. A brancura.”

A capa da edição brasileira de “Brancura”, que chega às livrarias ainda este mês, pela Fósforo (Kulturalis/Divulgação)

Lançamentos futuros

Primeiramente, para 2024, a Fósforo prepara uma antologia de poemas e outra de peças do escritor norueguês, conhecido por transitar entre diversos gêneros. Tal qual, a Companhia das Letras pretende lançar, no mesmo ano “Trilogia”. Trata-se do premiado volume com três novelas sobre a história de amor entre um jovem casal. A Fósforo lança “Septologia”, romance de mil páginas, em 2025. A casa editorial lembra que esta é considerada por muitos a grande obra de Fosse. 

“Assim, as editoras comemoram o prêmio e a chegada, aos leitor brasileiro, de uma das principais vozes da literatura europeia em traduções direto do original. Do mesmo modo, deseja a todos ótimas leituras!”, finaliza o texto, assinado pelas assessorias das editoras. 

Sobre o autor

Jon Fosse, o Nobel de Literatura 2023, cresceu em uma pequena fazenda em Strandebarm, na região de Hardanger, na Noruega. Cursou o ensino médio em Øystese e estudou literatura na Universidade de Bergen. Escritor em tempo integral durante a maior parte de sua vida adulta, ele também trabalhou como jornalista, lecionando na Academia de Redação de Hordaland. Também foi consultor literário em iniciativas como uma nova tradução da Bíblia para o norueguês.

O escritor e dramaturgo Jon Fosse, em foto de 2019, feita por Tom A. Kolstad (Editora Fósforo/Divulgação)

Em 2011, o estado norueguês concedeu-lhe a residência artística honorária vitalícia, The Grotto, localizada em Slottsparken, em Oslo, perto do Palácio Real. Hoje, Fosse tem residências em Oslo, em Hainburg an der Donau, na Áustria; e em Frekhaug, perto de Bergen. De acordo com a Editora Fósforo, a singularidade da voz de Fosse também se deve ao fato de que ele é um dos poucos autores a escrever em neonorueguês, ou nynorsk — variante minoritária da língua, uma compilação de dialetos falados sobretudo na costa da Noruega e criada em meados do século 19, durante o nacional-romantismo.

Elogios

De acordo com membros do Nordic Council Literature Prize, Jon Fosse conseguiu, como poucos, criar uma forma literária própria. Já o “New York Times” lembra que o Nobel vem sendo comparado a Ibsen e a Beckett. “E é fácil ver o seu trabalho como um Ibsen reduzido à sua essência emocional. Mas é muito mais que isso. Em primeiro lugar, tem uma simplicidade poética feroz”. 

*Com material de editoras.

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