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Nasce uma Rainha revela lado desafiador do universo drag no Brasil

Dividida em seis episódios, a produção encabeçada por Alexia Twister e Gloria Groove é uma espécie de mentoria para artistas iniciantes

Por Thiago Fonseca *

24/11/2020 às 16:15 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Foto: Netflix / Divulgação

A performer Alexia Twister e a cantora Gloria Groove foram as escaladas pela Netflix para serem as cabeças de Nasce uma Rainha. Na série, que estreou em meados de novembro, as drags apadrinham outras seis queens e kings que estão no começo de carreira. Elas dão dicas de maquiagem, postura, dublagem, coreografia e desenvolvimento pessoal para que nasça uma rainha.

Em resumo, a produção com seis episódios, com cerca de 40 minutos, vai além de uma simples mentoria. Quem estava esperando um cópia de RuPaul’s Drag Race, se surpreendeu. Nasce uma Rainha é uma espécie de incubadora para as drags. Não há competição de talentos, e sim, uma escola. No caso de RuPaul’s é sempre uma batalha entre as participantes. Sendo assim, a produção brasileira mescla emoção, autoconhecimento, afeto e muita diversão.

 

Vivência e luta drag

É uma série leve, engraçada e com reflexão. Revela que o universo drag não é só luxo e glamour. Retrata o preconceito vivido pelas participantes ao longo da vida. Os desafios de dançar, performar e se amar.

Os capítulos começam com a chegada dos participantes no set. Cada uma passa por aula de maquiagem, desfile, produção, montagem e etc. O primeiro desafio é transformar uma boneca na drag que gostariam de ser.

Alexia Twister é a responsável pela performance. Propõe desafios como aumentar o salto e ensaiar uma coreografia. Já Gloria Groove conversa com um parente ou amigo próximo do afilhado para que eles possam apoiar o participante. Daí que entra a emoção. Geralmente são pessoas que não aceitam a arte drag. Elas são convidadas para passeios com pessoas LGBTQIA+.

A luta por respeito, os desafios na noite e discriminação são temas que não poderiam passar batidos. Os participantes contam histórias sobre o que a comunidade LGBTQIA+ vive dentro da sociedade. Sobretudo, a vivência da arte drag no Brasil, que é diferente do exterior.

 

Foto: Netflix / Divulgação

Características

Diversão também não falta na produção. A Netflix investiu pesado nos cenários e looks. São todos sempre muito coloridos e cheios de brilho. Os diálogos são divertidíssimos. A série conta, ainda, com participações especiais. Tiago Abravanel e Johnny Hooker, por exemplo, dão dicas de como serem mais performáticas.

Também é muito bonito ver a diversidade de participantes. A série mostra uma drag mulher. Sendo assim, ela rompe com o paradigma que as pessoas tem que este é um papel de homem e gay. Um dos participantes, inclusive, identifica como não-binário.

Por fim, Nasce uma Rainha é uma série não só sobre o universo drag. Fala sobre quem está a nossa volta. Aborda vitórias, buscas por respeito e valorização da diversidade. Sobretudo mostra como romper paradigmas e conquistar os sonhos. Em síntese, vem para trazer alegria, leveza, quebra de estereótipos, reflexão e conhecimento

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