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Cena musical autoral em BH cresce mas ainda enfrenta dilemas

Por Thiago Fonseca *

23/04/2018 às 10:21 | *Colaborador

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Foto: Daparte / Divulgação

O lançamento do primeiro disco de carreira da banda mineira Daparte, marcado para dia 24 de Abril, no Teatro Bradesco, em BH, pode ser visto, sim, como mais um sinal. A cena autoral da capital mineira cresce sem parar. Afinal, neste mês, no período de 11 dias, três discos autorais foram lançados. No ano passado foram 17, segundo levantamento do músico e produtor musical Gedeon Antunes.

“Belo Horizonte é uma cidade muito rica em produção autoral. Percebo uma mudança de cinco anos para cá em que os artistas estão apostando nos seus trabalhos. Dessa forma, há menos cantores em bares realizando couvert artístico. Os que estão, querem gravar disco. Hoje é mais fácil lançar CD e a tecnologia também ajuda na divulgação do trabalho. Isso anima”, explica Gedeon.

Dessa forma, com o desejo de trabalhar com a música, cinco amigos belo-horizontinos se reuniram e montaram a banda Daparte. Isso foi há três anos. Hoje, o grupo mineiro de pop rock se prepara para lançar “Charles”, o disco primogênito.  O show de estreia está marcado para o dia 24 de abril no Teatro Bradesco. “Estamos ansiosos e animados. Todas as dez faixas são compostas por nós. As pessoas vão conhecer um novo som que está surgindo em BH e, assim, vão descobrir uma banda nova”, conta o guitarrista Juliano Alvarenga.

Ele é filho de Samuel Rosa, vocalista do Skank. A banda, que surgiu em 1991, foi uma das pioneiras a levar a música autoral produzida em Belo Horizonte para o Brasil. No show de lançamento Samuel acompanhará o filho, ao tocar “Mendigo”. Além disso, interpretará “Amores imperfeitos”, do Skank. Ainda estarão presentes Fernanda Takai vocalista da banda mineira Pato Fu e Luis Couto vocalista da Devise, banda independente, também de BH. Daparte classifica o som do disco como “diversificado e novo”.

Vinte e seis anos separam o lançamento do primeiro disco do Skank, da criação de “Charles”. De lá para cá, entretanto, muita coisa mudou na cena autoral. Naquela época cada banda tinha que andar por si só. Agora, a cena é mais caracterizada e fortalecida. De acordo com Gedeon, ainda é preciso algumas mudanças para a cena se consolidar. “Os artistas de BH precisam se reinventar, se juntar e não ficar dependendo de lei de incentivo para produzir. Ainda mudar a visão cultural do público e começar a chamar atenção além das montanhas”.

 

Campos Rosa lançou o primeiro disco ‘Na Verdade’ no último dia 14 – Foto: Jenifer Batista / Divulgação.

DESAFIOS

Disposto a se reinventar e a produzir seu próprio disco o artista mineiro Campos Rosa trocou de papel na música. De instrumentista do choro e samba, passou para cantor de MPB e pop. O lançamento do primeiro disco ‘Na Verdade’ foi realizado no último dia 14. Com letras e melodias 100% criadas por ele, as canções versam sobre natureza, questões existenciais, relacionamentos, dor, amor e descobertas da vida. Embora feliz com o resultado do projeto, o artista disse que não foi simples decidir lançar o disco.

“Não é fácil fazer música autoral em BH. A cidade tem uma cultura de banda cover e as pessoas não estão tão abertas para ouvir coisas novas. Mas, certamente, o cenário está mudando e vejo com muito otimismo”. O artista ainda acredita que com o passar dos tempos as pessoas aprenderão a ouvir coisas novas e darão espaço a cena musical da cidade.

Assim como a banda Daparte e Campos Rosa, o cantor, compositor e instrumentista mineiro, Raphael Sales também lançou disco autoral no último dia 20. Uma interseção contemporânea entre a pulsão afro-brasileira e a maestria harmônica da música de Minas Gerais. Para conseguir realizar o show de lançamento, Raphael fez uma campanha de financiamento coletivo. Isso mostra, que, mesmo crescendo o número de artistas autorais ainda é difícil por conta de patrocínio.

Gedeon Antunes criou o Arte Conecta para dar espaço aos músicos autorais de BH – Foto: Anna Laily / divulgação.

 FALTAM ESPAÇOS PARA O MÚSICO AUTORAL

Gedeon aponta que o maior desafio que o músico autoral encontra na cidade é a falta de espaço para apresentar o trabalho. “A capital mineira não tem muitos lugares para absorver a cena autoral atuante. Os poucos lugares que possuem estrutura, ficam inviáveis absorver a cena autoral da cidade e abrem portas para artistas renomados de outros lugares”, pontua.

O músico e produtor cultural defende que os Centros Culturais da cidade deveriam abrir as portas para os artistas que querem lançar seus discos autorais, já que as pessoas tem dificuldade em procurar entretenimento musical dentro de teatros. “BH possui muitos artistas e não tem estrutura cultural do público. Os músicos não podem esperar nada dos outros. Tudo tem que partir de nós mesmos”.

Dessa maneira, Gedeon resolveu criar um projeto para dar espaço aos músicos autorais. O Arte Conecta chega a sua segunda edição no próximo dia 17 de maio na Arena do Hub Minas, no prédio da Rainha da Sucata, na Praça da Liberdade. O objetivo do projeto é reunir os artistas autorais de Belo Horizonte em diversas vertentes da arte. Três músicos se apresentam por edição. Além do Arte Conecta, os músicos podem contar ainda com outros projetos como o circula Minas do Governo de Minas e do edital de incentivo à cultura.

 

 

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