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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Música negra: confira algumas revelações no mundo

Em mais uma dica dedicada ao Dia da Consciência negra separamos alguns artistas para ouvir até o fim do mês

Por Jaiane Souza *

19/11/2019 às 16:44 | * Escreveu com a supervisão de Carolina Braga

Publicidade - Portal UAI
Karol Conka Foto: Carlos Sales / Divulgação

Um salve para a música negra do mundo. Viva o samba, o jazz, o soul, o black viva todos os ritmos que foram criados a partir da matriz africana e que há séculos vem transformando o espectro sonoro do planeta. Quando falamos sobre música negra, dizemos também sobre resistência por meio da arte. 

Cada grupo social tem a sua cultura e os seus costumes. Quando Portugal colonizou o Brasil, por exemplo, trouxe os escravos aos montes durante 300 anos. Essas pessoas não chegaram aqui sem nenhum tipo de repertório. Por analogia, imagine quando você cria uma pasta no computador e vai colocando os arquivos dentro dela. Ela está vazia e passar a ter conteúdo. Dessa forma, pensar que as pessoas chegaram nas colônias vazias e adquiriram a cultura europeia é um erro, pois elas já viviam a própria vida em seus respectivos países. 

Cada país sempre teve a própria religião, festas tradicionais… isso nunca foi diferente. Nem mesmo com a música, já que é uma manifestação cultural natural, que está na essência de cada povo. Por outro lado, é inegável que as culturas adquiram características e influências umas das outras, mas a gênese sempre estará presente. Pensando nisso e por isso, nós selecionamos alguns artistas negros da música para destacar nesta semana.

 Dando sequência ao especial dedicado ao Dia da Consciência Negra, é hora de dar dicas de novos artistas que contribuem ainda mais na reflexão sobre a igualdade entre os povos. Como nenhuma lista dá conta de abraçar o mundo, se quiser sugerir alguém é só registrar nos comentários. 

Antes de partir para a lista, deixamos aqui a dica de duas figuras marcantes da música de Minas para você conhecer. Vale a pena saber quem são Elisa de Sena e Nath Rodrigues. É só clicar nos links e dar o play. Agora sim, a lista com novidades. 

Lizzo

Cantora, compositora, rapper, atriz a apresentadora. Melissa Vivianne Jefferson é, atualmente, um ícone autêntico e empoderado. Em suas produções artísticas, imerge na diversidade musical. Isso porque as músicas têm elementos de rhythm, blues, soul, funk e jazz. Entretanto, para chegar a esse ponto de sucesso, no qual, aos 31 anos, atingiu o topo da Billboard Hot 100, a história começou a ser construída ainda na infância. 

Quando era pequena a menina ouvia principalmente música gospel e, posteriormente, Beyoncé.

Assim, começou a estudar música clássica e se especializou em flauta. Depois disso, foi para a faculdade, o pai faleceu e Lizzo resolveu entrar para a indústria musical. É considerada um dos destaques da música contemporânea. O sucesso é devido à qualidade sonora da artista completa e às letras, pois canta sobre empoderamento e lutas por causas sociais, feminismo, autoaceitação, política e outros. Afinal, Melissa é mulher, gorda e negra. 

O álbum de estreia é Lizzobangers. Lançado em 2013, o trabalho já chegou fazendo críticas sobre gênero, raça e violência. Em seguida, veio Big Grrrl Small World em 2015, e Cuz I Love You, neste ano. Esse último foi o responsável pelo reconhecimento internacional de Lizzo pois, desde abril, já tem mais de 150 milhões de visualizações no YouTube apenas no hit Truth Hurts.

Ouça Lizzo no Spotify.

Quebrada Queer

Palheiros, Guarulhos, Jandira e Jardim Martins Silva. Essas são as regiões de São Paulo que os seis jovens do grupo Quebrada Queer são originários. O primeiro grupo de rap do Brasil formado apenas por homossexuais versa por temas fundamentais como o racismo. Entretanto, representam e cantam também sobre periféricos, mulheres e outras minorias. O grupo surgiu por acaso, quando os jovens se conheceram na noite e se uniram para gravar apenas uma música. A canção Quebrada Queer, então, viralizou, ficando entre as 50 mais tocadas no Spotify e deu origem à formação do grupo. 

O primeiro disco, Ser – Sobre Existir e Resistir, foi lançado em 2018 e o segundo, Quebrada Queer no Estúdio Showlivre, nasceu em 2019. A música negra e de representatividade do grupo está disponível no Spotify

Nara Couto

A artista começou a carreira como bailarina especializada em dança afro contemporânea, passou pelo balé folclórico da Bahia e fez parte de diversos balés de artistas renomados. No entanto, acabou na música como vocalista da Orquestra Afrosinfônica e de outros trabalhos. A carreira de artista versátil não para por aí. Nara Couto, por outro lado, também é atriz e participou do elenco da novela Velho Chico, exibida pela Rede Globo em 2016. A história na música começou ainda na adolescência porque, em contato com o bloco Ilê Aiyê que tocava em Curuzu, começou a pesquisar a origem da cultural afro-brasileira. 

Além disso, se aprofundou na relação entre a música baiana com a África. Não deu outra! Como resultado de viagens por países africanos e experiência adquirida no balé e na orquestra, passou a fazer a própria música, carregada de história, ancestralidade e referências às matrizes africanas. O resultado de todo esse trabalho pode ser apreciado na faixa Linda e preta, de 2017, e no disco Contipurânia, de 2018.

Ouça Nara Couto no Spotify.

Melvin Santhana

O multiartista une sonoridade e tradições de matriz africana em suas produções. Tudo isso a partir da percepção e do olhar de pessoas afrodescendentes e periféricas. O que não falta, claro, é crítica social. Só para ilustrar, no álbum Abre alas, o primeiro da carreira solo do artista, estão presentes nomes como DJ KL Jay (Racionais), Dani Nega e Tássia Reis. Melvin fez parte da banda Os Opalas, na qual atuava como guitarrista, produtor musical e vocalista.

As canções do artista estão disponíveis no Spotify

Karol Conka

Essa artista é só tombação! Mulher, negra, rapper e feminista. Carol Conka já surgiu fazendo críticas ao racismo e ao sistema, enaltecendo a cultura de raiz africana e empoderando as mulheres. Tudo isso por meio de discursos públicos e por meio da sua produção musical. Ao lado do ritmo dançante das músicas também está a resistência. A história da artista também começou na infância, quando já compunha antes dos 13 anos e participava de concursos de dança contemporânea. Nessa época já sonhava em ser cantora e entrou pra valer no sonho aos 16 anos quando ganhou um concurso de rap na escola. 

Dessa maneira, aos 17 anos começou a ganhar reconhecimento ao lado de MC Cadelis e Cilho quando lançaram um mixtape com sete músicas. Depois, passou a disponibilizar suas músicas nas plataformas virtuais e ganhou notoriedade, sucesso e prêmios. Venceu a categoria Artista Revelação no Prêmio Multishow de Música Brasileira, em 2013, e Nova Canção em 2015. Atualmente está em turnê de apresentação do disco Ambulante.

 Escute todas as músicas da artista no Spotify

música negra
Melvin Santhana Foto: Vinícius Souza / Divulgação
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