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Seis filmes imperdíveis e gratuitos em cartaz na MUMIA 2018

Por Thiago Fonseca *

04/12/2018 às 11:13 | *Colaborador

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Tito e os Pássaros / Reprodução

A Mostra Udigrudi Mundial de Animação nasceu a partir de uma brincadeira de amigos em 2003. Até hoje muita coisa mudou na MUMIA, como ficou conhecida. Cresceu, ultrapassou barreiras, mas sem deixar de cumprir o o papel de fomentar, discutir fazer com que o cinema de animação circule. Na edição 2018, que termina no dia 23 de dezembro, tem 260 filmes, de 34 países, com exibições em 11 espaços de Belo Horizonte e Nova Lima na programação.

Além das exibições, o evento conta com lançamento de livros, oficinas e Master Class. É a primeira vez que serão exibidos longas. Serão seis ao todo. Em geral os roteiros falam sobre desafios do mundo contemporâneo. Temas como assédio sexual, liberdade, política e questões de gênero também são assuntos pautados nas animações.

“Temos uma programação que cresceu e com isso, aumentaram também as dificuldades. Mas com raça, conseguimos realizar mais uma edição. Uma Mostra onde as pessoas podem exibir suas animações e discutir o cenário”, pontua Sávio Leite, curador e idealizador da MUMIA. Como a programação é bem extensa, o curador te dá um norte. Confira as apostas de Sávio para explorar o MUMIA.

 

Exibição das animações para crianças de escolas em 2017 – Foto: MUMIA/ Divulgação

 

Tito e os Pássaros, de Gustavo Steinberg, Andre Catoto e Gabriel Bitar | 73’

Tito e os Pássaros é um dos seis longas no meio de mais de 200 curtas. Disputará neste ano o Annie, considerado o Oscar da animação, na categoria melhor animação independente e ainda está na lista final do Oscar 2019. Sendo assim, chama atenção. No filme, Tito é um menino de 10 anos empenhado junto com o pai em combater uma epidemia de medo que deixa as pessoas assustadas e doentes.

“Uma história do medo que tomou conta de todo mundo e anuncia algo que a gente vive. A animação foi toda feita em pintura sobre vidro. Só isso já uma grande coisa”, aponta Sávio. A exibição do longa será em dois espaços: no dia 8, às 16h, no Sesc Palladium e no dia 23, às 17, no MIS Santa Tereza. No dia 9, às 16, também no Palladium, Gabriel Bitar, um dos diretores do longa, ministrará uma Master Class sobre o processo de produção do longa.

 

Guaxuma, de Nara Normande (PE, 2018) | 14’15’’

Guaxuma é um curta-metragem de quatorze minutos muito pessoal feito pela cineasta nordestina Nara Normande. A diretora conta a história da sua amizade com Tayra e de como elas cresceram juntas na praia de Guaxuma. Nara faz uma mistura bem interessante de técnicas. Dessa forma, mesclou fotos reais e imagens captadas na praia. A narração é feita pela própria diretora, o que dá ar mais emocionante à história.

“Guaxuma é maravilhoso. Reinventa a técnica de animação de areia de maneira criativa por usar cores. Um filme que todo mundo vê e apaixona”, conta Sávio. Além disso, ganhou vários prêmios, como por exemplo, o Festival de Gramado deste ano. O curta estará em cartaz em três espaços da cidade. No dia 4, às 21h30, no Cine Humberto Mauro. No dia 11, às 19h, no Cineclube Joaquim Pedro de Andrade. E por fim, no dia 12, às 17, no Sesc Palladium.

 

Torre, de Nádia Mangolini (Brasil, 2017) | 18’

Torre fala de um assunto pesado: ditadura. A história do período é contada por meio da memória de quatro irmãos, filhos de Virgílio Gomes da Silva, o primeiro desaparecido político da ditadura militar brasileira. Torre ganhou o Prêmio Canal Brasil de Curtas. Já no 50º Festival de Brasília o trabalho levou o troféu de Melhor Direção de Arte.

“O curta utiliza de desenho tipo rabisco em papel para contar a história. A cada inserção dos personagens a técnica muda. É algo diferente e isso chama atenção pelo ineditismo. O filme toca bastante e emociona as pessoas”, pontua Sávio. Será exibido no dia 4, às 19h30, no Cine Humberto Mauro. No dia 10, às 19h, no Cineclube Joaquim Pedro de Andrade. E no dia 11, às 17, no Sesc Palladium.

 

Foto: Strange Case, de Zbigniew Czapla – Foto: Reprodução

 

Strange Case, de Zbigniew Czapla (Polônia, 2017) | 13’30

Do polonês Zbigniew Czapla, Zbigniew Czapla, é um dos favoritos de Sávio por trazer a técnica de pintura em papel e vidro. E ainda ter uma beleza estranha. Sendo assim, a história da animação é sobre reflexões universais sobre a condição humana, contada com um fluxo de consciência, por outros pensamentos, memórias e dúvidas do protagonista. O curta de quase quatorze minutos poderá ser conferido no dia 4, às 17, no Sesc Palladium e no dia 10, às 19h, no Cineclube Joaquim Pedro de Andrade.

 

Heads Together, de Job, Joris & Marieke (Holanda, 2017) | 20’54”

Essa é segunda vez que um filme do trio holandês Job, Joris & Marieke estará na Mostra. Heads Together conta a história de três amigos que trocam de cabeça por acidente e são forçados a se adaptar à vida uns dos outros. Bonecos feitos com técnica bem diferente, conforme salienta Sávio. “Eles usam 3D com personagens cativantes que não se vê por aqui”. O filme será exibido em dose dupla no Sesc Palladium, dia 5, às 17h e dia 15, às 16h.

 

Happy End, de Jan Saska (República Tcheca, 2015) | 05’42”

Uma comédia sobre a morte com um final feliz. Uma corrente de encontros improváveis. Caçadores, um motorista de trator, um menino de discoteca e um cadáver. Em resumo essa é a história de Happy End. O curta da República Theca foi exibido em Cannes neste ano e chega ao MUMIA como um dos mais esperados. Segundo Sávio, é um filme maravilhoso, sofisticado e elegante. Uma sequência de encontros improváveis. Toda a montagem é em preto e branco. No Sesc Palladium será exibido dia 6, às 17h e no Cineclube Joaquim Pedro de Andrade, dia 11, às 19h.

 

Espaços

Além dos filmes indicados pelo curador há dezenas de outros que podem ser conferidos no Sesc Palladium, Cine Humberto Mauro, Mis Cine Santa Tereza, Instituto Undió, Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais , Cineclube Joaquim Pedro de Andrade , PUC São Gabriel , C.A.S.A. , Viaduto das Artes, Espaço do Conhecimento UFMG, Espaço comum Luiz Estrela. Clique aqui e confira a programação completa

 

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