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Mostra Feijão Tropeiro levará teatro de Minas para o Festival de Curitiba

O Festival de Teatro de Curitiba é o maior das artes cênicas do Brasil e será realizado de 26 março até 07 de abril.

Por Thiago Fonseca *

26/02/2019 às 09:42 | *Colaborador

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Foto: Lucas Brito / Divulgação - Espetáculo 'Chão de Pequenos'

Foi da inquietação, da vontade de circular com os espetáculos mineiros e sair do quintal de casa que o artista Felipe Soares resolveu criar e inscrever a mostra Feijão Tropeiro no Festival de Teatro de Curitiba. A ideia foi aprovada. Dessa forma, na mostra mineira serão atrações de quatro grupos de BH e região metropolitana.

O evento, o maior das artes cênicas do Brasil, será realizado de 26 março até 07 de abril. Entre os destaques da programação oficial, por exemplo, estão a estreia da nova peça da diretora francesa Ariane Mnouchkine, As comadres e o retorno de Regina Casé aos palcos.

As apresentações da Mostra Feijão Tropeiro contam com teatro, palestras, encontros, bate-papo e gastronomia. Em síntese, todas as ações apresentam a diversidade de vozes da cena contemporânea mineira. Dessa maneira, a programação compartilha uma prática comum na cultura mineira: o encontro no entorno da comida. Assim, com o intuito de comunhão, trocas afetivas e valorização do diálogo, a Mostra une teatro e gastronomia.

“Fiz uma espécie de curadoria e chamou espetáculos diferentes com pesquisa de linguagem e que levantam discussões. O nome da Mostra vem dos tropeiros que circulavam entre os estados e levavam mercadorias para vender a comida ainda é típica do estado e é um alimento diverso que mistura tudo. Essa é a ideia, circular com os espetáculos mineiros e compartilhar as ideias”, explica Felipe, idealizador da mostra. A produção do evento é de Sabrina Rauta.

Programação

O público poderá conferir no Festival a Companhia Espaço Preto, com o espetáculo ‘Ama’, Companhia Negra de Teatro com o espetáculo ‘Chão de Pequenos’, a Preqaria Cia de Teatro, que é de Sete Lagoas, com os espetáculos ‘Amor e ‘A Princesa Gaia’ e, por fim, a Plataforma Beijo com o espetáculo ‘Projeto Maravilhas’.

Além dos bate-papos ‘Arte e Política: O Corpo Queer no Teatro’, ‘Teatro Negro’ e ‘Circulação Independente’. Tem ainda a Confraternização da Mostra Feijão Queimado e parte da gastronomia com a Kombi Kitutu Gourmet, de Kelma Zenaide. “Essa é ainda uma forma de ver como as pessoas pensam teatro em linguagens diferentes, de unir forças, trocar ideias e discutir os modos de fazer teatro”, salienta Felipe.

 

Plataforma Beijo apresentará na Mostra o espetáculo ‘Projeto Maravilhas’ – Foto: Claudio Dias / Divulgação

 

Expectativas

Em sua 28ª edição o Festival de Curitiba é considerado pelos artistas como uma vitrine. Uma vez que, por lá circulam diversos curadores de festivais e jornalistas do Brasil inteiro. É a oportunidade de ser visto e ganhar projeção nacional. Foi o caso do espetáculo ‘Por Elise’, do grupo mineiro ‘Espanca!’, que revelou Grace Passô.

Pela segunda vez em no Festival, primeira atuando em um espetáculo, o ator Bremmer Guimarães, do espetáculo “Projeto Maravilhas”, reafirma que a ida para Curitiba é uma oportunidade de visibilidade, mas além disso, é importante para trocas e relacionamentos. “Para nós é um desejo e intuito de ampliar os horizontes e conectar com artistas”, afirma Bremmer.

Para João Valadares, ator e diretor da Preqaria Cia de Teatro, o Festival de Curitiba é um espaço para ver outras peças e conhecer pessoas. “Ser visto é legal e importante, mas é o de menos. A razão agora é a troca, o fortalecimento, sobrevivendo em tempos duros com parceiros e colaboradores. Como grupo de teatro é muito importante cooperar com outros grupos em uma mostra mineira e é sempre bom visitar outras cidades”, conta João.

Vakinha

Para chegar até Curitiba os 29 envolvidos no projeto, além de enfrentarem mais de mil quilômetros, se deparam com dificuldade financeiras. Para custear os gastos, o grupo conta com parcerias, ajuda de amigos e de um financiamento coletivo online. O Grupo Galpão, por exemplo, é um dos parceiros e levará até a capital do Paraná parte dos cenários. O restante, deverá ser transportado com valor arrecadado na vakinha.

Para a hospedagem e uma alimentação diária, os artistas conseguiram parceria com o Festival e estabelecimentos locais de lá. “Estamos levantando essa mostra na garra e na vontade de fazer teatro em tempos difíceis. O Festival nos subsidia com mil reais. Na arrecadação online pretendemos juntar 20 mil reais para custear principalmente as viagens”, explica Felipe.

 

O espetáculo ‘Outros’, do Grupo Galpão’ também está na programação do Festival de Teatro de Curitiba – Foto: Clarissa Lambert / Divulgação

 

Outros mineiros em cartaz

Esta não é a primeira vez que grupos de teatro mineiros se unem e formam uma mostra no festival. Há alguns anos Chico Pelúcido, diretor do Galpão Cine Horto, foi o precursor. Desta vez, Felipe quis retomar a ideia com outro viés. Nesta edição, o Festival ainda conta com outra mostra de mineiros de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. É a Mostra In-cena 2019 – 4×4. Além de espetáculos mineiros como ‘Outros’, do Grupo Galpão e o ‘Quadro de Todos Juntos’ do Pigmalião Escultura que Mexe na programação oficial. A programação completa você confere clicando aqui.

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