fbpx
Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Mostra Disruptiva tira espectador do lugar comum no CCBB-BH

Por Carol Braga

19/01/2018 às 14:22

Publicidade - Portal UAI
Crédito: Thiago Fonseca

Por Thiago Fonseca*

Pode ser embalado a vácuo, com outra cabeça, gangorrando ou espremido. Na exposição Disruptiva, que integra a programação do FILE – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, o público poderá experimentar sensações inimagináveis dentro de um museu. É chegada a hora do visitante se tornar protagonista, criador e até mesmo obra de arte. São 25 instalações totalmente imersivas. Tem de videogames e animações.

Quem estiver disposto a visitar a exposição terá que ter paciência e tempo. São tantas atrações interativas que você vai querer experimentar uma por uma. Levará tempo, já que são mais de 120 obras. Elas estão agrupadas em quatro eixos: corpo vivencial, cinético, virtual e lúdico. Algumas levam até cinco minutos de duração. Um programa para o dia inteiro. Disruptiva fica montada no CCBB até o dia 19 de março.

PARTICIPAÇÃO

As obras estão espalhadas pelas salas do térreo, no pátio interno e no terceiro andar do Centro Cultural. Na Disruptiva é possível tocar, pular, balançar, imergir, jogar e brincar com a instalação.

Até a década de 1960, tudo isso parecia um tanto esquisito quando pensávamos em galerias e museus. Mas aí surgem as instalações, uma nova linguagem tridimensional. O ambiente ocupado pela arte se transformou. É nesse conceito que caminha a exposição a Arte Eletrônica na Época Disruptiva.

Shrink 01995, de Lawrence Malstaf. Crédito: Thiago Fonseca/Culturadoria

MUDANÇA

“Quando falamos de era disruptiva nos referimos à inovação, criada por Clayton Christensene inspirada no conceito de destruição criativa de Joseph Schumpeter. Nessa exposição pegamos a disruptividade do ponto de vista do público, de como mudou com a arte eletrônica, uma vez que ele se relaciona com a obra de arte de uma maneira diferente, com interação, a vivência e o cinetismo”, explica o curador Ricardo Barreto.

A atenção da exposição é voltada para as sensações que as obras despertam no corpo e na mente. Para entender não é preciso conhecimento prévio, sobre ou autor ou o contexto histórico. Basta sentir e se jogar na experiência.

As instalações também são pensadas para deixar o visitante com uma pulga atrás da orelha. “O público, principalmente os jovens, vão ter contato e vão pensar: como isso foi feito? Como é isso? Será que posso fazer? Isso leva as pessoas a gostarem e a se interessarem por tecnologia e inovação”, ressalta Barreto. O curador enxerga uma mudança de comportamento do público em relação às obras de arte eletrônica e, por isso, aposta no uso das tecnologias. “Vivemos um momento que a tecnologia influência tudo, até a arte”.

 

 

Continua após a publicidade...

AS OBRAS

Shrink 01995, de Lawrence Malstaf, e a Physical Mind, de Teun Vonk são alguns dos destaques da mostra. Na primeira, o visitante entra dentro de duas lâminas de plástico transparente. Um dispositivo suga o ar entre elas, deixa o corpo embalado a vácuo e verticalmente suspenso. Já a segunda proporciona sensações que mudam do desconforto para o relaxamento, pois deita o participante entre dois objetos infláveis, que erguem do chão e os espremem. Quem for claustrofóbico nem pense em passar por perto.

Também merecem destaque: Túnel e Piso, de autoria dos brasileiros Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti. Túnel é uma escultura cinética, imersiva e interativa, composta de 92 pórticos que se desalinham em função da posição e do peso da pessoa que interage com ela. Piso esta no pátio interno do museu e é uma esteira metálica que produz uma onda.

O participante pode ficar em pé ou deitado sobre ela. Quando o dispositivo é acionado, em uma das extremidades, uma onda é acionada e ao passar pelo visitante, ele é levantado. Dá uma sensação de leveza. Atenção: após desembarcar da obra, você pode ficar mole e com as pernas bambas. Mas a experiência é uma das melhores.

Há também obras que abordam a relação entre o movimento real e o digital, físico e sonoro. Em Swing, de Christin Marczinzik & Thi Binh Minh Nguyen, o público se senta em um balanço, usando óculos 3D, que interage com a intensidade do balançar. Uma experiência de quase quatro minutos que te levará a voar para um mundo de maravilhas, passando por bosques ao universo. Ao balançar, você deixa para trás a monotonia insípida do dia-a-dia, encontra um lugar para relaxar a sua mente e recuperar as energias.

Crédito: Thiago Fonseca

INTERATIVIDADE

O que não pode faltar em uma exposição que valoriza o uso de tecnologias é a interatividade. Ela está presente em nove instalações que sugerem a imersão digital, selfies, emoção real e virtual. Em Little Boxes, de Bego Santiago, é a plateia que movimenta a obra. A instalação artística videomapeia projeções com o uso do Kinect; nela, pessoas minúsculas projetadas em caixas. Elas gritam, fogem e se escondem. Isso, produzido pelo movimento do participante. Uma loucura bem divertida.

Em To Reverse Yourself, do coreano Bohyun Yoon, um espelho autônomo cria uma interação híbrida entre dois espectadores, combinando o corpo de um com o rosto de outro, e vice-versa. A exposição ainda abre a possibilidade do jogo e da ludicidade, destacam-se nesse setor: Dear Angelica, de Oculos Story Studio, um filme de realidade virtual, ilustrado à mão, que leva o público a navegar entre desenhos gigantescos em uma narrativa espetacular cheia de memórias de uma adolescente.

O FILE

O Festival Internacional de Linguagem Eletrônica é o maior evento de arte e tecnologia da América Latina. Uma  iniciativa cultural que reflete sobre as principais questões do universo eletrônico-digital. O projeto nasceu em São Paulo, no ano de 2000, e apresenta exposições coletivas com o objetivo de mostrar a diversidade de expressões da arte eletrônica e fornecer uma visão abrangente da produção de cada período em diferentes países. O FILE ainda fomenta o acesso às criações digitais assim como a produção de novas técnicas e experiências tecnológicas.

*Sob a supervisão de Carolina Braga

 

Continua após a publicidade...

photo

Oito dicas culturais para aproveitar o feriado em BH

Este post é dedicado para quem procura uma programação cultural diferente para o feriado do dia 15 de novembro, Proclamação da República. A previsão do tempo é de sol. Dessa forma, vale a pena explorar passeios em parques e a céu aberto em BH. Além disso, há programação especial nos museus e eventos bem legais. […]

LEIA MAIS
photo

Uma seleção do que há de melhor na cultura para as férias da garotada

Julho. Criançada de férias e nada de ficar em casa, pois os espaços culturais em BH têm boas opções, peças teatrais, exposições a uma nova mania entre os pequenos: as oficinais culinárias. Então se programe e leve seu filho para brincar e se divertir!   CCBB – BH Um passeio pelas obras de Basquiat vale […]

LEIA MAIS
photo

No que você deve ficar de olho na próxima Virada Cultural de BH?

Foram três adiamentos e agora a data está garantida. A próxima Virada Cultural de Belo Horizonte está marcada para começar às 17h de sábado, dia 20 de julho até às 17h de domingo, dia 21 de julho de 2019. A expectativa da prefeitura é que o evento atraia cerca de 500 mil pessoas. Ou seja, […]

LEIA MAIS
photo

Lenine leva ‘tecnologia do afeto’ para show em Inhotim

“Confesso que como cidadão nunca vi tanta falta de justeza”, desabafa Lenine. Assim mesmo, usando uma palavra que parece fora do lugar para falar sobre adequação. “É porque a justiça está banalizada. Isso gera um desencanto, essa cor sombria que o projeto ‘Em Trânsito’ tem”, justifica. É também por isso que ele abre o disco […]

LEIA MAIS
photo

Por que você deveria ver os dois filmes mineiros que acabaram de chegar na Netflix?

Quem acompanha o cinema nacional tem vivido uma montanha russa de emoções no noticiário especializado, né? Um dia rola uma notícia terrível sobre a paralisação da liberação de verbas na Ancine. No outro, quatro filmes nacionais são anunciados na programação do Festival de Cannes. É esse tipo de informação que a gente prefere fazer circular […]

LEIA MAIS
photo

La Movida volta à ativa em novo endereço no bairro Floresta

Fim do mistério: a nova casa do La Movida, microteatro bar será no bairro Floresta. Precisamente, na Rua Marechal Deodoro, 308, esquina com Avenida Francisco Sales. Se situou?  Pois é naquela região, que já teve o Teatro Alterosa em atividade, que o projeto liderado por Clarice Castanheira, Marco Túlio Zerlotini e Alice Lucchesi passará a […]

LEIA MAIS