15 maio 2018

BH recebe Mostra de Diretoras Negras no Cinema Brasileiro

Um levantamento da Agência Nacional do Cinema (Ancine) apontou que nenhum filme foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra no ano de 2016. A pesquisa teve como base 142 longas-metragens brasileiros lançados comercialmente em salas de exibição. Deste modo, com o objetivo de incentivar a produção cinematográfica de diretoras negras a ‘Mostra de Diretoras Negras no Cinema Brasileiro’ chega à BH. Será no Sesc Palladium, do dia 15 a 27 maio.

O evento faz retrospectiva cinematográfica, de 1984 a 2017, de diretoras expoentes do cinema negro brasileiro. A  curadoria é de Kênia Freitas e Paulo Ricardo de Almeida. Serão apresentados mais de 40 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens. O evento ainda conta com debate sobre o tema. Após o Rio de Janeiro, Belo Horizonte é a terceira cidade a receber a Mostra, que estreou no ano passado em Brasília.

“A Mostra surge como uma ideia do Paulo Ricardo, após conhecer o trabalho da cineasta Adélia Sampaio e constatar que era necessário conhecer outras cineastas negras pelo Brasil a fora. A ideia é tentar fazer um panorama geral das diretoras negras em atividade no país. Foram escolhidas mais de 20 de diferentes regiões. Em suma, queremos mostrar que existem mulheres negras que fazem cinema”, explica Kênia Freitas que divide a curadoria com Paulo Ricardo.

O tema dos filmes era livre, entretanto, a curadora ressalta que quase todos possuem um teor político, seja ele racial, de relações humanas e/ou afetivas. “Muita gente acha que não existe cinema produzido por mulheres negras, mas existe, e, muito. Falta é informação para que elas sejam conhecidas. Isso se dá pela estrutura racista e machista institucionalizada. Desse modo, é necessário políticas públicas para incentivar a classe”, pontua Kênia.

Cena de ‘Personal Vivator’, de Sabrina Fidalgo – Foto: Reprdoução

Programação

A mostra percorre os trabalhos desde as pioneiras como Adélia Sampaio e Danddara, passando por nomes contemporâneos, como Juliana Vicente, Lilian Solá Santiago, Renata Martins, Sabrina Fidalgo, Yasmin Thayná, Ceci Alves, Tainá Reis, Elen Linth, Keila Serruya, e outras outras.

Entre os mais de 40 filmes, estão “Amor Maldito” (1984), de Adélia Sampaio; “Gurufim na Mangueira” (2000), de Danddara; “Graffiti” (2008), de Lilian Solá Santiago; “Um filme de Dança” (2013), de Carmen Luz; “O Dia de Jerusa” (2014), de Viviane Ferreira; “Kbela” (2015), de Yasmin Thayná; “Rainha” (2016), de Sabrina Fidalgo; e “Maria” (2017), de Elen Linth e Riane Nascimento. Filmes importantes, que de acordo com Kênia, vão além da política e são bem produzidos.

A sessão do dia 24 será especial com de debate com Juliana Vicente e Tatiana Carvalho, às 19h. A programação completa dos filmes você confere aqui. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados meia hora antes da sessão.

[O QUE] Mostra de Diretoras Negras no Cinema Brasileiro [QUANDO] 15 a 27 maio [ONDE] Cine Sesc Palladium – Av. Augusto de Lima, 420, Centro – BH [QUANTO] Gratuito

 

 

Gostou? Compartilhe!

Artigos Relacionados

Bastidores do impeachment: ‘O processo’ e a função de documentar a história

É difícil não se deixar envolver com o documentário O processo, de Maria Augusta Ramos. Seja como for, isso independe de seu posicionamento político. É um filme cansativo, denso e tenso. Se você for de esquerda, ou tiver tendências, vai se incomodar mais. Muito mais. Dá arrepio rever políticos, eleitos, justificando seus votos em nome da […]

Leia Mais

‘Ex-Pajé’: um retrato poético, triste e urgente sobre a erosão da cultura indígena

  Perpera, o ex-pajé, caminha no meio da floresta. Calça preta, gravata da mesma cor. Frouxa. A camisa branca parece ter dois números a mais. O senhor, com pouco domínio do português, também vai ao supermercado. No corredor de frios, precisamente, esmagado entre infinitas marcas de margarina. Mais uma vez, surge a sensação de inadequação […]

Leia Mais

‘Praça Paris’: o olhar do trágico por dentro

‘Praça Paris’ é um filme que te deixa sem ar. Atualiza uma discussão que todo mundo precisa ter acesso: o racismo, o preconceito social, o colonialismo, a relação de poder, e a paranoia. É uma narrativa de imersão. Um suspense que é reafirmado pela trilha sonora, uso de enquadramentos fechados e de primeiríssimo plano. Uma […]

Leia Mais

Comentários