fbpx
Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Monja Coen estará em Minas para duas palestras em junho

A líder zen budista estará em Sete Lagoas no dia 01 e também na abertura do Fliaraxá no dia 19 de junho

Por Carol Braga

29/05/2019 às 18:07

Publicidade - Portal UAI
Monja Coen. Foto: Fernando Rabelo/Divulgação

Ultimamente as conversas com Monja Coen têm virado livro. Com Leandro Karnal, por exemplo, as quatro horas de papo se transformaram em ‘O Inferno somos nós’ (2018). Com Clóvis de Barros Filho, o mesmo tempo deu origem a ‘A monja e o professor’ (2018). Já para fazer o novíssimo ‘Nem anjos, nem demônios: a humana escolha entre virtudes e vícios’ (2019), com Mário Sérgio Cortella, foram oito horas de falas. Desta vez, porém, dividas em dois encontros.

“Como ele é um grande pensador, tem uma memória incrível, na primeira parte fiquei muito quieta, só ouvindo. Ele é uma referência para mim”, conta com a calma e a lucidez que lhe são peculiares. Mas as longas conversas com Monja Coen não são privilégio de Karnal, Clóvis ou Cortella. Basta ir a uma das palestras que dá pelo Brasil que saberá o quanto o momento ao lado dela sempre flui de forma impressionante.

Em junho, ela que é presidenta do Conselho Religioso da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil, tem pelo menos dois compromissos em Minas. No dia 01, estará em Sete Lagoas para falar sobre A importância da vida e o Novo Ser durante o Spiritual Reconection. Já no dia 19 de junho, abrirá pela segunda vez consecutiva o Fliaraxá.

Compaixão e Empatia

Independentemente do tema, seja nos livros, nas palestras, no YouTube (são um milhão de inscritos) ou em uma simples entrevista, o encontro com Monja Coen vem sempre carregado de ensinamentos. O objetivo dela é ser a transformação que deseja no mundo. Sendo assim, ao perceber que o processo meditativo pode contribuir para o ser humano e a sociedade, utiliza todos os canais que tem para disseminar práticas e ideias que girem em torno disso.

Mantém um ritmo impressionante de produção. Para se ter uma ideia, somente em 2019 já são quatro lançamentos diferentes. Além de Nem anjos nem demônios, tem Aprenda a viver o agora: Conceitos de zen-budismo e atenção plena para praticar em até 10 minutos; A sabedoria da transformação: Reflexôes e experiências e Verdade?. Além destes, Monja Coen já escreveu também sobre depressão em O Sofrimento é Opcional.

Segundo ela, o mundo contemporâneo estimula a violência, a raiva, a falta de compreensão. No entanto, mais do que combater ou enfrentar isso tudo, ela recomenda que saibamos atravessar as adversidades. “Temos maneiras diferentes de nos posicionarmos no mundo. Quando alguém pensa diferente de você, é até interessante. Posso não concordar, mas compreender”, diz. Eis um desafio.

Essa é uma das questões abordadas no livro mais recente, criado a partir da conversa com Mário Sérgio Cortella. ‘Nem anjos, nem demônios: a humana escolha entre virtudes e vícios’ fala sobre escolhas. “Estamos o tempo todo escolhendo, mas não somos o tempo inteiro éticos ou demônios. Passamos por estas etapas”.

Mas, sendo a vida feitas de escolhas, há que saber fazê-las, não é mesmo? “Para isso é bom ter referência. Você encontra nas artes, na literatura, a música, no cinema, nas tradições espirituais. Tudo isso nos ajuda com referenciais para as nossas escolhas”.

“O tempo do mundo e o tempo de cada um”

Monja Coen estará no Fliaraxá para falar sobre o tempo. Sobre o tema, segundo ela, o desafio é compreender que a existência é o tempo. “O tempo da sua vida é o tempo do mundo. É o seu mundo”, comenta. Mesmo assim, devido aos adventos tecnológicos, ela reconhece uma ansiedade do homem de querer fazer parte de tudo. Há um sofrimento em relação ao tempo.

Nem adianta tentar. É humanamente impossível acompanhar tudo ao mesmo tempo. Quem tem experimentado manter mensagens de Whatsapp e e-mail atualizadas, por exemplo, deve estar angustiado com o volume e a impaciência geral. Nesse caso, o conselho de Monja Coen é até repetitivo. Em síntese: aprenda a fazer escolhas. “Toda escolha envolve um sofrimento”.

 

Monja Coen autografa livros durante Fliaraxá 2018. Foto: Daniel Bianchini/Divulgação

 

Verdade?

Como Monja Coen explica, o budismo tem entre seus alicerces compaixão e sabedoria. “Quando reconheço o outro como semelhante, lhe quero bem”. O desafio do mundo de hoje tem sido, apesar de tudo, justamente reconhecer o igual e conviver com o diferente. “O budismo diz sobre a capacidade de perceber o outro como você. Não está acima de você”.

Talvez ela nem tenha a dimensão disso mas, se você reparar bem, os livros dela sempre contribuem no processo de desenvolver a sabedoria das pessoas. Ou seja, estimular escolhas mais conscientes. No início de 2019, além da parceria com Cortella, lançou também Verdade?. Sim, uma pergunta.

Nele, Monja Coen parte de frases consagradas como verdades historicamente e começa a questionar. Estão entre elas, por exemplo, lugares comuns como “Deus escreve certo por linhas tortas” ou “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. “Eu prefiro pássaro solto. Vamos olhar isso em profundidade? Será que eu preciso mesmo ter as coisas”, provoca.

O livro também debate jargões relacionados ao nosso país. Entre eles, as frases feitas “O Brasil não presta”, “O Brasil não tem jeito”. “Pare de falar coisas que não são verdadeiras. A gente vai se destruindo. O que acontece aqui, acontece no mundo todo”, pontua.

Ensinamentos de Brumadinho

Para Monja Coen, devemos prestar mais atenção não apenas naquilo que falamos mas também a forma como reagimos ao que faz parte do nosso contexto. Tragédias como a de Brumadinho, por exemplo, tem muito a ensinar sobre os descuidos cotidianos de cada um consigo mesmo.

“Brumadinho é muito simbólico para a nossa vida. Você está em um relacionamento com rachaduras? Ou você conserta agora ou pode ser drástico. Se tem um problema, uma dificuldade, precisa encontrar uma solução. Os problemas têm que ser resolvidos antes de se tornarem catástrofes”, recomenda.

Segundo ela, por mais que o momento histórico estimule a posicionamentos contrários a todo momento, é preciso ter cuidado para não estimular mais raiva. Monja Coen lembra: “Você é a transformação que quer no mundo”. Somos feitos de virtudes e vícios. Faça as melhores escolhas.

Serviço

[O QUE] Monja Coen em Sete Lagoas – Spiritual Reconection [QUANDO] 01 de junho, de 15h às 20h [ONDE] Rua Professor Abeylard, 4190 – Jk, Sete Lagoas – Minas Gerais, 35702-181 [QUANTO] R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia) [COMPRE AQUI] 

[O QUE] Monja Coen no Fliaraxá [QUANDO] 19 de junho, 20h  [ONDE] Tauá Grande Hotel de Araxá [QUANTO] Gratuito – Inscreva-se aqui

 

Confira aqui outros eventos recomendados pelo Culturadoria

photo

Tom Farias lança biografia de Carolina Maria de Jesus no Fliaraxá

Carolina Maria de Jesus foi uma escritora brasileira, uma das primeiras a ganhar esse título sendo uma mulher negra. Nasceu em Sacramento, Minas Gerais, microrregião de Araxá. Contudo, viveu boa parte da vida na Favela do Canindé, zona norte de São Paulo. Durante todo esse tempo, Carolina Maria de Jesus cuidava de si mesma e […]

LEIA MAIS
photo

Aladdin: impressões sobre a versão live-action de Guy Ritchie

Quando procurei as primeiras informações sobre Aladdin me surpreendi com o fato da produção da Disney ter sido um lançamento do ano de 1992. Tinha impressão de que era mais antiga. O fato de não ser é um sinal do quanto o desenho sobre o jovem ladrão que se apaixona pela princesa Jasmine marcou. Naquela […]

LEIA MAIS
photo

O que são ‘easter eggs’ e por que eles povoam o mundo do cinema?

Os ‘easter eggs’ estão com tudo. O termo parece estar em todo lugar quando o assunto é cinema ou séries de TV. Mas, afinal, o que são os ‘easter eggs’? Quando surgiram? Para que, de fato, servem os mesmos? Atualmente, sobretudo com o sucesso do Universo Cinematográfico da Marvel Studios, o termo se tornou mais […]

LEIA MAIS