Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Portas: Marisa Monte sem surpresas 10 anos depois. E continua ótima!

Novo disco foi lançado no dia 01 de julho. Foi produzido pela própria Marisa Monte, em parceria com Arto Lindsay
Marisa Monte lança álbum Portas. Foto: Leo Aversa/Divulgação
Marisa Monte lança álbum Portas. Foto: Leo Aversa/Divulgação

Sabe o que é o melhor do disco da Marisa Monte? Ela não tem o menor receio em ser ela mesma. A cantora não cai na tentação de inovar e, assim, Portas é um alento para quem gosta da fina MPB que ela sempre fez ao longo da carreira. 

São 16 faixas, todas curtinhas e com refrões que vão te fazer sair cantando mesmo tendo ouvido apenas uma vez. O álbum todo tem 48 minutos de duração. Ou seja, passa super rápido e com muita fluidez. É como se uma música conversasse com outra. 

Calma (Marisa Monte e Chico Brown), o primeiro single lançado, por exemplo, traça um diálogo perfeito com Pra Melhorar (Marisa, Seu Jorge, Flor), que encerra o álbum. A letra diz: “Lá vem o sol / para derreter as nuvens negras / para iluminar o fim do túnel / e a luz do céu para inspirar o seus desejos / pra fazer você encher o peito e cantar”. 

Portas (MM, Arnaldo Antunes, Dadi), a canção que dá nome ao disco, é mais lenta e fala sobre escolhas. Tem horas que é preciso deixar uma porta aberta mesmo para entrar ar, né? 

Amores e ex-amores

Como sempre fez ao longo da carreira, Marisa Monte canta para que os casais criem suas trilhas sonoras. O tom romântico se alterna com um anti-romantismo em Déja Vu (MM, Chico Brown), Quanto tempo (MM, Pretinho da Serrinha e Pedro Baby), Medo do Perigo (MM e Chico Brown), Fazendo cena (Marisa e Chico Brown) e Totalmente seu (Marisa Monte, Leandro Silva e Lúcio Silva (sim o Silva!)), que tem arranjos de Marcelo Camelo. Aliás, ele marca presença em três faixas como compositor. 

É o único que assina uma música sozinho: a linda Espaçonaves. Cheia de metáforas, como é uma marca do trabalho dele. Digamos que é uma canção que conversa mais com o tema “autoconhecimento” do que com a vibe romântica. Já o amor aparece em forma de diálogos em Sal (Marisa Monte e Marcelo Camelo) e Você não liga (Marisa Monte e Marcelo Camelo). 

Natureza

É curioso como o reencontro com grandes parceiros da carreira como Arnaldo Antunes e Nando Reis gerou canções com temas mais ligados à natureza. Em A língua dos animais (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Dadi), Praia Vermelha (MM e Nando Reis). Vagalumes (Marisa Monte e Arnaldo Antunes) é um fado, metafórico e poético.

Na música Em qualquer tom (MM e Chico Brown) fala sobre o próprio ofício. Por fim, Marisa Monte não seria fiel a si mesma se não homenagear a Portela como bem faz em Elegante amanhecer, parceria com Pretinho da Serrinha.

Álbum visual de Marisa Monte

Mais que sonoro, Portas também é um álbum visual. O trabalho da artista plástica Marcela Cantuária está em completa sintonia de energia. Para além da qualidade estética, música e pintura estão na mesma página na missão de transmitir uma mensagem de otimismo. Sendo assim, as cores, as pinceladas fortes de Marcela, contribuem para reforçar cada nota musical cantada por Marisa Monte. 

No material de divulgação do disco, a cantora contou que a parceria com a Marcela veio também para equilibrar o ambiente masculino do meio musical. “Trabalhamos numa troca intensa de referências, num diálogo profundo entre nossos diferentes campos artísticos, durante dois meses, para que ela criasse essa série de pinturas chamada ‘Portas’. Com seu olhar e traço virtuoso, ela criou um imaginário que potencializou e deu forma às canções. Obrigada, Marcela.”, escreve Marisa Monte.

Em tempo: vale conferir as impressões do colega Pedro Antunes, no Uol. Gosto bastante da forma como ele escreve!

Marisa Monte lança álbum Portas. Foto: Leo Aversa/Divulgação
Marisa Monte lança álbum Portas. Foto: Leo Aversa/Divulgação

[ COMENTÁRIOS ]

[ NEWSLETTER ]

Fique por dentro de tudo que acontece no cinema, teatro, tv, música e streaming!