Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

“Formigas”, de Mário Alex Rosa, ganha nova edição

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Primeiramente publicado pela extinta CosacNaify (2012), “Formigas”, de Mário Alex Rosa, sai agora pela Impressões de Minas

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Quem nunca se flagrou observando os interessantes percursos que as formigas fazem, quase como pequenos exércitos, seja no ambiente doméstico ou na natureza? Fora os hábitos curiosos, como, de um minuto para outro, aproveitarem um leve descuido de quem está na cozinha e adentrarem, determinadas, potes de açúcar ou mesmo restos de alimentos salgados. O escritor mineiro Mário Alex Rosa é um dos que admitem o fascínio pelos “insetos eussociais da família Formicidae que, junto às vespas e abelhas relacionadas, pertencem à ordem Hymenoptera”.

Mário Alex Rosa, que autografa a nova edição de "Formigas" (Isabella Rosa/Divulgação)
Mário Alex Rosa, que autografa a nova edição de "Formigas" (Isabella Rosa/Divulgação)

Tanto que, 12 anos atrás, dedicou um livro só a elas. Problema: a edição estava fora de catálogo. Portanto, é com a sensação de estar apresentando um livro novinho em folha que Mário Alex festeja a volta da obra ao mercado, agora com a chancela da editora Impressões de Minas. O lançamento acontece neste sábado, 18 de maio, no Mama/Cadela, espaço independente e galeria de arte. No dia do evento, vai ter carrinho de pipoca, contação de história com Pierre André e exposição e venda de gravuras de Wallison Gontijo (um dos nomes à frente da Impressões de Minas) inspiradas no livro.

O embrião de tudo

Foi em 2012 que o escritor Mário Alex Rosa estava no ponto de ônibus, esperando a condução para ir trabalhar. Ali, naquele hiato, passou a observar as formiguinhas trilhando um caminho em um muro. Foi quanto surgiu, na mente dele, uma nova história direcionada ao público infantil. “Ali mesmo peguei um caderno que eu trazia na mochila e, assim, escrevi um primeiro rascunho. Depois, em casa, passei o material a limpo”. Na verdade, Mário Alex salienta que sempre foi um observador da natureza, e, em particular, dos bichos. “Não importa se selvagens ou domésticos, de estimação”.

Assim, as formiguinhas sempre estiveram no escopo de interesse do poeta. “São insetos que geralmente estão presentes no nosso dia a dia, no nosso ambiente doméstico, seja andando pelas paredes, sobre a mesa, perto do açucareiro – porque adoram açúcar. Então, sempre gostei de observar esses bichinhos – na verdade, acho que todo mundo, um hora, faz isso, sobretudo as crianças. Assim, imaginei essa trilha das formigas e um menino que as observa e coloca o dedo dele. Daí, acontece algo que não vou revelar”, diz um brincalhão Mário Alex, fazendo mistério.

Plaquete

Naquele ano de 2012, ele fez uma primeira edição da obra – na verdade, uma plaquete, com 30 exemplares, que foram distribuídas para os amigos. “Na época, uma amiga, a Lilian Teixeira, designer, montou, comigo, uma trilha para as formiguinhas. Posteriormente, um amigo também gostou e me perguntou se poderia mostrar o material para a grande escritora Angela Lago (1945 – 2017) dar uma olhada. E ela, por sua vez, adorou e perguntou se porventura eu tinha interesse em publicá-lo (no formato livro)”.

Primeira edição

Dessa forma, o material foi encaminhado à editora CosacNaify. “Ou seja, a primeira edição saiu por lá, com ilustração da Lilian Teixeira e projeto gráfico da Flavia Castanheira, que, sinceramente, fez algo fabuloso para a época. Um livro sanfonado, pequenino, que funcionou muito bem”. E lá foi o livro fazer a própria trabalho.

Como todos bem sabem, a CosacNaify interrompeu as atividades (NR. na verdade, agora, um dos sócios, Charles Cosac, está retomando as atividades da casa editorial, que, agora, se chamará apenas Cosac). Assim, ficou, em Mário, a vontade de um dia dar, àquele material, uma nova chance. “Então, fiz uma proposta para a (editora) Impressões de Minas, que já tinha publicado o meu livro ‘Casa’. E eles convidaram o designer e tipógrafo Mário Vinícius, que também fez um trabalho gráfico excelente, ao meu ver, bastante conceitual”.

Retorno

O novo “Formigas” tem as seguintes dimensões: 20 × 30 cm. “É um livro grande, bem diferente do da Cosac. Aliás, hoje considero que é um livro novo. Inclusive, houve uma pequena mudança no texto. Acho que as crianças vão curtir – e os adultos também”. Na verdade, Mário Alex gostaria inclusive que a nova edição gerasse retornos quanto ao conteúdo. “Portanto, que todos fizessem suas críticas. Afinal, a gente escreve para os outros comentarem, independentemente se é algo negativo ou positivo”.

O autor prossegue: “Eu, pelo menos, aprendo muito com qualquer uma delas (críticas positivas ou negativas). Faz parte. Ninguém pode achar que está escrevendo um grande livro, uma grande história. A gente vai escrevendo, testando. Às vezes acerta mais, às vezes menos. No caso de ‘Formigas’, acho que elas estão aí, trilhando um caminho, tanto na primeira edição, que foi muito bem recebida, como agora, quando espero também ser bem recebido pelo público em geral”.

Reflexões

Perguntado qual a reflexão que o livro propõe ao público leitor, Mário Alex pondera. “Na verdade, acho que todo livro tem suas reflexões, e cada leitor faz uma avaliação boa ou ruim, enfim. A crítica é aberta, Mas ‘Formigas’, eu vejo como um livro que tenta até desconstruir um pouco aquela ideia da famosa fábula da Cigarra e da Formiga, Nela, como se sabe, a cigarra está cantando e as formigas trabalhando. Depois, a cigarra (diante do frio) passa necessidade e, assim, quer a comida da formiga. Enfim, aquelas coisas de fabula que tem sempre uma moral. Eu não procuro nenhuma moral nos meus livros”.

Na verdade, muito pelo contrário, afiança. “Gosto mais da poeticidade, da brincadeira, da invenção, do gracejo. Assim, de não procurar nenhuma moral para isso ou para aquilo. Tanto que, no fundo, acho que as formigas trabalharam felizes por estarem ouvindo o canto das cigarras. É até mesmo um privilégio, estar trabalhando e terem uma boa música, uma boa cantoria. Sendo assim, nos meus livros infantis, nos que têm bichos, não procuro trazer nenhum tipo de moral”.

Sem infantilismos

E qual seria o objetivo principal de Mário Alex? “Levar alegria, diversão. Claro, sempre com a preocupação de o livro estar bem escrito. Ter um texto agradável. Mas sem infantilismos, sem infantilizar o texto. Tentando equilibrar bastante, nesse universo das crianças. Mesmo porque, elas sabem muito bem ler, fazer as críticas. Aliás, não acho fácil escrever para crianças. Mesmo esse termo ‘escrevo para crianças’. Eu escrevo para todo mundo. Mas quando percebo que é algo destinado especificamente a esse universo, entendo que é preciso ter esse cuidado com o vocabulário”.

O poeta Mário Alex Rosa lembra que o poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta brasileiro José Paulo Paes falava sobre isso, que nunca foi fácil escrever para crianças. “Porque a gente tem que ter um repertório profundo para poder dar conta desse mundo tão inventivo, criativo, tão cheios de sonhos. As crianças são verdadeiras maluquinhas, no bom sentido. Elas têm um jeito de olhar para o mundo que o adulto acaba deixando para trás”.

Observação aguçada

No caso das formiguinhas, Mário pontua que, por vezes, o adulto nem está reparando a trilha formada pelas formigas. “Mas as crianças sim, estão olhando, colocando o dedinho perto das formiguinhas. Às vezes, acabam até espalhando (os insetos). Isso é uma observação das crianças. Então, às vezes eu procuro ser uma criança, me tornar uma nessas horas, para poder dar conta desse universo tão fabuloso”.

Serviço

“Formigas”, de Mário Alex Rosa

Quando. Sábado, 18 de maio, a partir de 15h
Onde. Mama/Cadela (@mama_cadela) (Rua Pouso Alegre, 2.048, Santa Tereza)

Atrações:

16h às 17h – Carrinho de pipoca
17h às 18h – Contação de história com Pierre André e exposição e venda de gravuras de Wallison Gontijo inspiradas no livro

“Formigas” está à venda no site Impressões de Minas

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