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“O avesso do bordado”: com quase sessenta anos de carreira, Marco Nanini lança biografia

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Em entrevista ao Culturadoria, Marco Nanini fala sobre biografia e trajetória na arte

Por Helena Tomaz | Assistente de Conteúdo

É fato: são muitos os atores que contribuíram para a história da teledramaturgia brasileira. No entanto, são poucos os que alcançaram o feito de, através de seus personagens, entrar para o imaginário dos brasileiros da forma como fez – e faz – Marco Nanini. Quem não se lembra, por exemplo, do corretíssimo Lineu Silva, do seriado “A Grande Família”? Ou, ainda, do cangaceiro Severino, de “O Auto da Compadecida”, um dos maiores clássicos do cinema brasileiro? Aliás, na sétima arte, ele também deu vida a ninguém mais, ninguém menos que Dom João VI, mas em uma versão diferente de qualquer representação prévia do monarca. Mais recentemente, arrancou elogios por sua performance em “Greta”, com direito a cenas de nudez.

Marco Nanini e Ney Latorraca em "O Minstério Irma Vap". Foto: Flavio Colker

“O Avesso do Bordado”, biografia de Marco Nanini lançada pela Companhia das Letras, leva esse nome exatamente pela habilidade do ator em “costurar” perfeitamente seus personagens e dar vida às histórias. Escrito por Mariana Filgueiras, o livro é fruto de um processo de escrita e investigação da vida do autor que levou mais de três anos, incluindo quase cem entrevistas – 30 delas, feitas com o próprio Marco Nanini. Em entrevista ao Culturadoria, o ator, que aterrissa em Belo Horizonte para sessões de autógrafos da obra e para apresentar o filme-peça “As Cadeiras”, no Teatro Feluma, conta mais sobre o processo e sobre os quase 60 anos de carreira. 

Logo no início de 2023, teve o lançamento de “O avesso do bordado”, sua biografia, escrita pela Mariana Filgueiras. Qual foi o pontapé para esse projeto? E por que a escolha por não fazer uma autobiografia?

Foi um convite na realidade, feito pela editora Companhia das Letras. Não era uma ideia que eu tinha em mente. Sobre ser uma autobiografia, eu já sinto que conto tantas histórias através dos personagens que interpreto, acho justo que alguém conte a minha não é mesmo? 

Logo no início do livro, a Mariana conta ao leitor que foram mais de trinta entrevistas feitas com você durante três anos. Como foi rememorar a sua trajetória nesse processo? 

Biografias são sempre mergulhos em histórias e uma visita às memórias do passado. Algumas maravilhosas e outras dolorosas. Foi preciso um tanto de coragem, mas me senti movido pelo convite e muito à vontade com toda a condução das entrevistas feitas pela Mariana Figueiras.

Capa de “O avesso do bordado”. Companhia das Letras.
Durante a sua formação, você morou em diferentes cidades do Brasil, acompanhando sua – como definido pela Mariana – família itinerante. Acredito que seus personagens refletem um pouco disso, porque, em geral, são figuras profundamente brasileiras. O que te inspira no Brasil?

Além da família itinerante, tive, graças a minha profissão de ator, a oportunidade de conhecer o Brasil inteiro. Um privilégio entender a imensidão cultural do nosso país. Paisagens tão diversas e exuberantes, pessoas e sotaques tão únicos. Não saberia responder o que mais me inspira. Poderia dizer que ultimamente o que tem me inspirado é a nossa natureza. Tenho um sítio no estado do Rio e posso ficar horas apenas admirando a beleza da vegetação e ouvindo o canto dos pássaros. 

Você tem quase sessenta anos de carreira, em que fez os personagens mais diversos possíveis. O que continua a te impulsionar, a te interessar, no teatro? O que você ainda pretende explorar?

Personagens me inspiram, histórias me inspiram, diretores e criadores me inspiram. Então eu diria que me sinto inspirado pela possibilidade de fazer parte de uma obra (seja ela teatral, televisiva ou cinematográfica) pelo seu conjunto. Um projeto é feito de inúmeras colaborações, e eu preciso acreditar em cada uma delas. 

“As cadeiras” teve um processo de produção um pouco diferente do habitual, já que foi filmada durante o isolamento provocado pela pandemia de covid-19. Pouco tempo depois, a Camila Amado, que contracena com você, faleceu. Como foi lidar com essas situações, tão delicadas, durante e após a produção do espetáculo? E como você as vê agora, dois anos depois?

O processo das filmagens foi de certa forma muito bom. Estávamos trabalhando, em um momento tão delicado. O set que filmamos As Cadeiras parecia uma sala de emergência, os equipamentos de EPI, todas as regras de higienização, mas eu e Camilla estávamos felizes de trabalhar juntos novamente. Ela já estava doente durante nossos ensaios, e por mais que a gente tente se preparar e saiba que um dia todos iremos embora, é sempre uma tristeza perder quem amamos. Sou muito grato por ter realizado este último trabalho com ela. Sinto que seguimos juntos. 

Serviço:

As Cadeiras

25 de agosto (sexta-feira)

20h – Exibição do espetáculo

O ator Marco Nanini e o diretor Fernando Libonati estarão presentes para conversar com o público sobre o processo de criação e filmagem antes da exibição.

26 de agosto (sábado)

18h as 19h – Sessão de autógrafos – “O avesso do bordado: Uma biografia de Marco Nanini”

20h – Exibição do espetáculo

O ator Marco Nanini e o diretor Fernando Libonati estarão presentes para conversar com o público sobre o processo de criação e filmagem antes da exibição.

27 de agosto (domingo)

17h – Exibição do espetáculo

O ator Marco Nanini e o diretor Fernando Libonati estarão presentes para conversar com o público sobre o processo de criação e filmagem antes da exibição. Logo após, roda de conversa com a participação do Diretor Fernando Libonati.

Local: Teatro Feluma

Endereço: Alameda Ezequiel Dias, 275 – 7º Andar – Centro, Belo Horizonte – MG

Classificação indicativa: 12 anos

Duração: 67 minutos

Ingressos: R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia)

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