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Marcio Abreu: “Um país sem a sua arte é um país adoecido”

Marcio Abreu participou do Show da tarde, que vai ao ar todas as quartas-feiras pelo nosso Instagram, e falou sobre a encenação da peça "Maré" no projeto Escutas Coletivas

Por Jaiane Souza *

26/08/2020 às 19:34 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Foto: Bob Souza / Divulgação

Manter o contato com outras pessoas e se concentrar em atividades são alguns dos maiores desafios atualmente. Quando pensamos na arte, essa relação é ainda mais delicada, uma vez que as pessoas a estão consumindo de uma forma diferente agora. Pensando nisso, Marcio Abreu, fundador da companhia brasileira de teatro, criou o Escutas Coletivas, uma experiência sonora teatral.

“Primeiro que é uma maneira da gente se conectar com o nosso e com outros públicos de algum modo neste momento em que estamos bastante impedidos de realizar nossas atividades”, explica o artista, dramaturgo e diretor Marcio Abreu. A peça é apresentada nos dias 29, 30 e 31 de agosto pelo Sympla. Ele participou do Show da Tarde, que vai ao ar todas as quartas-feiras no nosso Instagram.

Maré foi escrito em 2015 por Abreu e encenado pelo Grupo Espanca de BH. Depois disso, o contato do diretor com o texto se deu apenas no formato escrito, quando o publicou junto com PROJETO bRASIL pela Editora Cobogó. Mesmo assim, é uma produção que reverbera. Por exemplo, foi traduzido e vai ser publicado na França. “Então, nós da companhia resolvemos revisitar esse texto com uma proposta não só de encenação online, mas pensando como a gente poderia ativar esse encontro à distância”, explica Marcio. 

O formato

O texto da peça é uma manifestação artística à chacina que ocorreu no Complexo da Maré, um dos maiores complexos de favelas da cidade do Rio de Janeiro, em 2013. Pensando em chacinas cometidas pela polícia e pelo crime organizado, o texto foi construído e será encenado pelas vozes de Cássia Damasceno, Fabio Osório Monteiro, Felipe Storino, Giovana Soar, Grace Passô, Key Sawao e Nadja Naira. O desenho sonoro ficou a cargo do músico e compositor Felipe Storino. 

Dessa forma, o Escutas Coletivas vai ser dividido em três movimentos. O primeiro é composto por uma apresentação/prólogo feito por Marcio Abreu para apresentar e contextualizar a ação. No segundo é feita a execução da obra por cerca de 40 minutos. E o terceiro é composto por um debate entre o público e a equipe criativa. 

Imagem sonora

Nessas experiências virtuais falta o contato físico. “Você perde o corpo e tenta ganhar uma dimensão de produção de imagens sonoramente. Voz em determinado sentido também é corpo. Então, como a gente consegue ativar a experiência nesse campo sonoro é o foco”, destaca Marcio Abreu. Mesmo assim, a ideia é manter a sensação de que público e artista estão juntos vivendo o mesmo momento, conectados pela ação. 

Maré é uma peça que convida para isso, para uma conversa, mas também para 40 minutos de concentração em um material sonoro específico, que é um texto de teatro”, destaca Abreu, que se incluiu no grupo de pessoas que estão com dificuldades de se conectar mais profundamente com a leitura e outras experiências artísticas.

Curso Dramaturgias do hoje e do amanhã

Marcio Abreu está oferecendo a segunda turma do curso expositivo que aborda de forma contextual, relacional e analítica, repertórios dramatúrgicos e processos criativos associados à experiências de criação e pesquisa feitas junto à companhia brasileira de teatro; além do Grupo Galpão e outros coletivos e artistas. Só para exemplificar, são nomes como Paulo Leminski, Julio Cortázar, Jean-Luc Lagarce, Grace Passô e Alexandra Badea. As inscrições são pelo Sympla, custam R$ 60 e o curso é realizado em 1, 3, 5, 8 e 10 de setembro.

Marcio Abreu tem extensa experiência no teatro e desenvolve projetos de pesquisa e criação de dramaturgia própria, encenação de autores contemporâneos e releituras de clássicos. Além disso, faz questão de se afirmar como artista.
“Eu acho que se afirmar como artista no mundo de hoje, no qual nós artistas somos alvo de extermínio é uma ato de afirmação coletiva, de um modo de existência no mundo. Então, a arte tem uma importância inominável. Um país sem a sua arte é um país adormecido”, conclui.

Marcio Abreu

Cena da peça Por que não vivemos? Da companhia brasileira de teatro. Foto: Nana Moraes / Divulgação

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