Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Manu Dias comprova maturidade no samba em primeiro disco

Sambadear, o primeiro disco de Manu Dias, foi produzido por Thiago Delegado e Alexis Martins

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“Gosto desse lugar do samba como centro das atenções”, diz a cantora Manu Dias. Pois é assim, ocupando um nobre palco teatral, o Teatro Sesiminas,  que ela lança o primeiro disco da carreira, Sambadear. O show será nesta quinta (11/04). “Fico feliz em ver o samba nas periferias. É esse seu histórico. Mas eu gosto da ideia de estar no teatro. O Samba merece esse lugar de carinho, de atenção”, argumenta.

Ela está coberta de razão. Ainda mais quando se trata deste álbum. Produzido por Thiago Delegado e Alexis Martins, todas as composições têm o que dizer para além do ritmo contagiante. São 10 faixas, assinadas pela própria Manu Dias, por Toninho Batista e outros nomes de peso como Serginho Beagá, Lado Raízes, Evandro Mello, Xico Queiroz, Fabio Martins, Luiz Carvalhais, Alexis Martins, Ricardo Barrão.

Passado e presente

Embora de compositores diversos, as faixas têm em comum duas temáticas. Primeiramente, a reverência aos grandes mestres do samba, homens e mulheres. Da mesma forma, a força do feminino. Sim, ele sempre esteve presente no samba.

Foto: Luiza Bongir / Divulgação.

“Esse disco vem para falar de onde vem a minha fonte”, diz ela. Ou seja, nomes como os de Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Severina, Leci Brandão, Alcione e outras são verbalmente citados. Dessa maneira, nas músicas criadas pela própria Manu, a temática ganha mais intensidade.

Por exemplo, Filha do criador foi a canção escolhida para ser o primeiro single do disco, que já está disponível nas plataformas de streaming. “Eu senti necessidade de fazer uma letra em que eu conseguisse dialogar com essas mulheres, essas mulheres negras. Sobre o orgulho que a tem que sentir. Hoje estamos em um lugar de respeito”, diz.

Segundo Manu, a letra “veio de uma vez” só. “Estava buscando uma força pra mim e ao mesmo tempo para as outras mulheres. Queria falar sobre a dificuldade de aceitação, do preconceito racial”, conta. Com as palavras já escritas, a cantora ligou para Thiago Delegado e passou para ele a tarefa de musicar.

 

Manu Dias. Foto: Luiza Bongir/Divulgação

 

Origens  

Certamente, foi pelos bares da vida, literalmente, que a Manu Dias foi se tornando cantora. Filha do músico e compositor, Toninho Batista, ela começou a cantar com pai aos 13 anos. “A gente fazia uma dupla, cantava em festas particulares em um projeto que era um trio de voz, violão e bateria”, conta.

O tempo passou e Manu quase não se dá conta de que já tem mais de 20 anos de carreira. Basta uma primeira audição para se perceber o quanto a moça entende do cortado. Desde os cinco anos de idade ela vive em Belo Horizonte. A família, porém, tem as origens em Ouro Preto e foi pelos bares de lá que ela acompanhava o pai.

Para Manu, lançar o primeiro disco aos 36 anos de idade tem um significado. “Foi bom gravar agora pois veio com toda essa maturidade, essa experiência”, diz. A cantora reconhece que tem um jeitinho mineiro implícito nesse tempo. “Fui observando as rodas de samba, olhando como era a presença das mulheres, a quantidade, o respeito. Fiz todo um trabalho de pesquisa”.

Repertório

Na hora de escolher o repertório, a parte mais difícil, segundo ela, foi escolher composições do pai para gravar. Selecionou duas. A que da nome ao disco, ‘Sambadear’, Toninho Batista fez de presente para ela.  Já ‘Realmente Mulher’ é mais antiga. “Ele tocava nas resenhas que fazia lá em casa. Me faz lembrar muito da Alcione. Ela sempre fala de amor como ninguém”.

Assim, falar de amor é outra premissa desse disco. ‘Eterno se fez’, canção de Evandro Mello e Xico Queiroz é uma das mais românticas. “Nesse disco eu quis falar do amor, da esperança, de cantar a alegria. Sou uma pessoa muito positiva. Apesar das dificuldades, acredito que as coisas vão melhorar”.

 

[O QUE] Show de  Manu Dias [QUANDO] 11  de  abril,  quinta  feira, às 21h [ONDE] Teatro SESIMINAS  Rua Padre Marinho,60- Santa Efigênia, Belo Horizonte/MG [QUANTO] R$20 [COMPRE AQUI]

 

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