Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Jards Macalé fala de seu 13º disco, “Coração Bifurcado”

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Aos 80 anos, completados em março último, o violonista, cantor e compositor Jards Macalé celebra o amor no álbum

Patrícia Cassese | Editora Assistente

“Coração Bifurcado”, 13º disco de inéditas do violonista, cantor e compositor Jards Macalé, tem uma linha condutora que o próprio artista aponta de pronto, sem hesitação: o amor. Claro, não é a primeira vez que o carioca, que em março deste ano completou 80 anos, se debruça sobre este tema, mas a verdade é que o novo álbum, lançado pela Biscoito Fino, traz uma série de (boas) novidades. Entre as quais, a concretização da sonhada parceria com o compositor e produtor musical Ronaldo Bastos. E foi por ela, aliás, que a entrevista ao Culturadoria teve início.

Jards Macalé, que lançou o disco "Coração Bifurcado", o 13º de sua carreira (Leo Aversa/Divulgação)
Jards Macalé, que lançou o disco "Coração Bifurcado", o 13º de sua carreira (Leo Aversa/Divulgação)
A capa do novo disco de Macalé, que chega ao mercado pela gravadora Biscoito Fino

“Na verdade, eu queria ter composto, me aproximado mais do Ronaldo Bastos, já há muito tempo. Acabou sendo um amigo comum que finalmente fez com que isso acontecesse: o Cafi”, diz Macalé, referindo-se ao fotógrafo pernambucano Carlos Filhos, que faleceu em plena virada do ano de 2018 para 2019 (ele passou mal na Praia do Arpoador, no Rio, durante a festa do Réveillon), aos 68 anos.

“O Cafi era um artista genial. Muito amigo meu e também do Ronaldo Bastos, então, nos aproximou. E aí, mais recentemente, quando pintou este disco, quando veio a possibilidade de fazê-lo, finalmente convidei o Ronaldo para participar”, prossegue o artista.

Presentes de Bastos

Assim, Ronaldo Bastos fez duas músicas para o disco de Macalé: “O Amor Vem da Paz” e “Mistérios de Nosso Amor”. “Essa última, no disco, é magistralmente cantada, interpretada, por Maria Bethânia”, brinda Jards.

“O Amor Vem da Paz”, vale dizer, foi composta por Ronaldo Bastos a partir de uma demanda especial de Macalé: “Eu pedi a ele que escrevesse uma letra para a minha companheira, a Rejane Zilles. Para o nosso amor”, cita Jards.

A letra diz: “Eu dei sorte ao encontrar você/Quando o mundo ia desabar/Essa força vem do bem-querer/E me fez pensar/Foi assim que eu aprendi a viver/O amor que veio pra ficar/Todo dia é dia de você/Se fazer bem”. Rejane, vale dizer, assina a direção geral do álbum “Coração Bifurcado”. A direção artística, por sua vez, é de Romulo Fróes.

Já “Mistérios do Nosso Amor”, que tem arranjos de Cristóvão Bastos, foi entregue, como dito, a Bethânia, pelo próprio Macalé. “Eu a procurei e fiz o convite. Nós nos conservamos amigos há tanto tempo, até agora. E ela topou. Gravou, mais uma vez, de uma forma estupenda”.

“A Foto do Amor”

Além das compostas por Ronaldo Bastos, Macalé comentou, ao Culturadoria, sobre outras faixas do disco, como “Você Vai Rir”, parceria com o compositor e artista plástico paulistano Eduardo Climachauska, o Clima, e que tem orquestração de Antônio Neves.

“Uma música que é muito gostosa também é ‘A Foto do Amor’ (parceria com Rodrigo Campos). É meio um rap, dito e cantado ao mesmo tempo. E o tema são moradores de rua, três, que ficam embaixo do Elevado e que, em dado momento, começam a fazer amor. E aí passa um argentino, nota aquela coisa… Ele passa fininho, mas tira uma fotografia daquela situação”, descreve, divertido.

E tem, ainda, “Cante”, letra e melodia de Macalé. “É um chamado para o amor”, resume ele. A letra diz: “Faça música que é bom/Cante, cante/Porque é melhor pro mundo/Cante, cante/A melhor coisa do mundo além do amor/Como o amor/É cantar/Cante, cante”.

Homenagens

O disco também traz a gravação de “Amo Tanto”, de Jards Macalé, com Nara Leão (1942 – 1989), que foi lançada pela cantora originalmente em 1966, no álbum “Nara Pede Passagem”. Jards compôs a canção quando ainda era adolescente.

“Coração Bifurcado” é dedicado a três saudosos amigos de Jards Macalé: o já citado Cafi, a cantora Nara Leão e, por último, mas não menos importante, Gal Costa (1945 – 2022). “Gal, Gracinha, Maria da Graça. Minha grande amiga. Fizemos tantas coisas juntos! E não só na música, mas do prazer de viver mesmo. Rimos muito juntos, na época em que a conheci, em 1967, se não me engano”, conta ele.

Aliás, Macalé se recorda que conheceu Gal Costa na casa de Caetano Veloso, através de Maria Bethânia. “Desde então, fomos caminhando juntos. Em dado momento, Caetano e Gil foram presos (no final de 1968, já sob a égide da ditadura militar), e, aí, ela ficou solo. Então, eu e Capinan começamos a acompanhá-la, a produzir shows, montar repertório, enfim. Nós, ali, fomos os que sobramos, naquela hora”, conta. Macalé lembra que dirigiu musicalmente dois discos de Gal.

Lembrando ‘Gracinha’

Sobre um deles, “Cultura e Civilização” (1969), Macalé pondera: “É um álbum maravilhoso, aliás, penso que as pessoas deveriam prestar mais atenção nele”. O outro foi “Legal”, de 1970. “Este é um disco clássico de Gal. O repertório traz duas músicas minhas, ‘Hotel das Estrelas’ e ‘The Archaic Lonely Star Blues’. Então, ‘Coração Bifurcado’ é dedicado a ela”.

Na verdade, Gal seria a cantora pensada para emprestar a voz a “Simples Assim”, parceria sua com Romulo Fróes. Os dois estavam trocando mensagens, e até ensaiando, quando veio a notícia da partida da intérprete. Com isso, Ná Ozzetti acabou assumindo a tarefa.

Ficha técnica de “Coração Bifurcado”

Direção Musical: Jards Macalé

Direção artística: Romulo Fróes
Produzido por Guilherme Held, Pedro Dantas, Rodrigo Campos e Thomas Harres

Arranjos de base: Jards Macalé, Guilherme Held, Pedro Dantas, Romulo Fróes, Rodrigo
Campos e Thomas Harres, exceto nas faixas “O amor Vem da Paz” e “Mistérios do Nosso
Amor”, arranjadas por Cristóvão Bastos.

Ouça o disco nas plataformas

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