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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Cinco destaques da exposição do coletivo Los Carpinteros no CCBB-BH

Por Carol Braga

03/02/2017 às 10:05

Publicidade - Portal UAI
Crédito: Carolina Braga

Vem de Cuba as obras que ocupam as salas de exposições do Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte. E, como é de se esperar, vem cheias de histórias, marcas e críticas. Quem assina é o coletivo Los Carpinteros, formado por Marco Castillo, de 45 anos e Dagoberto Rodríguez, de 47.

Eles se conheceram no Instituto Superior de Arte (ISA), a faculdade de artes de Havana, capital cubana. Em 1992 formavam um trio com Alexandre Arrechea, que saiu em 2003. O gosto pelo trabalho com a madeira fez com que colegas batizassem o trio de Los Carpinteros. Bem, mas isso foi uma característica do início do trabalho. Madeira é apenas um elemento.

A obra que chega ao CCBB demonstra versatilidade, contundência histórica e, como também não poderia ser diferente, crítica social.

Confira o que mais chamou a minha atenção na exposição que tem 70 obras à disposição do seu olhar bem ali na Praça da Liberdade.

Crédito: Los Carpinteros

Dos pesos (1992) | Madeira entalhada e óleo sobre tela 64.5 x 186.5 x 9 cm Cortesia Museo Nacional de Bellas Artes, Havana © Los Carpinteros

CAPITALISMO x COMUNISMO

Los Carpinteros começaram a trabalhar nos anos 1990, tempos marcados por ditadura e profunda crise econômica em Cuba. Objeto Vital, como é chamada a mostra, tem desde as peças dos tempos de faculdade como trabalhos muito recentes. Veja que ironia capitalista esta que é uma das primeiras obras, criada em 1992: uma nota “gigante” de dois pesos tendo as figuras deles mesmos em situação laboral ilustrando o dinheiro. Rapazes ousados!

Crédito: Carolina Braga

Crédito: Carolina Braga

PISCINA PARA POUCOS

Diz a lenda que ter piscina em Cuba é luxo reservado a hotéis que cobram diárias em dólares. Pois sendo assim, Los Carpinteros constroem uma bem suntuosa – embora em menor escala – e colocam para rodar o mundo dentro de museus. Aliás, eles tem várias piscinas surreais em fibra de vidro espalhadas por aí.

Crédito: Los Carpinteros

Celosía Poliédrica Flotante (2015) | Aquarela sobre papel Díptico 199.5 x 226 cm Cortesia Sean Kelly, New York Courtesy Sean Kelly, New York © Los Carpinteros Crédito: Los Carpinteros

DESAFIO EM AQUARELA

Além de muitos objetos, telas gigantes chamam a atenção. Primeiro porque são feitas em aquarela, técnica de pintura na qual os pigmentos se encontram suspensos ou dissolvidos em água. Quem é da área diz que é dificílimo usar essa técnica na proporção que Los Carpinteros aplicam e ainda com excelência na composição de fundos e preenchimentos. Pesquisas no Google me contam que a aquarela sempre teve posição secundária na arte ocidental porque era mais utilizada para esboços rápidos. Los Carpinteros a utilizam, em grandes formatos, e em 2016. O uso da técnica, neste caso, me soa mais como uma escolha política e resposta ao universo da arte. Ou seria ao mercado da arte?

Crédito: Los Carpinteros

Dos Camas (2008) | Colchões, travesseiros, fronhas e ferro 90 x 240 x 280 cm Cortesia Galeria Fortes Vilaça © Los Carpinteros

CICLO DO CAFÉ

A cultura cafeeira do Brasil não passou ilesa em Objeto Vital. Vide uma parece de xícaras partidas ao meio. Esta foi montada em São Paulo. A de BH é muito maior. Ê, olha a política do café com leite na arte contemporânea.

Crédito: Carolina Braga

Crédito: Carolina Braga

CRÍTICA SOCIAL  

Desde um púlpito de papelão, espaço tradicionalmente usado para os longuíssimos discursos de Fidel Castro, até letreiros com frases comuns da cultura cubana e do próprio ditador também marcam presença. Se em Havana frases pró-sistema eram espalhadas em grandes painéis, eles também reproduzem com a expressão: “Me cago em el corazón de tu madre”. Ou seja, não estão nem aí pra isso.

Crédito: Carolina Braga

LOS CARPINTEROS |MCEECDTM (2014) | Zinco galvanizado 126 x 152 x 79.5 cm © Los Carpinteros Crédito: Carolina Braga

[O QUE] Objeto Vital, de Los Carpinteros

[QUANDO] Até 03 de abril, de quarta a segunda-feira das 9h às 21h.

[ONDE] CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários, (31) 3431 9400)

[QUANTO] Grátis

Confira a programação completa CCBB-BH

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