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Lô Borges: uma conversa com o cantor que sonha em Fá maior

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Compositor e um dos fundadores do Clube da Esquina, Lô Borges fala sobre o álbum “Chama Viva”, o quarto lançado nos últimos quatro anos, e a volta aos palcos

Por Maria Luiza Cunha | Culturadora

Lô Borges comemora os 50 anos de carreira e dos álbuns “Clube da Esquina” e “Disco do Tênis” em 2022 produzindo canções sem perder o fôlego. O compositor das músicas “Paisagem da Janela”, “Clube Da Esquina Nº 2”, “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” e “Tudo Que Você Podia Ser”, lançou novo álbum “Chama Viva”, disponível nas plataformas digitais desde março.

“Chama Viva” tem 10 músicas, três delas com participações especiais de Paulinho Moska, Beto Guedes e Milton Nascimento. O músico convidou, também, Patrícia Maes, compositora com quem havia trabalhado em 2011, no LP “Horizonte Vertical”, para assinar as letras das faixas. “Fazer [o álbum] com a Patrícia foi com muito entrosamento. […] Ela é uma escritora, compositora, que tem muito ouvido musical para escrever. As letras dela além de serem bonitas, tem sonoridade”, conta Lô Borges.

Capa do disco Chama Viva/ Foto: Reprodução
Capa do disco Chama Viva/ Foto: Reprodução

Para o disco, o artista compôs sete músicas em sete dias. Sendo assim, a produção tem uma proposta diferente do álbum “Muito Além do Fim”, que a antecedeu. “Essa diversificação dos meus álbuns, ela vem naturalmente. Não é uma coisa que eu busque desesperadamente. Quando eu faço um disco com uma pegada mais rock’n’roll, muita guitarra, muita coisa, logo em seguida, já me dá vontade de fazer uma coisa mais zen. Aí eu vou alternando. Faço piano, faço órgão, faço guitarra com drive.”.

O segredo da produtividade 

“Chama Viva” é o quarto álbum do cantor lançado nos últimos quatro anos. Em 2019, foi a vez do “Rio da Lua”, seguido por “Dínamo”, em 2020, e “Muito Além do Fim”, em 2021. A agilidade para compor foi desenvolvida ainda quando produziu o “Disco do Tênis”, aos 20 anos. 

Quando era mais jovem carregava um violão como se fosse uma mochila. “Eu era aquele cara que chegava nos lugares em Belo Horizonte, quando eu tinha 19, 18, 17 anos e falavam: ‘chegou aquele cara que não para de tocar violão’.”

Porém, nas décadas de 80 e 90 a produção do compositor diminuiu, foram quatro discos ao total. A mudança no ritmo veio quando ele se aproximou dos 50 anos, perto da transição de 1999 para 2000, quando pensou: “Eu já sei o que eu quero fazer nesse século, eu quero dobrar minha produção musical. Eu quero produzir muito mais música porque eu estou ligeiramente desconfiado que eu nasci para isso”.

Aos 70 anos, Lô Borges revela que é dedicado. Ou seja, quando erra uma palavra da canção, recomeça. Além disso, ele se prepara com empenho antes de cada apresentação para não correr o risco de esquecer uma letra sequer. Esse ritmo frenético o ajudou a criar, por exemplo, 40 músicas durante a pandemia. “Eu estou com um repertório que eu tenho discos, eu tenho músicas inéditas já gravadas, para lançar até 2025, se eu quiser.”

A música que vem do céu e do sonho

O artista possui poucos instrumentos musicais em casa, se comparado à multiplicidade dos que existem nos estúdios, mas são suficientes para que possa compor e criar, atividades que considera bênçãos. “Meu sentimento com a composição é um sentimento de realização em uma coisa que eu queria conhecer que estava dentro de mim.”

Assim, ao longo da carreira, Lô Borges entendeu que para ser um compositor com uma trajetória extensa, é preciso estar disponível para o instrumento. “A música, ela vem do céu, mas se você não botar a mão na massa, ela não existe. No meu caso é assim, se eu não pego o instrumento e batalho, não vem música nenhuma. Então eu sou um cara muito dedicado. É o que o maestro Tom Jobim falava: ‘música tem 40% de inspiração e 60% de transpiração’.”

Como Lô Borges respira música há mais de cinco décadas, não é de se estranhar que ela invadisse até mesmo seus sonhos. Foi o que aconteceu com a última faixa de seu novo disco. O artista sonhou com a melodia e acordou no meio da noite. Ainda sonolento, detalhou o sonho, reproduziu a música e gravou. Dois meses depois, escutando as gravações que mantém no celular, se deparou com a criação: “Eu peguei o teclado para conferir, aí eu falei: olha, eu sonho em Fá.”

O retorno para os palcos após o pico da pandemia

Depois do artista criar o novo álbum, a saudade do público despertou a vontade de fazer apresentações em 2022. Mas a equipe dele já está ciente que em breve ele voltará a compor. “Eu quero voltar a compor porque é o sentido total da minha vida”, conta Lô Borges.

“Eu adoro show, adoro palco, adoro público, adoro todas essas coisas. Mas o meu grande fascínio na música, é o pelo desconhecido, pelo que eu não fiz.” Apesar da saudade dos palcos, o artista não deixa de destacar a efemeridade das performances. “Um show dura 1h30. Termina você vai embora para o hotel. Vai embora para casa. Um momento mágico, bacana, interessante. Um disco daqui há 200 anos vocês estão ouvindo outra vez. O show acaba em 1h30, o disco acaba em 300 anos, quando acaba.”

No dia 4 de junho, Lô Borges se apresenta no Teatro do Sesc Palladium, em Belo Horizonte, às 21h. Nos dias 10 e 11 de junho, às 20h, e em 12 de Junho, às 18h, ele canta no Teatro do SESC 24 de Maio, em São Paulo.  Os setlists dos shows incluem canções de “Chama Viva” e dos álbuns mais recentes, além dos clássicos de “Clube da Esquina” e “Disco do Tênis”.

Lô Borges e a capital mineira

Depois de ter visitado diversos países, Lô Borges vive em Belo Horizonte e está preocupado com o futuro da cidade. “Eu estou indignado com essa perspectiva da Serra do Curral ser destruída pela mineradora. O Governo Estadual não faz nada. O Governo Estadual parece que está do lado dos caras. As pessoas têm que se mobilizar”.

Nascido na capital mineira, ele destaca seu carinho por ela: “Eu amo essa cidade. Eu amo a Serra do Curral. Eu amo tudo. A zona leste, noroeste, nordeste, a zona sul e norte. Eu amo BH. Então tem “I Love New York”; “I Love BH”! Eu amo Belo Horizonte, essa cidade é super importante para mim. Daqui eu não saio, daqui ninguém me tira.”

Agenda de Shows

Data: 4/06, sábado

Local: Sesc Palladium, Belo Horizonte. 

Horário: às 21h. 

Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/69666/d/113310

Data: 10/06, 11/06, às 20h, e 12/06 às 18h

Local: Teatro do SESC 24 de Maio, São Paulo.

Ingressos: online (site do SESC-SP) em 31/05, a partir do meio-dia.

Nas unidades no dia 01/06, a partir das 17h.

Maria Luiza Cunha é jornalista em formação e colaboradora do Culturadoria. Ama entrevistas, ler e colecionar curiosidades.

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