Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Dia Nacional do Livro Infantil: confira lançamentos recentes

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Inspirado no dia de nascimento de Monteiro Lobato, o Dia Nacional do Livro é festejado em 18 de abril: por aqui, selecionamos algumas dicas

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Na data de 18 de abril, o Brasil comemora o Dia Nacional do Livro Infantil. E por qual motivo? É que foi neste dia, mas lá para trás, precisamente em 1882, que, em Taubaté (SP), nascia José Bento Renato Monteiro Lobato, ou simplesmente, Monteiro Lobato, autor da saga do Sítio do Picapau Amarelo. Ou seja, o criador de personagens como Dona Benta, Tia Anastácia, Narizinho, Pedrinho e, claro, a boneca Emília, além de outros tantos moradores do Reino das Águas Claras. A data foi estabelecida em projeto discutido no Congresso Nacional no início dos anos 2000. Lobato – que faleceu em 1948 – foi homenageado por ter fundado a primeira editora brasileira, no ano de 1918.

Ilustração de Daniel Kondo para "Quando Curupira Encontra Kappa", livro escrito em parceria com Fernanda Takai (WMF/Divulgação)
Ilustração de Daniel Kondo para "Quando Curupira Encontra Kappa", livro escrito em parceria com Fernanda Takai (WMF/Divulgação)

Para lembrar a data, mostramos, aqui, alguns lançamentos recentes que foram aterrissar nas estantes de livros dedicadas às crianças. Em meio aos títulos, tem até uma pepita assinada pela “mineira” (de coração, vai) Fernanda Takai, além de uma publicação da editora belo-horizontina Aletria. Tem também o mineiro Edmilson de Almeida Pereira, autor de um livro de estrutura super interessante e inventiva: “Olho Vivo, Olho Mágico” (FTD)

Ah! Para além de lançamentos, a gente aqui, do Culturadoria, também rende uma homenagem muito especial a uma guerreira: Roseana Murray. Recentemente, a escritora foi vítima de um ataque de cachorros da raça pitbull na cidade fluminense de Saquarema. E, claro, a Ziraldo! Um mineiro (de Caratinga) que se tornou um ícone da literatura infantil no Brasil.

Bora falar de livros?

“Louca!Louca!Louca!”

(Editora Aletria)

Artista plástica, designer, escritora, ilustradora e professora, Anabella López, autora deste livro recentemente lançado pela Aletria, nasceu em Buenos Aires. Em 2013, mudou-se para o Brasil, tendo sido uma das fundadoras da Usina, escola de ilustração online. Lá, ministra cursos e oficinas. Anabella já ilustrou mais de 40 livros. Tal qual, ganhou prêmios como o Jabuti e o Melhor Livro do Ano pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. A obra fala sobre uma espécie de loucura coletiva que contamina toda uma população. Assim, os habitantes da cidade passam a repetir, em coro, como num mantra, as mesmas palavras, sem se atentar para a gravidade do conteúdo. Bem como sem se preocupar quanto às repercussões que o coro impensado pode trazer a uma nação.

Ou seja, por lá, naquela cidade, as pessoas estão robotizadas, só repetem o que ouviram, sem reflexão, sem averiguar o motivo. Trata-se de uma metáfora da insanidade coletiva, que, em muitas ocasiões da história, elege um inimigo assim, do nada. No caso da narrativa, por meio da água, que é contaminada. Na vida real, pelas fake news, que macularam as fontes de informação. O livro explica que a trama é uma adaptação do conto “O Rei Sábio”, de Khalil Gibran. A autora assinala: “É inspirado em muitas mulheres que conheço, admiro e respeito. Mulheres poderosas e corajosas, que correm atrás de seus sonhos. Que lutam e acreditam nas suas verdades, que não cedem e que não se rendem nunca. Mulheres que são criticadas e, muitas vezes, repudiadas, simplesmente por quererem ser autênticas, revolucionárias”.

Em tempo: a autora dedica a obra a Dilma Rousseff e a Nise da Silveira.

“Quando Curupira Encontra Kappa”

(Editora WMF)

No meio de uma imensa floresta, Curupira, o jovem protetor das florestas e dos animais, encontra Kappa, o ser reptiliano que habita rios e lagos do Japão. Mas… pera! O que faz Kappa estar aqui, nesta lonjura? Bem, o motivo é dos mais nobres! O verde que nos cerca pede ajuda aos seres encantados – até mesmo àqueles que têm fama de malvados. O livro “Quando Curupira Encontra Kappa”, da dupla Fernanda Takai (sim, a cantora e integrante do grupo Pato Fu) e o talentoso Daniel Kondo, mostra que a conexão entre países é necessária para dar fim às aprontações do tal “bicho-homem”.

Acontece que, para o futuro não ser sombrio, é necessário unir forças. Afinal, como já dizia Beto Guedes, vamos precisar de todo mundo! Por isso, tracajás e Cobra Norato, Tengu, Jurupari e Lobisomem, ou mesmo o Ogro Vermelho. Todos têm noção dos absurdos que o homem tem praticado no planeta. Uma pérola: para narrar a história, o recurso pensado por Takai e Kondo foi o kamishibai. Um texto ao fim do livro explica: trata-se de tradicional arte-ambulante, na qual o contador de histórias montava o palco na garupa de uma bicicleta. Assim, diante do público, desfilava lâminas de desenhos coloridos sobre os quais o narrador sobrepunha a sua técnica performática. Bacana, não?

Em tempo: no livro, o leitor encontra um QR Code. Por meio dele, dá para montar o próprio kamishibai em casa. E tem também um link que permite imprimir as ilustrações do livro. Amamos!

Olho Vivo, Olho Mágico

(Editora FTD)

Um livro diferente, em formato de um envelope, com o conteúdo desdobrável. Assim se apresenta “Olho Vivo, Olho Mágico”, lançamento charmoso FTD. Aliás, um plus: todas as letras “o”, da capa, são vazadas. Ou seja, como se fossem mesmo aqueles olhos mágicos, que os adultos colocam nas portas, para ver quem está do lado de fora, batendo a campainha. Assinado pelo mineiro Edimilson de Almeida Pereira, com ilustrações de Rodrigo Visca, o livro-objeto traz duas histórias: “A Senhora, o Gato, o Chapéu e o Pássaro” e “A Mão, o Livro, o Papel e o Vento”.

Ou seja, de um lado uma, e, no verso, a outra. Em “A Mão, o Livro, o Papel e o Vento” se debruça em questões que envolvem a escrita. Ou seja, indaga se é possível escrever um livro usando luvas. E se for, seriam de letras, estas luvas? Independentemente da resposta, uma coisa é certa. É preciso escrever como se a pessoa tivesse, na ponta dos dedos, a cabeça. Desse modo, as palavras saem. E, tal qual as ideias, correm pelo papel, como se estivessem em trilhos. Mas vem a dúvida. A mão escreveu mesmo aquelas palavras? Ou elas já habitavam o papel em branco?

Seja como for, o vento lê as palavras e as espalha. “Há um segredo que a mão gravou no livro. Ainda que o papel se perca, o segredo não se apaga”. Já “A Senhora, o Gato, o Chapéu e o Pássaro” mostra uma fofa senhora, que pode estar triste (e, assim, chamará o gato) ou contente (neste caso, adora a rua, os dias de sol e andar de bonde).

“Vira Virou”

(Editora Nova Fronteira)

Como se pode ler o vento? As estrelas dormem durante o dia? E neste período de claridade, os vagalumes desligam a luz? Essas são algumas perguntas que norteiam os curtos poemas de Roseana Murray no livro “Vira Virou”. Sim, dissemos curtos, porque visam especialmente o público mirim. Ah, sim! Cada poema ganhou ilustrações inspiradas de Mariana Massarani. Assim, temos, em “Cestinha e Balão”, um simpático casal a voar sem malas ou bagagens complicadas. E sem pressa de chegar.

Roseana Murray: nossa homenagem à escritora, que, recentemente, foi atacada por dois pitbulls, em Saquarema (Vanessa Koehler/Divulgação)
Roseana Murray: nossa homenagem à escritora, que, recentemente, foi atacada por dois pitbulls, em Saquarema (Vanessa Koehler/Divulgação)

Já em “Gabi”, temos uma garotinha pra lá de simpática, que não para quieta. Assim, sobe em árvores, cata pedrinhas, pula, dança, canta, fabrica sonhos com lápis de cor dentro do sono. Sereias podem ter gatos? No traço de Mariana, a pergunta ganha resposta positiva no poema “Para o Dia Começar”. Em sum, um livro fofo, foférrimo. E com uma descrição linda de Roseana, a quem todos nós passamos a gostar ainda mais, após o episódio por ela sofrido em Saquarema. Autora de mais de cem livros de poesia e contos, a escritora ganha uma comparação inspirada, na obra: “um campo florido pronto para receber um piquenique”. Tipo esses cenários que a gente vê em filme, prossegue o texto. Só temos a concordar.

Hors concours: Ziraldo

Falecido no início deste mês, precisamente no dia 6 de abril, o mineiro Ziraldo Alves Pinto deixou um legado que se espraia em diversas áreas. No caso do trabalho dele dedicado às crianças, vários títulos se tornaram icônicos, caso de “Flicts”, de 1969. E, claro, “O Menino Maluquinho”, de 1980, que inclusive virou filme. Tal qual, “Histórias da Carolina – A menina sonhadora que quer mudar o mundo”. A boa notícia é que estão em catálogo. Assim, para quem quiser desvendar o universo do mineiro de Caratinga, é só embarcar.

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